terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Mercado Porto Belo na Praça Carlos Alberto

(a história de colar o nome ao mercado londrino era dispensável)
terça-feira, 23 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Yann Tiersen - La Terrasse
terça-feira, 16 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Rua de Santa Catarina
Fomos desde a Praça da Batalha até ao Marquês para descobrir a outra face de uma artéria que só é concorrida durante 500 metros, e que por isso tem alguns segredos a desvendar
Falar na Rua de Santa Catarina é falar em comércio. Um estudo da consultora imobiliária Cushman & Wakefield/Healey & Baker, relativo a 2005, considerava-a a segunda rua comercial mais cara do país, apenas atrás da Baixa de Lisboa, com o metro quadrado a custar, em média, 756 euros por ano. "É uma rua fantástica, pode--se vender quase tudo. É única na cidade, tem sempre gente, de Verão ou de Inverno", disse ao PÚBLICO Lurdes Caldas, uma das comerciantes autorizadas a manter uma pequena banca móvel, com bugigangas, no passeio. Os lojistas queixam-se da crise e do metro (que estará a desviar pessoas para o eixo Sá da Bandeira-São Bento), mas marcas de referência como a Zara, a Benetton e a Swarovski têm aqui poiso. No caso da cadeia espanhola, esta foi mesmo a sua primeira loja no estrangeiro.
A culminar este circuito, chegamos à cooperativa cultural IMERGE, no número 777, já fora da zona mais comercial do arruamento. No piso de entrada avista-se artesanato urbano e produtos de autor, bem como um pequeno espaço de cafetaria, mas esta é apenas a ponta do iceberg. A associação desenvolve oficinas de criação e projectos culturais para entidades externas (em áreas que vão da arquitectura às artes performativas), mas tem como "menina dos olhos" o Regenlab, um laboratório de regeneração urbana baseado em "microacções". O troço da rua onde se insere não é por acaso. "Pensamos que aqui pode ser o fecho do circuito criativo, uma espécie de rectângulo com Passos Manuel, Cândido dos Reis e Miguel Bombarda", explica Susana Milão, uma das fundadoras da IMERGE. Na sequência deste trabalho, já foram ocupados espaços devolutos das redondezas, nomeadamente as montras da antiga casa da Cerâmica Lusitânia. "Poucos sabem, mas é da autoria do arquitecto Cassiano Branco", salienta. Na cave, realizam-se regularmente eventos.
Os segredos
Chegamos ao cruzamento com a Rua de Gonçalo Cristóvão e parece que começa uma nova artéria, menos bonita, com muito menos comércio. Porém, aqui também há que contar. Comecemos pelo bufete Fase. Podíamos dizer que é uma espécie de segredo, mas é, no máximo, um segredo mal guardado: uma grande parte dos apreciadores de francesinhas conhece bem este exíguo espaço, com apenas cinco mesas. Há 25 anos que José Menezes Pinto confecciona a especialidade à vista de todos, mas, segundo diz, ainda ninguém conseguiu imitar o seu molho, cujo segredo é "fazer muito e cozer muito". Por incrível que pareça, o cozinheiro jura a pés juntos que "nunca provou uma francesinha" e que confia no paladar da filha para fazer os acertos na receita. "Não gosto de queijo aquecido", justifica, de forma desarmante.
Na mesma zona, a coroar a multiculturalidade da rua (onde há lojas de chineses e indianos e um cabeleireiro africano) está o bufete Jobel. É um pequeno bar, propriedade de Gastão Carvalheira, português que emigrou para o Brasil com um ano de idade. Por todo o lado há garrafas, e muitas delas são de bebidas importadas do "país irmão", com nomes tão peculiares como Suor da Mulata, Caninha Nabunda ou aguardente Corno Manso. "Ao fim-de-semana, muitos brasileiros radicados cá e mesmo em Espanha juntam-se aqui", conta o proprietário. Outra recomendação vai para a bijutaria de Estrela Leal, uma antiga funcionária bancária que começou a fazer peças há cinco anos, de forma "compulsiva", sem qualquer passado nessa actividade.
