domingo, 25 de outubro de 2009

A Vida Portuguesa no Porto


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Catarina Portas instala no Porto a segunda loja do seu projecto A Vida Portuguesa


Em Novembro, cumpre-se o sonho de dois anos e meio da empresária, que quer repetir o êxito obtido na loja de Lisboa, onde recuperou produtos da nossa memória colectiva

Nas prateleiras com 22 metros de comprimento ainda não há sinais dos produtos tradicionais resgatados ao esquecimento colectivo. Só há pó e trabalhadores num rebuliço. A partir de meados de Novembro, já não será assim: é nessa altura que Catarina Portas prevê abrir a loja A Vida Portuguesa no Porto.

Os azeites Triunfo e Saloio, o Café Brasileira, as Conservas Tricana, os palitos Lusitanos, a pasta dentrífica Couto, os lápis Viarco e as andorinhas Bordalo Pinheiro são algumas das estrelas da loja A Vida Portuguesa de Lisboa. O espaço é presença obrigatória nos roteiros turísticos da capital. Catarina Portas, o rosto responsável pel"A Vida Portuguesa, quer que o mesmo aconteça no Porto.

A empresária sonhava abrir uma loja no Porto "há dois anos e meio". "Calcorreei as ruas da Baixa todas, de Santa Catarina até aqui", recorda, numa conversa no espaço onde funcionará a loja. Há pouco mais de um ano viu o edifício onde a loja vai ficar, na esquina das ruas da Galeria de Paris e das Carmelitas, com vista para a Torre dos Clérigos. "Pensei: "Se eu pudesse escolher mesmo, era este"", conta. O desejo acabou por concretizar-se, depois de meses de negociações.

O espaço comercial ocupará o primeiro andar do prédio da Fernandes, Mattos & Ca, que tem uma loja no rés-do-chão. No primeiro e no segundo andar, há ainda vestígios do passado da Fernandes, Mattos, extinto há cerca de duas décadas: dezenas de malas dos caixeiros-viajantes, armários onde se guardavam tecidos, um pequeno manequim. Vão ser aproveitados para a decoração. As obras de renovação do espaço custaram 70 mil euros.

Durante a procura de Catarina Portas, a Baixa, em particular a zona dos Clérigos, encheu-se de espaços de comércio e lazer. "O Porto está num momento excitante", diz. Mas, adverte, "neste tipo de modas pode haver alguns perigos que é concentrarem-se todos numa actividade". "Estão a abrir muitos bares e é mais interessante e sustentado haver uma mistura de comércios. Espero poder ajudar a esse equilíbrio", aponta.

No Porto, Portas terá como sócia a empresa centenária de sabonetes Ach. Brito. "É uma parceria que me entusiasma imenso", confessa. É uma das empresas com as quais trabalha, vendendo produtos tradicionais e preparando-lhe edições exclusivas.

Em Novembro de 2004, Catarina Portas reuniu produtos tradicionais feitos em Portugal que tinham sido alvo de uma investigação jornalística que tinha realizado sobre a vida quotidiana portuguesa a partir dos anos 30. O projecto arrancou no Natal desse ano, ainda sem loja própria, que surgiria em Dezembro do ano seguinte, no Chiado, em Lisboa. A ideia de abrir uma loja no Porto surgiu pouco depois. "O meu pai [o arquitecto Nuno Portas] vive no Porto há 25 anos. Conhecia muito mal o Porto até há cerca de oito anos, quando comecei a vir com muita regularidade e fiz cá amigos. Adoro o Porto", afirma.

A vida de empresária também a aproximou do Porto e do Norte: muitos dos seus fornecedores - como a fábrica de chocolates Arcádia, a Saboaria e Perfumaria Confiança, entretanto comprada pela Ach Brito, e o Limpa Metais Coração - são do Norte. Foi no Porto, aliás, que começou a fazer a investigação jornalística que originou o projecto. "Passava os dias à procura de produtos antigos", recorda."

