sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lamb no Marés Vivas

Ora, mais uns repetentes aqui no meu estaminé, desta vez com a boa notícia da sua vinda ao Festival Marés Vivas a 16 de Julho. No mesmo dia...Primal Scream..parece-me bem!
A ver vamos se este ano dá para ir até à beira do rio, ao contrário do ano passado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Jorge Palma - Tempo dos Assassinos

Quero o silêncio do arco íris
Quero a alquímia das estações
Quero as vogais todas abertas
Quero ver partir os barcos
Prenhos de interrogações

Amo o teu riso prateado
Como se a lua fosse tua
Vou pendurar-me nos teus laços
Vou rasgar o teu vestido
Eu quero ver-te nua

Vivemos no tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Eu quero ver-te alucinado
Eu quero ver-te sem sentido
Sem passado e sem memória
Quero-te aqui no presente
Eternamente colorido

Porque abomino o trabalho
Se trabalhasse estava em greve
Se isto não te disser tudo
Arranja-me um momento mudo
O menos possível breve

Vivemos o tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Amo o teu riso prateado
Como se o Sol só fosse teu
Vou pendurar-me no teu laço
Amachucar-te essa camisa
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu

in Jorge Palma (2001)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rua das Carmelitas

"A movida nocturna instalou-se à porta da mítica e centenária Livraria Lello

O Era Uma Vez no Porto, o mais recente bar da Baixa, está desde há uma semana mesmo ao lado do famoso estabelecimento, que atrai milhares de turistas todos os dias

Em Janeiro de 1906, a inauguração da Livraria Lello & Irmão (que então se chamava Chadron) atraiu a atenção de figuras como o poeta Guerra Junqueiro, o líder republicano Afonso Costa e Aurélio da Paz dos Reis, o pioneiro do cinema em Portugal. Mais de 100 anos depois, os flashes das máquinas fotográficas dos turistas são a imagem mais comum à entrada deste edifício classificado e ícone do Porto. Antero Braga, um dos sócios da Prólogo Livreiros, que detém a Lello desde 1994, estima que mais de 1000 estrangeiros por dia façam compras na livraria, entre os meses de Maio e Agosto. A Rua das Carmelitas está também no epicentro do movimento nocturno da Baixa, dando acesso às concorridas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis. Por isso, não é coincidência que aqui tenha aberto um novo bar: o Era Uma Vez no Porto "transferiu-se" do Passeio Alegre há pouco mais de uma semana.
Mas voltemos uns séculos atrás: por que o arruamento recebeu o nome dos Carmelitas? A explicação é simples: aqui existiu, entre os séculos XVIII e XIX, um convento dos Carmelitas Descalços, extinto em 1833, depois da vitória do regime liberal. Hoje, não resta qualquer vestígio do edifício, que deu lugar, em 1903, à construção do chamado bairro das Carmelitas (entre a Praça Guilherme Gomes Fernandes e as ruas de Santa Teresa e Conde de Vizela).
De regresso ao presente, falemos da actual orientação da livraria Lello, considerada pelo jornal britânico The Guardian como a terceira mais bela do mundo. O título deve-se não só à fachada (entre a Arte Nova e o neo-gótico), mas também ao seu interior, que se destaca pela escadaria e pelo amplo vitral no tecto, para além da presença de bustos de escritores como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental. O atendimento especializado e os livros de autores portugueses em língua estrangeira, destinados maioritariamente aos turistas, são os grandes orgulhos da actual gerência, que passa "ao lado da crise". No piso superior há ainda uma vertente de galeria de arte, com obras de pintura e escultura, e um pequeno bar, limitado a bebidas.
Porém, a Lello não é a única livraria histórica da Rua das Carmelitas. No lado oposto está a Livraria Fernando Machado, fundada em 1922, cujo período áureo se deu nas décadas de 1940 e 1950, quando se assumiu como uma das mais importantes editoras portuguesas na área do livro técnico. Por este antigo espaço de tertúlia de médicos, juristas e opositores ao Estado Novo passaram ainda quatro exemplares da primeira edição de Os Lusíadas. Em 2006, com a fachada de talha de madeira e vidro recuperada, reabriu pela mão de Paulo Samuel, responsável pela editora Caixotim e livraria homónima, na Rua dos Clérigos. No entanto, passados três meses, a Fernando Machado voltou a encerrar, devido a um processo de insolvência em que Paulo Samuel foi uma vítima colateral. "Se houver condições, gostava muito de retomar o projecto", contou ao PÚBLICO.

