segunda-feira, 13 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Pina Baush



1940-2009

sábado, 4 de julho de 2009

António Variações por Humanos - Estou Além

Não consigo dominar 
Este estado de ansiedade 
A pressa de chegar 
P'ra não chegar tarde 

Não sei de que é que eu fujo 
Será desta solidão 
Mas porque é que eu recuso 
Quem quer dar-me a mão 

Vou continuar a procurar 
A quem eu me quero dar 
Porque até aqui eu só: 
Quero quem quem eu nunca vi 
Porque eu só quero quem 
Quem não conheci 
Porque eu só quero quem 
Quem eu nunca vi 
Porque eu só quero quem 
Quem não conheci 
Porque eu só quero quem 
Quem eu nunca vi 

Esta insatisfação 
Não consigo compreender 
Sempre esta sensação 
Que estou a perder 

Tenho pressa de sair 
Quero sentir ao chegar 
Vontade de partir 
P'ra outro lugar 

Vou continuar a procurar 
A minha forma
O meu lugar 
Porque até aqui eu só: 
Estou bem aonde eu não estou 
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou 
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O melhor do cinema no último ano no Teatro Campo Alegre



Inicia-se no próximo dia 9 de Julho o já habitual ciclo de cinema da Medeia Filmes, com os melhores filmes estreados entre Junho de 2008 e Junho de 2009.
Este ciclo decorrerá até 31 de Julho, tendo continuidade a partir do dia 1 de Setembro até 31 do mesmo mês.
Programação completa aqui.

terça-feira, 30 de junho de 2009

"Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê..."

Jorge Palma in Qualquer Coisa Pá Música (1979)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mercado Porto Belo na Praça Carlos Alberto


Uma boa ideia que contribuirá para esta nova dinâmica que vai emergindo na cidade: Mercado Porto Belo, todos os sábados até final de Setembro.

(a história de colar o nome ao mercado londrino era dispensável)


terça-feira, 23 de junho de 2009

Três Tristes Tigres - Zap Canal

Um dos meus discos de sempre: Guia Espiritual

domingo, 21 de junho de 2009

Yann Tiersen - La Terrasse

Ao comprar bilhete para ver pela primeira vez Yann Tiersen fui (como muita boa gente) à espera daquelas sonoridades "bucólicas" resultado da excelente banda sonora do Fabuloso Destino de Amelie, etc e tal. Mas Yann Tiersen revelou-se uma surpresa muito agradável, ou seja, além dessas sonoridades já conhecidas, havia muito mais a descobrir. Esta música é sem dúvida a minha preferida, ao vivo é fantástica!


quinta-feira, 11 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Rua de Santa Catarina

"Do requinte do Magestic à francesinha do bufete Fase numa das ruas mais caras do país

Fomos desde a Praça da Batalha até ao Marquês para descobrir a outra face de uma artéria que só é concorrida durante 500 metros, e que por isso tem alguns segredos a desvendar