Artigo de Pedro Rios in Público


Violent Femmes - Good Feeling

sábado, 24 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A obra de Marques da Silva II

Estação de S. Bento

Praça de Almeida Garrett

1896-1916

A Estação de S. Bento é a adaptação ao Porto do projecto de fim de curso que Marques da Silva desenhou na Escola de Belas-Artes de Paris, e que expôs depois na Câmara do Porto, logo que regressou. "Ele sabia que o comboio estava a chegar ao Porto e fez o seu projecto à medida das necessidades de uma estação para a cidade", diz André Tavares. No edifício, é visível a influência do mestre de Marques da Silva, Victor Laloux (autor do Quai d"Orsay, em Paris, uma estação ferroviária que é agora um museu). Mas "S. Bento é mais um edifício urbano do que apenas um salão para receber comboios e passageiros", nota Tavares, realçando a importância que a estação, pela sua monumentalidade, tem nesta zona da cidade.


Bairro O Comércio do Porto


Rua Constituição/Serpa Pinto

1899

Para quem conhece as obras mais monumentais de Marques da Silva, não deixa de ser surpreendente ver que ele também abordou o problema da habitação, e também desenhou bairros operários. Um exemplo, que ainda sobrevive mantendo a estrutura original essencial, é o conjunto de pequenas casas implantadas em três ruas na zona da Constituição, numa iniciativa do jornal O Comércio do Porto. A tipologia base é a de quatro habitações geminadas num só volume de quatro frentes, com dois pisos, e rodeado por pequenos jardins, que conseguem "o máximo aproveitamento do espaço e a máxima contenção de custos". O plano original incluiu 14 fogos, que foram construídos entre 1899 e 1904.


Teatro de São João

Praça da Batalha

1909

É, depois de S. Bento, o outro edifício-monumento com que Marques da Silva marcou a Baixa. O arquitecto aproveitou as fundações e parte dos escombros do anterior teatro, que ardera em 1908. "Nota-se bem a ideia de usar uma "peça de arquitectura" para organizar a irregularidade urbana da Praça da Batalha. O teatro dá-lhe coerência", diz André Tavares. E chama a atenção para os elementos decorativos da fachada e para a solução das portas e das janelas do primeiro piso, com amplos arcos em vidro a emoldurar as janelas instaladas dentro deles. No interior, segue o desenho clássico do teatro à italiana, com a organização dos espaços - os átrios, as escadas e o salão nobre - à francesa, seguindo o modelo da Ópera de Paris.


Casa-atelier

Praça do Marquês de Pombal

1909

Construída num terreno ao lado da casa do seu sogro José Lopes Martins, a casa de Marques da Silva mistura criteriosamente as funções de residência e de atelier, tendo o cuidado de, ao mesmo tempo, as separar e fazer comunicar. A fachada para o Marquês mostra "o entusiasmo decorativo", bebido na estética do românico, com que o arquitecto sempre pontuava as obras. A sala de estar denota o mesmo cuidado decorativo, tanto na projecção da sua bow window como nas formas do fogão de sala ou na escada. O arquitecto fez também intervenções importantes na casa do sogro. Actualmente, ambas as propriedades pertencem à Fundação Instituto Marques da Silva, estando a ser objecto de restauro.


Escola Alexandre Herculano

Avenida de Camilo

1914-1931

Tanto esta escola como a Rodrigues de Freitas (1918-1932) são obras com que Marques da Silva se envolveu no plano de expansão da cidade e de gestão do crescimento urbano. Qualquer delas tem uma relação estreita com o lugar: a Avenida Camilo, no caso da Alexandre Herculano; a Praça Pedro Nunes, na segunda. Trata-se de dois liceus da República, que respondem ao ideário de instrução do povo, e, arquitectonicamente, seguem "a lógica funcional pragmática" que estava em voga na Europa, diz André Tavares. São edifícios com grande amplitude espacial na disposição ortogonal dos diferentes volumes funcionais. E estão ambos marcados por uma decoração reduzida ao elementar, mas muito eficaz.


Seguros A Nacional

Avenida dos Aliados

1919

A Avenida dos Aliados, aberta na segunda década do século após a demolição da antiga câmara, é demarcada a sul por dois edifícios monumentais encimados por duas torres-escultura. São ambos de Marques da Silva, que assim deixou também a sua assinatura na "sala de visitas" da cidade. O do lado esquerdo é a sede de uma seguradora, e é marcado por uma pujante docoração Beaux-Arts. São dois edifícios que aproveitam as virtualidades da nova tecnologia construtiva do betão armado que permitia apostar nesta filigrana decorativa. O interior também é muito cuidado, e este contém ainda um hall-galeria comercial (cafetaria, barbearia...) que fazia o espaço urbano entrar pelo edifício dentro. É "a arquitectura como obra total", diz André Tavares.