Fechamos com um regresso à casa de partida, junto à Praça da Batalha: a Livraria Latina, orgulhosamente "generalista e independente", como garante o proprietário Henrique Perdigão, merece sempre uma visita. Se puder, dê ainda um salto ao salão de chá Império - a cumprir 65 anos - e encha a barriga com os famosos rissóis."
Artigo de João Pedro Barros in Público
sábado, 6 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Jeremias, O Fora da Lei
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram
Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar
Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei
Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jorge Palma in Lado Errado da Noite (1985)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Rua da Fonte Tourina
"Está-se bem na Ribeira!
Esta rua fulcral da História do Porto está repleta de restaurantes e de bares, mas não perdeu a autenticidade.
A Rua da Fonte Taurina é uma das mais antigas do Porto, datando pelo menos do século XIII. A fonte que lhe dá o nome já não existe, mas ainda está de pé o Postigo do Carvão, o único das 18 portas e postigos da Muralha Fernandina - construída no século XIV - que ainda resiste, ligando-a ao Cais da Estiva. Por aqui entrava o combustível que ficava guardado nos armazéns do arruamento e isso permite-nos imaginar o movimento que existiria há séculos atrás. Nos dias de hoje, a estreita artéria tem vários bares e restaurantes e é muito vocacionada para turistas. É verdade que há a lamentar o encerramento do Aniki Bóbó (um bar que fez história no meio artístico da cidade, durante 20 anos) e o decréscimo nocturno na Ribeira, mas esta rua ainda é uma referência incontornável. Talvez isso se deva à sua autenticidade: muitos habitantes partiram, mas resistem algumas dezenas que lhe dão um colorido especial. Há lençóis a secar nas varandas, portas escancaradas para o interior das habitações e conversas entre vizinhos e comerciantes que se conhecem há séculos. E a ginjinha e os traçadinhos do Está-se bem permanecem como os mais famosos da cidade.
António Pinto, de 41 anos, nasceu e foi criado em pleno Postigo do Carvão. Tem agora a seu cargo o restaurante Ora Viva, em plena Rua da Fonte Taurina, a poucos metros do local de nascimento. Na memória retém as noites de S. João, em que os habitantes "assavam e ofereciam" sardinhas, ao "rico e ao pobre". A prática, outrora frequente, perdeu-se: "Agora é raro assarem sardinhas à porta", lamenta. Porém, na ementa do Ora Viva não falta a sardinha e outros peixes, como o robalo e a dourada. A cozinha tradicional portuguesa é dominante e por isso não espanta que os pratos de carne mais populares sejam as tripas, o cabrito assado ou os rojões. No interior simples e com paredes em pedra destaca-se a presença de notas dos mais variados países, deixadas por clientes. Entre as mais invulgares, contam-se um dong vietnamita e um dólar de Hong Kong.
Já falámos de autenticidade e por isso não é surpresa constatar que não há grandes alternativas à gastronomia tradicional. Nesse sentido, o Postigo do Carvão é outro restaurante típico que podemos recomendar. O proprietário, Alexandre Osório, diz que é um local de "comida feita para portugueses, mas onde também se recebem estrangeiros". O espaço, construído em pedra e com belos pilares em ferro, já terá pelo menos 400 anos. Da cozinha, visível da sala de jantar, sai um bacalhau com broa muito recomendável, entre outras opções. O preço médio ronda os 15 euros e aos fins-de-semana há música ao vivo.