Era uma vez na Baixa

O mais recente bar da Baixa chama-se Era Uma Vez no Porto e está no primeiro andar do número 162, na porta da Ourivesaria dos Clérigos. O espaço está aberto todos os dias à noite (a partir da próxima semana, a abertura é antecipada para as 15h), destacando-se pela sua varanda, com uma vista que abrange a Praça de Lisboa (ainda encerrada, à espera da prometida requalificação), a Torre dos Clérigos e a Praça dos Leões. Nos próximos meses deve surgir a loja Gira Discos, numa sala contígua, com CD, vinis e livros. O indie rock vai ser dominante na selecção musical do bar, que não tem consumo obrigatório.
A artéria também é conhecida pelo comércio, com destaque para os Armazéns Marques Soares, a caminho dos 50 anos. Tudo começou no número 92, com 150 metros quadrados. Agora, através da aquisição de vários imóveis, ligados de forma labiríntica, os armazéns têm mais de 10.000 metros quadrados, distribuídos por cinco pisos, onde já se nota o passar dos anos. A oferta abrange roupa de homem, senhora e criança, estofos e decorações, cristais, relojoaria e até uma secção de tamanhos grandes.
Os Armazéns da Capela, ou A Pompadour, são um estabelecimento centenário, com um belo pára-sol de ferro e vidro. A mais antiga loja portuense da Vista Alegre está na esquina com a Rua Cândido dos Reis. E a Fernandes, Mattos & Ca., mais acima, merece uma visita mesmo sem compras: as velhas colunas em ferro fundido (da Fundição do Ouro), as bancadas em madeira e os vitrais levam-nos numa viagem até 1886, data de abertura desta antiga casa de tecidos, agora dedicada aos pequenos objectos do lar e artesanato português. Segundo nos contou o gerente, Paulo Fernandes, Marques da Silva foi um dos arquitectos."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Festa do Cinema Italiano



Este ano, pela primeira vez, a Festa do Cinema Italiano chega ao Porto, neste fim de semana no Teatro do Campo Alegre.
Programação completa
aqui.

terça-feira, 31 de março de 2009

Blonde Redhead - 23

Esta tema dá o nome ao último disco de Blonde Redhead, uma boa descoberta "induzida"!

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segunda-feira, 30 de março de 2009

Rua do Ouro

"A marginal onde as pizzas valem mais

Com a Ponte da Arrábida como "padroeira", a Rua do Ouro oferece um surpreendente leque de restauração, diversão nocturna e lojas de gama média-alta