Jazigo de José Lopes Martins

Cemitério da Lapa

1921

A arquitectura religiosa e funerária foi também cultivada por Marques da Silva, que desenhou as igrejas de S. Torcato e da Penha, em Guimarães. Paralelamente, sempre se interessou pela arquitectura funerária. Em Paris visitou certamente os cemitérios, e em particular o de Père Lachaise, de onde, diz o especialista na sua obra, António Cardoso, trouxe a inspiração "para capelas de inumação ostentatória e gosto românico". Uma dessas capelas é a estrutura central do jazigo que fez para o seu sogro, na Lapa, e que se completa com uma sepultura do outro lado do passeio, criando um território onde cabem ainda dois bancos de pedra. "É trazer a lógica urbana da cidade dos vivos para a cidade dos mortos", diz Tavares.


Casa de Serralves

Rua de Serralves

1925-1943

É uma das últimas obras a que Marques da Silva tem o nome ligado, já que só no início dos anos 40 é que foi terminada a Casa de Serralves, para a qual o arquitecto fizera, a pedido do proprietário, o Conde de Vizela, um primeiro projecto de ampliação da velha moradia da família. Sabe-se agora que Serralves resultou da contribuição de múltiplos arquitectos e decoradores franceses, de Jacques Émile Ruhlmann a Charles Siclis, Jacques Gréber e Alfred Porteneuve. Mas Marques da Silva, que era uma espécie de "arquitecto de família", acompanhou a obra até ao fim, sendo, de algum modo, o responsável pela síntese coerente com ar de "modernismo temperado", diz André Tavares.

Artigo de Sérgio C. Andrade in Público

domingo, 18 de outubro de 2009

A obra de Marques da Silva


" O arquitecto dos edifícios-monumento

Teve tanta importância na configuração urbana do Porto no início do séc. XX como Nasoni no séc. XVIII. Viagem à arquitectura do autor da Estação de S. Bento, guiada por André Tavares

Se há um arquitecto que modelou a face do Porto no início do século passado, em particular a Baixa e as zonas de expansão da cidade após o rasgar da Avenida dos Aliados, ele é José Marques da Silva (1869-1947). Associamos a sua assinatura ao desenho da Estação de S. Bento e do Teatro São João, das sedes da seguradora A Nacional e do banco Pinto Leite, nos Aliados, dos edifícios dos Armazéns Nascimento e Conde de Vizela, entre as ruas de Santa Catarina e das Carmelitas. Mas menos conhecido é que lhe coube também projectar os liceus Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas, o bairro operárioO Comércio do Porto, na Constituição, e a Casa de Serralves ou, menos ainda, monumentos, igrejas e jazigos de famílias nos cemitérios da Lapa e de Agramonte.

O arquitecto e professor André Tavares compara a importância da obra de Marques da Silva no Porto nesta época com a que Nicolau Nasoni fez no período barroco. "Ele foi o protagonista da transformação da cidade, ao lado de Correia da Silva (1880-?), o arquitecto do Mercado do Bolhão e dos novos Paços do Concelho), e de Oliveira Ferreira (1884-1957), autor do edifício dos Fenianos do Porto e dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, por exemplo)", diz. E acrescenta que a intervenção de Marques da Silva na cidade vai bastante além das dezenas de obras que aqui projectou, prolongando-se também na arquitectura de muitos dos seus alunos na Escola de Belas-Artes (de que foi inclusivamente director em dois períodos, entre 1913-1929).

André Tavares, autor do livro Os Fantasmas de Serralves(Dafne Editora, 2007), é o responsável pelos conteúdos do mapa que a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN), a Fundação Marques da Silva e a Câmara Municipal do Porto acabam de lançar dedicado a José Marques da Silva, que está a ser divulgado com um programa de visitas guiadas que começou ontem.

O roteiro identifica 24 edifícios dentro do perímetro da cidade, mas a relevância da arquitectura de Marques da Silva não se esgota no Porto. "Seria preciso acrescentar-lhe, entre outros, os principais projectos de Guimarães - o mercado municipal (actualmente em risco de demolição), o edifício da Sociedade Martins Sarmento e a Igreja da Penha - para termos uma ideia mais completa sobre a sua obra", diz André Tavares.