Falar na Rua de Santa Catarina
é falar em comércio. Um estudo da consultora imobiliária Cushman & Wakefield/Healey & Baker, relativo a 2005, considerava-a a segunda rua comercial mais cara do país, apenas atrás da Baixa de Lisboa, com o metro quadrado a custar, em média, 756 euros por ano. "É uma rua fantástica, pode--se vender quase tudo. É única na cidade, tem sempre gente, de Verão ou de Inverno", disse ao PÚBLICO Lurdes Caldas, uma das comerciantes autorizadas a manter uma pequena banca móvel, com bugigangas, no passeio. Os lojistas queixam-se da crise e do metro (que estará a desviar pessoas para o eixo Sá da Bandeira-São Bento), mas marcas de referência como a Zara, a Benetton e a Swarovski têm aqui poiso. No caso da cadeia espanhola, esta foi mesmo a sua primeira loja no estrangeiro.
A FNAC é outra âncora da artéria, mas como o objectivo é fazer um roteiro alternativo vamos ignorar o seu conteúdo e tomar o espaço como início de um percurso arquitectónico e artístico. O edifício que a marca ocupa, a meias com a C&A, foi gizado pelo arquitecto Marques da Silva e a fachada permanece conservada. Mais à frente está o inevitável café Majestic, cuja decoração actual reproduz a que existia na abertura, a 21 de Dezembro de 1921. O projecto, do arquitecto João Queirós, tem claras influências de Arte Nova. Aqui se reuniram intelectuais como Teixeira de Pascoaes, José Régio, António Nobre e Leonardo Coimbra. O centro comercial Via Catarina também merece uma menção: durante décadas, a sede d'O Primeiro de Janeiro foi nesse local, mas só a fachada se mantém. Na porta de entrada dos Edifícios UAP/Galeria de França há uma curiosa obra de Júlio Resende, datada de 1975.
A culminar este circuito, chegamos à cooperativa cultural IMERGE, no número 777, já fora da zona mais comercial do arruamento. No piso de entrada avista-se artesanato urbano e produtos de autor, bem como um pequeno espaço de cafetaria, mas esta é apenas a ponta do iceberg. A associação desenvolve oficinas de criação e projectos culturais para entidades externas (em áreas que vão da arquitectura às artes performativas), mas tem como "menina dos olhos" o Regenlab, um laboratório de regeneração urbana baseado em "microacções". O troço da rua onde se insere não é por acaso. "Pensamos que aqui pode ser o fecho do circuito criativo, uma espécie de rectângulo com Passos Manuel, Cândido dos Reis e Miguel Bombarda", explica Susana Milão, uma das fundadoras da IMERGE. Na sequência deste trabalho, já foram ocupados espaços devolutos das redondezas, nomeadamente as montras da antiga casa da Cerâmica Lusitânia. "Poucos sabem, mas é da autoria do arquitecto Cassiano Branco", salienta. Na cave, realizam-se regularmente eventos.

Os segredos

Chegamos ao cruzamento com a Rua de Gonçalo Cristóvão e parece que começa uma nova artéria, menos bonita, com muito menos comércio. Porém, aqui também há que contar. Comecemos pelo bufete Fase. Podíamos dizer que é uma espécie de segredo, mas é, no máximo, um segredo mal guardado: uma grande parte dos apreciadores de francesinhas conhece bem este exíguo espaço, com apenas cinco mesas. Há 25 anos que José Menezes Pinto confecciona a especialidade à vista de todos, mas, segundo diz, ainda ninguém conseguiu imitar o seu molho, cujo segredo é "fazer muito e cozer muito". Por incrível que pareça, o cozinheiro jura a pés juntos que "nunca provou uma francesinha" e que confia no paladar da filha para fazer os acertos na receita. "Não gosto de queijo aquecido", justifica, de forma desarmante.
Na mesma zona, a coroar a multiculturalidade da rua (onde há lojas de chineses e indianos e um cabeleireiro africano) está o bufete Jobel. É um pequeno bar, propriedade de Gastão Carvalheira, português que emigrou para o Brasil com um ano de idade. Por todo o lado há garrafas, e muitas delas são de bebidas importadas do "país irmão", com nomes tão peculiares como Suor da Mulata, Caninha Nabunda ou aguardente Corno Manso. "Ao fim-de-semana, muitos brasileiros radicados cá e mesmo em Espanha juntam-se aqui", conta o proprietário. Outra recomendação vai para a bijutaria de Estrela Leal, uma antiga funcionária bancária que começou a fazer peças há cinco anos, de forma "compulsiva", sem qualquer passado nessa actividade.
Fechamos com um regresso à casa de partida, junto à Praça da Batalha: a Livraria Latina, orgulhosamente "generalista e independente", como garante o proprietário Henrique Perdigão, merece sempre uma visita. Se puder, dê ainda um salto ao salão de chá Império - a cumprir 65 anos - e encha a barriga com os famosos rissóis."

Artigo de João Pedro Barros in Público


sábado, 6 de junho de 2009

Brad Mehldau

Uma linda noite na Casa da Música a 11 de Fevereiro de 2006, numa das últimas filas...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Jeremias, O Fora da Lei

Nada melhor d' O Fora da Lei aniversariante!

Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram

Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar

Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação

Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora


Jorge Palma in Lado Errado da Noite (1985)



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Rua da Fonte Tourina


"Está-se bem na Ribeira!


Esta rua fulcral da História do Porto está repleta de restaurantes e de bares, mas não perdeu a autenticidade.

A Rua da Fonte Taurina é uma das mais antigas do Porto, datando pelo menos do século XIII. A fonte que lhe dá o nome já não existe, mas ainda está de pé o Postigo do Carvão, o único das 18 portas e postigos da Muralha Fernandina - construída no século XIV - que ainda resiste, ligando-a ao Cais da Estiva. Por aqui entrava o combustível que ficava guardado nos armazéns do arruamento e isso permite-nos imaginar o movimento que existiria há séculos atrás. Nos dias de hoje, a estreita artéria tem vários bares e restaurantes e é muito vocacionada para turistas. É verdade que há a lamentar o encerramento do Aniki Bóbó (um bar que fez história no meio artístico da cidade, durante 20 anos) e o decréscimo nocturno na Ribeira, mas esta rua ainda é uma referência incontornável. Talvez isso se deva à sua autenticidade: muitos habitantes partiram, mas resistem algumas dezenas que lhe dão um colorido especial. Há lençóis a secar nas varandas, portas escancaradas para o interior das habitações e conversas entre vizinhos e comerciantes que se conhecem há séculos. E a ginjinha e os traçadinhos do Está-se bem permanecem como os mais famosos da cidade.
António Pinto, de 41 anos, nasceu e foi criado em pleno Postigo do Carvão. Tem agora a seu cargo o restaurante Ora Viva, em plena Rua da Fonte Taurina, a poucos metros do local de nascimento. Na memória retém as noites de S. João, em que os habitantes "assavam e ofereciam" sardinhas, ao "rico e ao pobre". A prática, outrora frequente, perdeu-se: "Agora é raro assarem sardinhas à porta", lamenta. Porém, na ementa do Ora Viva não falta a sardinha e outros peixes, como o robalo e a dourada. A cozinha tradicional portuguesa é dominante e por isso não espanta que os pratos de carne mais populares sejam as tripas, o cabrito assado ou os rojões. No interior simples e com paredes em pedra destaca-se a presença de notas dos mais variados países, deixadas por clientes. Entre as mais invulgares, contam-se um dong vietnamita e um dólar de Hong Kong.
Já falámos de autenticidade e por isso não é surpresa constatar que não há grandes alternativas à gastronomia tradicional. Nesse sentido, o Postigo do Carvão é outro restaurante típico que podemos recomendar. O proprietário, Alexandre Osório, diz que é um local de "comida feita para portugueses, mas onde também se recebem estrangeiros". O espaço, construído em pedra e com belos pilares em ferro, já terá pelo menos 400 anos. Da cozinha, visível da sala de jantar, sai um bacalhau com broa muito recomendável, entre outras opções. O preço médio ronda os 15 euros e aos fins-de-semana há música ao vivo.