A marginal ribeirinha do Porto é marcada pelos contrastes: a proximidade do rio Douro levou à construção de zonas residenciais e comerciais de luxo, mas subsistem populações ligadas à pesca. No Cais da Arrábida, há pequenas embarcações ancoradas e ainda se podem ver pescadores a consertar as redes. Em volta do Cais do Bicalho, domina a pesca recreativa, auxiliada por uma máquina "única no país", instalada na fachada do Bibá Pesca. É em tudo idêntica às que vendem sandes ou chocolates, mas aqui compra-se isco, por 2,5 euros. "Tivemos de a alterar completamente para servir os clientes, quando estamos fechados", explicou-nos Nélson Pereira, funcionário da loja de artigos de pesca. Apesar do relevo da inovação, arriscamos dizer que o actual ex-líbris da Rua do Ouro está nas pizzas: as melhores da cidade.
A nossa atenção centra-se em dois restaurantes: Casad'oro e Nhac! Nhac! O primeiro tem um bónus considerável: ocupa o antigo Pavilhão de Fiscalização da Construção da Ponte da Arrábida (conhecido como a "Casa dos Engenheiros"), da autoria do arquitecto José Galhoz. A partir do Casad'oro, a vista para a ponte e para a foz é privilegiadíssima, especialmente a partir da esplanada. No interior, o restaurante divide-se em dois: no piso -1, o ambiente é formal e há uma selecção de pratos de carne, peixe e massas; no primeiro andar, está a pizzaria, com mesas e bancos corridos. O preço das pizzas varia entre os 6,5 e os 11,5 euros e os ingredientes são importados de Itália.
Também de massa muito fina, as pizzas do pequeno Nhac! Nhac! são igualmente recomendáveis. Existem cerca de 20 variedades, sempre a rondar os 10 euros e preparadas à vista do cliente. Outra sugestão, no âmbito da comida italiana, é o Lancelot, no piso um do Condomínio Douro Foz. No número 133, numa casa amarela, está o Peixes & Companhia, onde o nome diz tudo: é o peixe fresco, acompanhado de legumes e batatas a murro, que domina o menu. O Morfeu na Marginal, no número 400, tem pratos tradicionais portugueses e peixes do dia.
O carro do rei D. Carlos
Mas deixemos a comida e passemos para a M Colecção Automóvel, com entrada pela Rua de João do Carmo, junto ao antigo River Caffé: aqui estão 25 dos 110 automóveis antigos do falecido empresário famalicense António Magalhães. Dos veículos em exposição, destaca-se um Minervette, de 1904, propriedade do rei D. Carlos, que o tinha estacionado em Vidago, para quando visitava o Palace Hotel. Há ainda um Minerva de 1914, exemplar único no mundo, e, para lá de marcas míticas como Ferrari, Jaguar e Rolls-Royce, também há um carro da... Singer! O enquadramento da mostra é modesto, mas o neto Manuel Magalhães diz que a actual sala deve ser apenas "um começo".
Na Rua do Ouro situa-se a loja da estilista Fátima Lopes (no número 418), um cluster de estabelecimentos de arquitectura, design e decoração (composto por Edição Limitada, Casa d'Arte, Miguel Laia e À Procura da Arte), e as joalharias Júlia Ribas e Monseo, no antigo Armazém Frigorífico da Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau, uma construção mercantil do Estado Novo, datada de 1939. Agora chama-se Douro's Place e é um moderno bloco de 31 apartamentos e seis lojas.O interesse nocturno da Rua do Ouro está concentrado em pleno rio, pouco depois da Ponte da Arrábida. A primeira embarcação visível chama-se Gandufe, alberga o Porto-Rio e é um dos espaços mais alternativos do Porto. O seu leme é o calendário de eventos (www.porto-rio.com), geralmente concentrado nas noites de fim--de-semana, oscilando entre os concertos de rock & roll mais marginal e as sessões de disco-jockeys, com destaque para o drum & bass. Ao lado está o Maré Alta, onde as after-hours de domingo são a imagem de marca. O horário de funcionamento, limitado às noites de sexta-feira e sábado, vai ser alargado, até Maio, para todo o dia. Ao almoço, haverá pratos do dia e os jantares serão em regime buffet. O Zoo Lounge seria a terceira opção "flutuante", mas está encerrado para obras, devendo reabrir na Primavera. As esplanadas junto ao Condomínio Douro Foz podem ser uma alternativa tranquila.
Se a passagem do eléctrico número 1 nos remete para o passado, há que referir que o Estaleiro do Ouro, transformado em cemitério de barcos, tem ainda mais para contar. Aqui terão sido construídas, pelo menos parcialmente, as embarcações da armada de Ceuta e as naus que participaram na primeira viagem marítima à Índia, de Vasco da Gama."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

Ora, a rua do Ouro já não é propriamente na baixa, mas de qualquer forma...também achei que valia a pena! e o Nhac Nhac..bem fixe...e pode-se fumar!!