José Marques da Silva nasceu no Porto e diplomou-se na Academia das Belas-Artes, ente 1882-89. Neste ano, vai para Paris frequentar a École National des Beaux-Arts, onde é aluno do mestre Victor Laloux (1850-1937) e onde, em 1896, conquista o ambicionado DPLG (um arquitecto "diplômé par le gouvernement" pode exercer profissionalmente a profissão, sem ter de passar pelo crivo das ordens profissionais).

Tradição e racionalismo

Na capital francesa, Marques da Silva absorve "uma cultura académica que alia os valores da tradição clássica com o racionalismo e esquemas de compromisso funcional mais adaptados à mecânica da vida moderna", escreve André Tavares na apresentação do mapa. Tratou-se, afinal, do aperfeiçoamento da formação que levava da escola do Porto, que bebia já da mesma tradição francófona.

No regresso à cidade natal, Marques da Silva vai logo poder aplicar o seu projecto de fim de curso na construção da Estação de S. Bento, para acolher o comboio que então acabava de chegar ao Porto. Com o tempo e o seu trabalho continuado, torna-se num dos arquitectos mais influentes, tanto junto do poder municipal como dos empresários (na altura dizia-se "capitalistas") e famílias que a ele recorrem para o projecto das suas casas e edifícios-sede.

André Tavares assinala "o papel muito interveniente" que Marques da Silva desempenhou na discussão técnica do projecto para a Avenida dos Aliados entregue ao arquitecto e urbanista inglês Richard Barry Parker (1867-1947), ligado ao movimento Arts and Crafts, e com o qual a Câmara queria afirmar o Porto como "a" cidade de serviços da Região Norte. "É interessante ver, nessa altura, a associação da racionalidade de construção promovida pelo arquitecto inglês, desenhar a partir da ideia muito óbvia das três janelas em grandes fachadas de vidro sobre uma estrutura toda muito homogénea, como vemos na Rua do Almada, por exemplo, com a intervenção de Marques da Silva e a sua cultura francesa, o seu gosto mais decorativo, com fachadas monumentais de pedra muito trabalhadas e requintadas". Uma influência que iria fazer mais doutrina na configuração futura da Avenida dos Aliados, como depois se pôde ver com edifícios como o do jornalO Comércio do Porto, de Rogério de Azevedo."

Artigo de Sérgio C. Andrade in Público

sábado, 17 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Concentração contra a transformação do Teatro Sá da Bandeira em hotel low-cost

"Cerca de 100 pessoas, entre os quais alguns actores de renome nacional, juntaram-se ontem à porta do Teatro Sá da Bandeira para impedir que vire um hotel de luxo. Exigem que a Câmara do Porto compre o espaço e o devolva à cidade.

Joel Branco, Carlos Quintas, José Raposo, Alexandre Falcão e Rita Ribeiro foram os actores que aceitaram ser o rosto de um movimento, criado na Internet, para garantir que o Teatro Sá da Bandeira continue a ser uma sala de espectáculos. "Se se fizesse um referendo à população, de certeza que a resposta seria que o Sá da Bandeira continue a ser teatro", assegurou Alexandre Falcão.

Os promotores do movimento dizem que foram informados pela imobiliária que está a vender o "Sá da Bandeira" por 5,5 milhões de euros de que existe um interessado em adquirir o espaço para o transformar num hotel de luxo. "Foi feita uma proposta à Câmara e esta não se manifestou", denunciou Francisco Alves, do Teatro Plástico, por entre gritos de protesto como "O Porto não é um buraco, queremos salas de espectáculo".

Para evitar que o "Sá da Bandeira" vire um hotel, os manifestantes exigem que a Autarquia classifique o interior do espaço. "Só o exterior está classificado. Por isso, nada impede que seja demolido e que apenas se mantenha a fachada", revelou Francisco Alves. "É ridículo classificar-se só a fachada", acentuou Joel Branco.

O segundo passo seria a compra do teatro pela Câmara. "Devia-se fazer-se o mesmo que se fez no Coliseu, que é um caso de sucesso", vincou Francisco Alves, convencido de que o Sá da Bandeira "é mais importante, do ponto de vista histórico, do que o Coliseu".