Traçadinhos e ginjinhas
Um dos estabelecimentos mais carismáticos da rua é o Está-se bem, um pequeno bar/tasca, famoso pelos traçadinhos - já se escreveu que ajudam à "mecânica da mente" - e ginjinhas, a 80 cêntimos. Grande parte deste carisma é transmitido pelo jovial casal que está atrás do balcão, Adriano Ferreira e Maria do Carmo, que mantêm a receita destas especialidades no segredo dos deuses (se bem que a base do traçadinho seja sempre a aguardente). O Está-se bem existe desde 1991, e Adriano Ferreira orgulha-se de muitos relacionamentos terem ali começado: "Houve uma menina da Madeira que começou a namorar cá. Fui o primeiro convidado para o casamento", conta. Aliás, o proprietário admite que "gosta mais" dos jovens do que das pessoas com 50 ou 60 anos. Mas o álcool também tem outros efeitos e o casal lembra-se, por exemplo, de os suíços Young Gods terem ali apanhado uma "bebedeira de bagaço", em meados dos anos 1990.
Há mais sítios na rua onde tomar uns copos. Mesmo ao lado do Está-se bem encontra-se o Ribeira Negra e uns passos à frente está o Porto Feio, propriedade do fotógrafo e pintor Feio, que o define como "uma galeria de arte onde se vai beber". O vinho do Porto é a grande especialidade da casa, aberta às quintas-feiras, sextas e sábados.
Já quase na Praça da Ribeira está O Cais, um bar com ar de pub inglês onde se pode provar uma das melhores sangrias da cidade. Para lá de caipirinhas, mojitos, cervejas Guinness e irish coffees também há petiscos recomendáveis, como fatias de pizza e bola caseira. Merece ainda destaque a Vinhos de Quinta, um espaço da Associação dos Viticultores e Engarrafadores dos Vinhos do Porto e Douro, que reúne pequenos produtores independentes. Aqui, num espaço acolhedor, é possível adquirir ou degustar vinhos a preços de quinta, incluindo reservas e colheitas seleccionadas.
A Rua da Fonte Taurina é um exemplo da beleza do Porto mais sombrio - há quem a considere, por graça, a mais fria da cidade - e tradicional. No dia em que os automóveis deixem de ocupar metade da sua largura, essa condição será ainda mais evidente."
Artigo de João Pedro Barros in Público
Nota: muitas, muitas, muitas noites bem passadas no Está-se Bem!
domingo, 31 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Périplo de Miguel Portas
Miguel Portas, que para mim é um ímpar conhecedor das civilizações do Médio Oriente e Mediterrâneo, lançou há dias esta obra com textos da sua autoria e fotografias de Camilo Azevedo. Esta parceria surge em consequência da série documental "Périplo - Histórias do Mediterrâneo" na qual nos guiou por vários lugares e histórias marcantes para o mundo moderno, no Mediterrâneo.Já agora, a Feira do Livro do Porto abriu hoje as portas e assentou arraiais na Avenida dos Aliados, onde espero que continue durante longos anos.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Rua do Almada
"Passou a moda, mas ficou muita música
A antiga rua do comércio de ferragens renovou-se com o aparecimento de várias lojas alternativas e dedicadas à cultura urbana. Porém, o processo tem sofrido alguma estagnação.
De resto, a Rua do Almada sempre teve um cunho progressista: o seu nome deve-se a João de Almada e Melo, governador do Porto que liderou uma revolução urbanística durante o século XVIII. Após a sua morte, em Outubro de 1786, o seu filho Francisco de Almada tomaria as rédeas, prosseguindo a modernização.
Os Almadas foram responsáveis pelo primeiro arranjo urbanístico e viário da cidade e pela sua expansão para norte, na qual se inseriu a Rua do Almada. A artéria, que surgiu como continuação da anterior Rua das Hortas e começou a ser construída em 1761, é considerada a primeira grande rua aberta fora das muralhas. Tornou-se depois centro de comércio e lugar de habitação de famílias aristocráticas, tendo nela vivido Ana Plácido, a mulher que levou Camilo Castelo Branco à prisão.