sábado, 28 de março de 2009

Almodovar no Expresso e Visão


A partir de hoje no Expresso e a partir de dia 2 de Abril na Visão, sai uma colecção de 8 filmes do Pedro Almodovar.
Uma boa oportunidade para melhorar a minha colecçãozita de cinema caseiro!


sexta-feira, 20 de março de 2009

Morcheeba - Blindfold

e mais uma vez a onda revivalista, com muita nostalgia à mistura...



quinta-feira, 19 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Rua de Cedofeita

Numa rua de comércio tradicional, também há ofertas alternativas

Há lojas que pararam no tempo, mas a Jo-Jo's investe e vai ter em Maio um auditório com showcases. Visitar o Centro Comercial de Cedofeita dá direito a conhecer o "lado b" do Porto

A 9 de Julho de 1832, as tropas liberais de D. Pedro entraram no Porto pela Rua de Cedofeita, dando início a um período de mais de um ano de cerco da cidade pelas forças absolutistas de D. Miguel. D. Pedro começou por estabelecer o seu quartel-general no Palácio das Carrancas (agora Museu de Soares dos Reis), mas, para evitar o fogo dos miguelistas (a partir de Gaia), teve de se refugiar num edifício da... Rua de Cedofeita. O histórico imóvel, entre os números 393 e 399, ainda está de pé, e foi recentemente restaurado. No século XXI, naquele que é considerado o segundo arruamento comercial do Porto (a seguir à Rua de Santa Catarina), não há nenhuma guerra civil, mas há baixas entre o comércio tradicional. Em compensação, surgem novos negócios, alguns deles com cariz alternativo.
Há anos que um projecto de cobertura para a rua, do arquitecto Germano de Castro Pinheiro, é discutido, mas não sai do papel. "Não tem havido grande renovação" reconhece Jorge Coelho, da Casa dos Forros. O estabelecimento, há 42 anos no local, é um dos que tentam acompanhar novas tendências e vende agora alguns elementos de retrosaria mais modernos. Porém, não vale a pena pintar um cenário negro, porque há mais casas que acompanham o ritmo dos tempos e se dirigem a públicos mais específicos: por exemplo, a loja de roupa Me Allegro, orientada para as classes alta e média-alta, com cinco pisos de marcas de prestígio. Para o sexo feminino, o pronto-a-vestir Flagra, já fora da zona pedonal, representa uma alternativa à massificação dos centros comerciais. Bem mais antigas são a Antiqualha, fundada em 1923, que se dedica ao restauro e comércio de antiguidades (especialmente em madeira), e a Vilarinha, no ramo do mobiliário artístico e antiguidades desde 1876.
Um dos ex-líbris da artéria é a Jo-Jo's, uma loja de discos que começou por se localizar no Centro Comercial de Cedofeita (CCC), no final da década de 70, mas que funciona desde 1999 num edifício tradicional do século passado. O seu proprietário, António Ribeiro, nunca "dormiu em serviço". Hoje, a facturação vem primordialmente da loja on-line cdgo.com (com mais de 800.000 títulos), mas o espaço físico vai ganhar, em Maio, mais um andar, com vinil, CD usados, livros (não só de música, mas também best-sellers e obras de Direito), merchandising e um auditório para showcases. Foi a música alternativa/independente a "dar nome" à casa, mas a selecção é ecléctica: "Temos desde a Floribella ao John Cage", brinca António Ribeiro.
Já que falámos no CCC, façamos uma viagem até este centro comercial da "primeira geração", contemporâneo do Brasília. A partir dos anos 90, o abandono foi uma dominante e o cabeleireiro de homens Luís Lourenço (que se mantém graças aos "doutores e engenheiros" que lhe são fiéis desde os tempos de estudante) é uma das testemunhas, desde 1980: viu passar "altas individualidades" para o restaurante "vizinho", o Cantinho da Teresinha, que agora tem como cartão de visita a música de baile (e as noites de fado, às quartas-feiras). Apesar do abandono, o CCC acabou por não parar no tempo e reunir alternativas para públicos minoritários: a growshop A Loja da Maria (que concentra tudo o que é necessário para fazer uma planta crescer), Lionheart e Elfic (vestuário e acessórios alternativos), Factory Tattoo Studio, Circos (artigos de malabarismo, equilíbrio, acrobacia e magia), Forever Ultra (material relativo a claques de futebol e streetwear) e a loja de roupa e acessórios das irmãs góticas Castilho, personagens míticas da zona. A Hélice é um ponto de encontro indispensável para coleccionistas, especialmente de brinquedos e de objectos ligados à política e ao futebol. Em termos de restauração, o panorama não é brilhante. Salva-se o Pimenta & Chocolate, já depois do cruzamento com a Rua de Álvares Cabral, em que a cozinha tradicional portuguesa é a base dos pratos. O ambiente é acolhedor e os preços moderados (a rondar os 15 euros por pessoa). Para refeições rápidas e cafetaria, recomendamos o VeraCruz, com uma enorme variedade de chás e cafés, que também se podem levar ao quilo para casa.
Na noite, a Rua de Cedofeita não é um grande centro. Apenas há a referir o Altar, café-concerto que surgiu em Janeiro de 2008, e cujo programa inclui reggae às terças--feiras, música pimba às quartas e rock dos anos 70 e 80 às quintas. Aos sábados à noite, há concertos e os domingos são ocasionalmente reservados a matinés hardcore-punk."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