"A Câmara devia tomar conta do espaço e devolvê-lo à cidade", concordou Rita Ribeiro. "O Sá da Bandeira é a história do teatro do Porto", justificou Carlos Quintas, acusando: "Temos aqui, a uma escala mais pequena, um novo Parque Mayer". Daí que José Raposo tenha sido peremptório em defender que o teatro seja preservado."

in JN


P.S. - Já há uns meses tinha falado neste assunto e parece que finalmente se começa a acordar para esta triste história.
Pena é, que por distracção minha ou omissão da parte deles, não ouvi uma palavra dos vários candidatos à autarquia sobre tal atentado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jorge Palma - Olá (cá estamos nós outra vez)

Olá
sempre apanhaste o tal comboio?
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vicio da estrada
neste outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi á história
cá estamos nós outra vez

Conheço a tua cara
mas não sei o teu nome
escrevo já aqui
nao sei o quê arroba ponto com
eu vou-te reencontrar
noutro bar de estação
ou talvez quando perder mais um avião
o barco vai de saída
tu estás tão bronzeada
é tão bom ver-te assim
ardendo tão queimada

Quero reencontrar-te
noutra esquina qualquer
sem saber o teu nome
se ainda és mulher
quero reconhecer-te
e beber um café
dizer-te de onde venho
e perguntar-te porque
sorrir-te cá do fundo
e subir os degraus
eu quero dar-te um beijo
a cinquenta e tal graus

Sempre apanhaste o tal comboio
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vicio da estrada
neste outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez
cá estamos nós outra vez...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma boa/razoável/má notícia para a cidade...Águia d'Ouro em "recuperação"



"A limpeza do interior do velho cinema começou esta semana e as obras devem iniciar-se no próximo mês. A abertura do hotel low cost foi adiada do final do ano para o Verão de 2010.

Os trabalhos já começaram no antigo Cinema Águia d'Ouro, no Porto. Com o atraso de quase um ano, em relação ao que fora previsto pela empresa Endutex, o projecto de arquitectura para transformar o edifício do século XIX num hotel low cost foi aprovado pela Câmara do Porto apenas em Maio. A limpeza no interior está a decorrer.
O estado de degradação do Águia d'Ouro não está a facilitar os trabalhos de limpeza, mas André Oliveira, da empresa que comprou o cinema ao Grupo Solverde, espera ter esta fase do processo concluída até ao próximo dia 16 de Outubro. Depois, seguir-se-ão as obras de construção. "Estamos na fase de concurso da empreitada e contamos iniciar os trabalhos a 26 de Outubro e terminá-los em Junho de 2010", diz. A abertura do hotel low cost, do grupo francês B&B, chegou a estar agendada para o último trimestre deste ano.
O conceito do grupo francês B&B é oferecer hotéis low cost "com design e qualidade", explica André Oliveira. A unidade do Porto, que será também a primeira do grupo internacional no país, deverá contar com 125 quartos e 25 lugares de estacionamento. A localização foi o factor primordial para a escolha do Águia d'Ouro. "O facto de ser um edifício extremamente central permite aos seus utilizadores estarem a poucos metros de casas de espectáculos, transportes públicos, zonas comerciais e de lazer e restaurantes", enumera o responsável da Endutex.
A fachada do antigo cinema portuense deverá ser reabilitada e mantida na íntegra, e apesar de ganhar uma nova funcionalidade, o Águia d'Ouro vai continuar a oferecer, no interior, alguma memória do seu passado. "Queremos preservar o tema cinema na decoração dos quartos e das zonas comuns, pelo que alguns elementos serão reaproveitados na decoração do hotel", diz André Oliveira, explicando que esta é uma forma de, "para além da arquitectura, se preservar também a história do edifício".
Quem visitar o hotel Águia d'Ouro poderá, assim, encontrar uma placa em mármore com o nome da actriz que foi uma das protagonistas de Hamlet, em 1913 (Ângela Pinto), ou um antigo suporte de partituras musicais, a lembrar os tempos do cinema mudo.
Os serviços de limpeza estão a ser acompanhados por um grupo de arqueólogos, responsável por um levantamento fotográfico de todo o interior do edifício. As peças que não possam ser reutilizadas no hotel serão catalogados e armazenados.