No presente, a história da rua também é a história de Miguel Barbosa, que a conhece desde miúdo, quando vinha "comprar ferragens". Muitos anos depois de ter começado a desenhar e construir peças em acrílico, criou aqui o seu atelier e elogia o "espírito de aldeia" reinante entre vizinhos.
Comecemos uma visita guiada no sentido ascendente, da Rua dos Clérigos até à Praça da República. No número 63 está, desde a década de 1940, a fábrica da confeitaria Arcádia. Na sua entrada funciona uma loja onde as amêndoas de várias formas e feitios e as clássicas línguas de gato de chocolate são dois ex-líbris. Mais acima está o supermercado Troika, que vende vários produtos do leste da Europa, desde conservas ate matrioskas, as tradicionais bonecas russas.
O império do vinil
Quase em frente está a loja de discos Louie Louie, que divide o espaço com a Embaixada Lomográfica. Num antigo local de trabalho de ferreiros - onde ainda funciona um carrinho que se move sobre carris, entre as traseiras e a porta da loja -, misturam-se as exposições fotográficas e a música. Os CD usados e em nice price (entre 5 e 10 euros) são a maior aposta, ao lado do vinil, formato em que a Louie Louie disponibiliza as últimas novidades.
O vinil, cuja importância tem vindo a ressurgir, é uma das marcas da artéria. O expoente máximo é a Zona 6, que funciona ainda como loja de discos (focando-se no drum & bass, dubstep e reggae) e de equipamento e acessórios para DJ. A Lost Underground é outra alternativa onde o suporte vinil tem bastante peso. Aqui também se compram e vendem artigos usados, sendo que os géneros mais representados, no âmbito de um catálogo generalista, são o metal, o punk e o rock & roll. Já perto da Praça da República, a Retroparadise tem uma extensa oferta, exclusivamente em vinil, focando-se no soul, funk e jazz dos anos 60 e 70. A principal área de negócio era a roupa em segunda mão, mas agora só é possível visitar o armazém por marcação. Em jeito telegráfico, refira-se a Maria Vai com as Outras (com exposições, eventos, livros e artesanato), a Casa Almada (dedicada a móveis, iluminação e objectos de design dos anos 1950-70, mas também com roupa e acessórios no piso superior) e as francesinhas do Café Pontual, das mais elogiadas da cidade.
Dissemos que não têm aberto muitos estabelecimentos nos últimos tempos, mas há pelo menos uma novidade: a Retrato do Que Vejo, no número 415, tem cerca de quatro meses. Aqui encontra-se artesanato urbano - por exemplo, bonecas de trapo - e vestuário diversificado. Mais uma prova de que há muito para descobrir na artéria é o evento Alma da Rua, que se realizou pela primeira vez no ano passado e que terá nova edição a 20 de Junho. Durante esse dia, as lojas ditas modernas mantêm-se abertas entre as 12h e as 24h, com promoções e actividades culturais."
Artigo de João Pedro Barros in Público
sábado, 23 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Rua de Mouzinho da Silveira
Os visitantes estrangeiros são a principal fonte de animação da rua e é a eles que são dedicadas as várias lojas de artesanato e recordações da zona
Não vale a pena escondê-lo: a Rua de Mouzinho da Silveira é uma sombra do que já foi. Por entre belas fachadas do século XIX, há prédios devolutos e lojas fechadas. Porém, até meados do século XX, este era um dos principais núcleos comerciais do Porto, no tempo em que a actividade comercial estava virada para o rio. Aliás, a sua abertura, em 1875, deveu-se precisamente ao intenso tráfego que se registava entre a zona ribeirinha e o centro da cidade, que tinha como alternativa a paralela (e mais estreita) Rua das Flores. Mais de 80 parcelas de habitações, incluindo algumas de herança medieval, foram demolidas. Para se perceber a dimensão da mudança urbanística, refira-se que foram arrasadas duas capelas, vestígios da antiga muralha fernandina e até pontes. Não parece, mas por baixo da artéria há água a correr: as obras conduziram ao encanamento do rio da Vila, ainda hoje presente na toponímia da zona.