terça-feira, 10 de março de 2009

Pj Harvey na Casa da Música!

Ora, cá nos iniciamos há uns 15 anos a ouvir a mais que fabulástica PJ Harvey, precisamente com este disco , com uma tentativa frustrada pelo meio de a ver num fim de tarde de inverno chuvoso no Rivoli, até que hoje a mais fabulástica ainda Fiooo, conseguiu os nossos bilhetes quase impossíveis para a grande noite! Obrigadooooooooo lindaaa:)))))

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tori Amos - Cornflake girl

Músiquita mais que obrigatória neste estaminé! e já lá vão uns anitos largos que a descobri no início de uma bela e estranha fase da vida...


domingo, 8 de março de 2009

Rua do Breyner

"Aqui há cosmopolitismo, mesmo que seja preciso olhar duas vezes


O Breyner 85, projecto a meio caminho entre um clube ao estilo inglês e uma academia cultural, é a nova estrela de uma rua que parece ter despertado da letargia


No início da década, a Rua do Breyner parecia votada ao abandono e a uma atmosfera sombria e semi-industrial. Mesmo quando a paralela Miguel Bombarda se tornou um viveiro de galerias, o arruamento continuou ensimesmado, como uma espécie de parente pobre. Nos últimos dois anos, as coisas têm vindo a mudar, com novos habitantes e alguns investimentos diversificados, de tal forma que um olhar atento revela um inesperado cosmopolitismo. Até uma residência para idosos do grupo Montepio reconverteu uma antiga unidade fabril.

Quando divagávamos pela rua, uma conversa em português com forte sotaque italiano chamou-nos a atenção. Ficámos a conhecer o maquetista de arquitectura Alvaro Negrello, natural de Locarno, na Suíça de língua oficial italiana. No Porto desde 1993, Negrello tem clientes como Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura e internacionais como David Chipperfield e Frank Gehry. O suíço, que tem atelier e residência no mesmo edifício, diz que a rua tem mudado muito. "Noutras cidades europeias, casas como estas custam milhões e aqui ainda é possível comprá-las a um preço acessível. Só agora é que muita gente se está a aperceber disso", conta. A sua casa, com 110 anos, tem um extenso logradouro, uma característica típica da rua, que também está presente no edifício Breyner, uma nova construção topo de gama já em comercialização. Ao apreciar as obras, o PÚBLICO foi de imediato abordado por um mediador imobiliário, que nos disse que "todos os jovens" querem agora morar na Baixa. Duas das habitações já estão vendidas e os preços não são brincadeira: entre 250.000 e 430.000 euros.