Pátio interior

André Oliveira revela que o novo hotel vai ter também um pátio central "com uma zona verde", que servirá como uma extensão da área dos pequenos-almoços. O investimento previsto de 6,7 milhões de euros inclui algumas preocupações ecológicas, como a instalação de painéis solares e de equipamentos de climatização e aquecimento de águas de alto rendimento. Está ainda prevista a possibilidade de armazenamento da água da chuva para servir como rega dos espaços verdes do hotel.
O Águia d'Ouro abriu em 1839, como café, com acesso a um teatro no interior. Foi, contudo, como cinema que acabaria por se tornar mais famoso, antes de entrar em declínio e fechar, na década de 80. Em 1989 o edifício foi vendido ao grupo Solverde, que pretendia transformá-lo numa sala de bingo. A autorização da Câmara do Porto, contudo, nunca chegaria, e a Solverde colocou o edifício à venda, em 2006, por três milhões de euros."

Artigo de Patrícia Carvalho, in Público

sábado, 19 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Bússola Eleitoral

Em caso de dúvidas existências sobre o destino do país nos próximos quatro anos, eis a solução:

www.bussolaeleitoral.pt

sábado, 12 de setembro de 2009

A Turma




Hoje na RTP2, pelas 22h45

Site Oficial

terça-feira, 8 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nuit de Chien ( Esta Noite) de Werner Schroeter

Chegada a altura de pôr o cinema em dia, e depois de ver em Julho o Ensaio Sobre a Cegueira, hoje segue-se esta película que foi pretexto para a entrega do Leão de Ouro Especial do Júri do Festival de Veneza ao seu realizador.
Esta obra é baseada numa adaptação do romance "Para Esta Noche" do escritor uruguaio Juan Carlos Onetti.
Parte substancial do filme foi rodada no Porto e conta com a minha muito querida amiga Sónia no elenco!

Hoje ás 18h30 e 22h no Teatro do Campo Alegre

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Festival de Artes do Palco - Eclipe Total

"O "encontro de sensibilidades" proporcionado pelo Eclipse Total - festival de artes do palco - já chegou ao Porto. Até 15 de Setembro, vários locais da cidade vão ser transformados em espaços intensivos de criação, formação e apresentação de trabalhos e performances preparadas por uma vasta equipa de criadores e produtores da associação cultural Eclipse Arte.
O Teatro da Vilarinha, o Parque da Cidade, a Estação de São Bento, as praças da Batalha e da Ribeira, as praias de Matosinhos e a Serra do Pilar, em Gaia, são os cenários eleitos para esta sexta edição do festival de artes performativas que, este ano, surge com uma novidade: o lançamento da Cine-TV Eclipse, uma plataforma digital que vai acompanhar, em tempo real, o desenrolar do festival.
"Além da Cine-TV, a novidade reside essencialmente nos espectáculos que vão ser apresentados", conta António Rodrigues, director artístico da Eclipse Arte. A peça O Mestre e o Discípulo vai ser, de acordo com António Rodrigues, "um dos pontos altos do festival". Este é uma peça que fecha o ciclo O Coração do Actor que a Eclipse Arte desenvolve desde 2006, tendo como tema central o Actor Santo.
António Rodrigues refere ainda que um dos aspectos positivos do festival é apostar "no lançamento de artistas emergentes", destacando nomes de Júlia Oliveira, que promete, no dia 5, despertar os sentidos do público com uma actuação "cantada e contada", de Giancarlo de Aguiar, responsável pela direcção de um workshop dedicado ao "desenvolvimento dos arquétipos representantes dos atributos humanos" que tem início no dia 8, e de Daniela Andana Ferreira, jovem bailarina que vai apresentar uma performance de dança.
Este 6.º Festival de Artes do Palco tem como lema Cada ser... uma só voz, numa tentativa de mostrar que é possível "agregar diversos artistas numa linguagem harmonizada", seja através da música, do teatro, do cinema ou da dança. "Esta é uma forma de enriquecer o público", esclarece António Rodrigues.
O Eclipse Total vai dar a oportunidade a jovens talentos de participarem no Estágio Internacional de Jovens Actores e Performers, na sequência do qual podem ser integrados na Eclipse Companhia de Arte"

in Público