Nos dias de hoje, são os turistas quem mais calcorreia a rua, no inevitável percurso rumo à zona histórica da Ribeira. Por isso, uma parte do comércio adaptou--se às suas necessidades e as lojas de artesanato e pequenas recordações têm vindo a crescer.A Prometeu é a mais interessante: o tecto está coberto de desenhos de flores e todo o espaço evidencia um colorido contagiante.Aqui há artesanato português, especialmente do Alentejo e do Norte do país: presépios, azulejos, porta-retratos, brincos, colares e louça são alguns dos artigos. Em Dezembro, no número 112, abriu a 3Pro, onde há desde t-shirts humorísticas a guardanapos com a face de Barack Obama estampada numa nota de dólar.
Ao longo do século XX, esta rua teve grande importância no abastecimento das áreas rurais circundantes, nomeadamente em termos de sementes e equipamentos agrícolas. A explicação para tal é simples: os lavradores deslocavam-se de comboio até ao Porto, pelo que as imediações da Estação de São Bento eram a localização ideal. Desses tempos, ainda restam estabelecimentos como a Alípio Dias & Irmão, também denominada A Sementeira. É um negócio familiar, que abrange desde árvores de fruto a artigos de jardinagem. Para Victor Dias, um dos sócios, são os conhecimentos dos funcionários que garantem a prosperidade: "A nossa sorte é que nas grandes superfícies ninguém percebe nada disto". A Moysés Cardoso & C.ª é outra casa histórica no ramo da batata de semente e dos produtos fitofarmacêuticos.
Ainda mais antiga (data de 1850) é a Casa das Rolhas, especializada em produtos de cortiça. A Galerias de Vandoma, dedicada à compra e venda, leilão e avaliação de antiguidades está presente na rua desde 1974. Ana Luz, gerente e única pregoeira mulher em Portugal, representa a quarta geração da família no ramo. No meio de tanta história, também há um sector cosmopolita e moderno, já perto da Rua do Infante Dom Henrique, que inclui as lojas Causaefeito, de decoração de interiores, e WESC, Icon e Paula Costa, dedicadas ao vestuário.
O passeio gastronómico na artéria começa no restaurante Arroz de Forno, no número 203, dedicado à cozinha tradicional portuguesa. O ex-líbris é o cabrito - com o obrigatório arroz de forno -, preparado à moda do Alto Douro. Descendo para a Ribeira, segue-se o Solar do Pátio (uma casa restaurada do século XVII), que fica no bem conservado Pátio de São Salvador. A ementa limita-se a quatro pratos: bacalhau espiritual, bacalhau com broa, arroz de pato e rosbife, aquele que merece a nossa recomendação. O ambiente é familiar (cabem no máximo 40 pessoas) e, por vezes, há música ao vivo. Mais abaixo, o Grémio dos Leitões serve os bácoros assados em forno a lenha, entre outros pratos.
O segredo mais bem guardado desta rua é a Capela do Senhor Salvador do Mundo. A sua origem remonta ao final do século XVI, mas a capela passa quase despercebida, devido à arquitectura modesta da fachada. A entrada está habitualmente encerrada e o espaço serve principalmente de capela mortuária à Igreja de São Nicolau.
A atribuição do nome de Mouzinho da Silveira a esta artéria foi uma homenagem da autarquia ao reformador liberal e herói do Cerco do Porto (1832-1833). Agora, a maior batalha a travar é a da reabilitação urbana, e nem por acaso está aqui a sede da sociedade Porto Vivo. Para além da recuperação, em curso, de vários edifícios, também se falou na reintrodução do eléctrico, ligando a linha 1 até à Estação de São Bento. Por ora, é preciso descer até à Igreja de São Francisco para o ver passar."
Artigo de João Pedro Barros in Público