Passemos ao cerne do artigo: aquilo que, de facto, se pode fazer aqui. E, neste campo, o Breyner 85 (a meio caminho entre um clube ao estilo inglês, onde todos os dias acontece qualquer coisa, e uma academia cultural) é a grande novidade. Para já, o corpo docente está virado para a música, mas o leque de oferta formativa deverá ser alargado às artes dramáticas e à dança. Aqui pode-se aprender, criar, mostrar e editar e, para tal, há um estúdio de gravação no piso inferior e várias salas de ensaios. Para o visitante ocasional, a componente de bar/espectáculos será a mais interessante: no piso térreo há uma cafetaria, cuja decoração traz à memória o período entre os séculos XIX e XX (a casa data de 1906); no piso superior está o café-concerto, com um pequeno mas bem equipado palco; nas traseiras, o logradouro funcionará, no Verão, como esplanada e já lá está instalado um palco. O Breyner 85 estará aberto todos os dias, das 10h às 2h, e exigiu um investimento de cerca de um milhão de euros.

Mais à frente está o British Council, cuja missão é difundir o conhecimento da língua inglesa. Para lá dos diferentes cursos e exames que se realizam aqui, há um grupo de leitura que se reúne uma vez por mês para conversar sobre uma obra em inglês (a entrada é gratuita). Para uma artéria que parece anónima à primeira vista não estamos mal, mas há mais (e vamos ter de passar para o modo telegráfico). Já perto do Largo da Maternidade de Júlio Dinis está o restaurante vegetariano Nakité, cujas especialidades são a francesinha vegetariana, as lasanhas e os cogumelos Portobello salteados. Ao almoço, há um menu por 4,90 euros: sopa, entrada, pão e café. No número 43 está a Takechance; loja de roupas de marca de segunda mão. Do outro lado, o atelier de conservação e restauro Cotonete & Bisturi especializou-se em pintura sobre tela, escultura, talha e cerâmica.

A rua onde funcionaram o Instituto Industrial do Porto (actual ISEP) e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto deve o seu nome a Pedro de Mello Breyner, que, na segunda metade do século XVIII, desempenhou diversos cargos públicos. Morreu em 1828, encarcerado pelos miguelistas. Não foi a tempo de assistir à vitória dos liberais, mas hoje, na "sua" rua, não há dúvida de que triunfaram as "tropas" progressistas."


Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 6 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

The Guys From the Caravan



(concerto bem perdido)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Tom Waits - Train Song

Lembro-me perfeitamente do momento em que ouvi esta música pela primeira vez, há uns 15/16 anos atrás e a partir daí ficou impregnado o gosto pela música de Tom Waits.
Esta é uma das poucas músicas que me faz reflectir, sonhar, parar, relembrar, perspectivar, sempre que a ouço.

Well I broke down in E. St. Louis
On the Kansas City line
and I drunk up all my money
that I borrowed every time
and I fell down at the derby
and now the night's black as a crow
It was a train that took me away from here
but a train can't bring me home
What made my dreams so hollow
was standing at the depot
with a steeple full of swallows
that could never ring the bell
and I come ten thousand miles away
with not one thing to show
well it was a train that took me away from here
but a train can't bring me home
I remember when I left
without bothering to pack
you know I up and left with
just the clothes I had on my back
now I'm sorry for what I've done
and I'm out here on my own
well it was a train that took me away from here
but a train can't bring me home

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Travessa de Cedofeita

"A ruela esquecida da Baixa que se tornou num novo centro nocturno do Porto

Se ainda não ouviu falar do 77, é provável que não saia à noite no Porto. O café revolucionou a Travessa de Cedofeita, onde também está a Casa de Ló, sucessora da Casa Margaridense

À primeira vista, não há nada de particularmente recomendável na Travessa de Cedofeita, que liga a Rua de Cedofeita ao Largo Alberto Pimentel: o arruamento é estreito e sombrio, o empedrado está gasto, os passeios são irregulares e as paredes estão pejadas de graffiti anárquicos e outras pinturas. No entanto, com um olhar mais atento, é possível descobrir várias pérolas no arruamento. Ironicamente, pode começar-se pelas paredes: a sua análise pode dar origem a um verdadeiro estudo de semiótica (a disciplina que estuda a significação). E não é que encontramos mesmo uma análise na Internet? O texto, da autoria de António Preto, fala numa "exposição colectiva", repleta de sinais contestários. A título de exemplo, aqui fica uma das mensagens: "Procura-se/ Outro/ Ronaldo/ Templário/ Urrando/ Golos/ Acalmando/ Lobbies". Juntando as iniciais, lê-se "Portugal".
Porém, aquilo que mais transformou a travessa nos últimos dois anos foi um café que, à primeira vista, também passaria despercebido. À porta do Espaço 77, em qualquer noite de quinta-feira a sábado, concentram-se pequenas multidões (na rua passam poucos automóveis), geralmente com uma bebida na mão. Aqui há cervejas "minis" a 50 cêntimos, shots a um euro, baldes de cerveja de diferentes tamanhos entre um e quatro euros, panikes entre 90 cêntimos e 1,5 euros. A esplanada que os proprietários resolveram abrir nas traseiras, mesmo a tempo da entrada em vigor da Lei do Tabaco, também foi um golpe certeiro, e o Espaço 77 transformou-se numa espécie de "lado b" do Piolho, na Praça de Parada Leitão.
Mesmo ao lado do 77, a Casa de Ló é a mais recente novidade da artéria. Surgiu no espaço da mítica Casa Margaridense (fundada em 1880 e encerrada em 2007), famosa pelo seu pão-de-ló, marmelada e geleias, e juntou a componente de café-bar à venda destas iguarias (os chocolates, vinhos do Douro, livros e bolachas são uma novidade), preservando a traça original da loja. Na zona onde se confeccionavam os produtos está agora o salão de chá/bar (onde também se servem refeições ligeiras), animado por DJ convidados e concertos (o primeiro foi na sexta-feira) nas noites de fim-de-semana. Um pouco mais próximo da Rua de Cedofeita, o Mezopotamya fecha este mini-cluster com ligações à noite da Baixa. É um espaço dedicado ao döner kebab (o prato nacional turco, feito de carne assada num espeto vertical), onde a movida conforta a barriga durante a noite (está aberto todos os dias, das 19h às 2h). Aqui, é servido em duas variantes: sandes (por 2,90 euros) e rolo (3,50 euros).
Mas a Travessa de Cedofeita não é só feita de coisas novas: há habitantes mais antigos que resistem e até circulou um abaixo-assinado para tentar travar o barulho nocturno. Artur Ribeiro Taquinho, o "mais antigo adeleiro do Porto", instalado no número 46, não o assinou, porque "gosta da animação". O comerciante está há mais de 60 anos na rua (tem hoje 85 anos) e a sua história foi-nos contada pela filha Maria de Fátima Almeida e pelo genro José Carlos Almeida, agora à frente de um negócio em crise, porque as melhores peças "ficam para os leilões". Ainda assim, há mobiliário de todo o tipo e para várias bolsas no interior da loja, que é complementada pela arte sacra e decorativa de José dos Santos Galante, mesmo em frente.
Há mais. Por exemplo, a livraria Lumière, no número 64, compra e vende livros usados, mas também discos de vinil, banda desenhada e cadernetas de cromos antigos. Literatura portuguesa, história, teatro e poesia são as especialidades. A Blow Up Market é um bom local para encontrar roupas e acessórios em segunda mão. Na Goodvibes encontra-se vestuário, calçado e acessórios de cariz urbano e alternativo, de marcas como a própria Goodvibes (em exclusivo) e Gola. A Collectus é uma loja de colecções que tem sempre montras apelativas à vista, com moedas, notas, postais, selos, calendários, vinis e cartazes antigos. Uma viagem nesta artéria nunca poderia ficar completa sem referir a Love shop 68+1, na esquina com a Rua das Oliveiras. Chama-se Love shop porque a proprietária, Sónia Maia, aposta mais na vertente lúdica: aqui há lingerie comestível, artigos bondage e vibradores, mas não há filmes pornográficos. No seu lugar, estão muitos jogos de cariz erótico."

Artigo de João Pedro Barros, in Público