Traçadinhos e ginjinhas

Um dos estabelecimentos mais carismáticos da rua é o Está-se bem, um pequeno bar/tasca, famoso pelos traçadinhos - já se escreveu que ajudam à "mecânica da mente" - e ginjinhas, a 80 cêntimos. Grande parte deste carisma é transmitido pelo jovial casal que está atrás do balcão, Adriano Ferreira e Maria do Carmo, que mantêm a receita destas especialidades no segredo dos deuses (se bem que a base do traçadinho seja sempre a aguardente). O Está-se bem existe desde 1991, e Adriano Ferreira orgulha-se de muitos relacionamentos terem ali começado: "Houve uma menina da Madeira que começou a namorar cá. Fui o primeiro convidado para o casamento", conta. Aliás, o proprietário admite que "gosta mais" dos jovens do que das pessoas com 50 ou 60 anos. Mas o álcool também tem outros efeitos e o casal lembra-se, por exemplo, de os suíços Young Gods terem ali apanhado uma "bebedeira de bagaço", em meados dos anos 1990.
Há mais sítios na rua onde tomar uns copos. Mesmo ao lado do Está-se bem encontra-se o Ribeira Negra e uns passos à frente está o Porto Feio, propriedade do fotógrafo e pintor Feio, que o define como "uma galeria de arte onde se vai beber". O vinho do Porto é a grande especialidade da casa, aberta às quintas-feiras, sextas e sábados.
Já quase na Praça da Ribeira está O Cais, um bar com ar de pub inglês onde se pode provar uma das melhores sangrias da cidade. Para lá de caipirinhas, mojitos, cervejas Guinness e irish coffees também há petiscos recomendáveis, como fatias de pizza e bola caseira. Merece ainda destaque a Vinhos de Quinta, um espaço da Associação dos Viticultores e Engarrafadores dos Vinhos do Porto e Douro, que reúne pequenos produtores independentes. Aqui, num espaço acolhedor, é possível adquirir ou degustar vinhos a preços de quinta, incluindo reservas e colheitas seleccionadas.
A Rua da Fonte Taurina é um exemplo da beleza do Porto mais sombrio - há quem a considere, por graça, a mais fria da cidade - e tradicional. No dia em que os automóveis deixem de ocupar metade da sua largura, essa condição será ainda mais evidente."

Artigo de João Pedro Barros in Público


Nota: muitas, muitas, muitas noites bem passadas no Está-se Bem!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Périplo de Miguel Portas

Miguel Portas, que para mim é um ímpar conhecedor das civilizações do Médio Oriente e Mediterrâneo, lançou há dias esta obra com textos da sua autoria e fotografias de Camilo Azevedo. Esta parceria surge em consequência da série documental "Périplo - Histórias do Mediterrâneo" na qual nos guiou por vários lugares e histórias marcantes para o mundo moderno, no Mediterrâneo.




Já agora, a Feira do Livro do Porto abriu hoje as portas e assentou arraiais na Avenida dos Aliados, onde espero que continue durante longos anos.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Rua do Almada


"Passou a moda, mas ficou muita música


A antiga rua do comércio de ferragens renovou-se com o aparecimento de várias lojas alternativas e dedicadas à cultura urbana. Porém, o processo tem sofrido alguma estagnação.

"A Rua do Almada já não é o que era." Eis uma frase que ouvimos aos comerciantes tradicionais, maioritariamente dedicados às ferragens e afins, e aos jovens que aqui abriram negócios alternativos nos últimos anos que coexistem saudavelmente, e em complementaridade com os espaços mais antigos. Obviamente, os lojistas mais recentes proferem aquela frase com um sentido diferente: depois da moda da Rua do Almada ter atingido o auge há três anos, com a abertura de vários espaços, a agitação abrandou. Por exemplo, fechou o Espaço 555, que funcionava primordialmente como galeria de arte e cafetaria. Até a atenção da comunicação social diminuiu. "Houve uma altura em que vinham fazer reportagens quase todos os dias", disse-nos Mariana Faria, da Zona 6, o único local do país onde se pode gravar vinil à unidade, a partir de um suporte digital.
No entanto, o clima não é depressivo, porque ainda acontecem aqui muitas coisas, especialmente no campo da música. Nesta artéria há quatro lojas de discos e dois estabelecimentos (Casa Guimarães e Castanheira) dedicados aos instrumentos musicais, que convertem a rua num centro inevitável para os melómanos e artistas da cidade.
De resto, a Rua do Almada sempre teve um cunho progressista: o seu nome deve-se a João de Almada e Melo, governador do Porto que liderou uma revolução urbanística durante o século XVIII. Após a sua morte, em Outubro de 1786, o seu filho Francisco de Almada tomaria as rédeas, prosseguindo a modernização.
Os Almadas foram responsáveis pelo primeiro arranjo urbanístico e viário da cidade e pela sua expansão para norte, na qual se inseriu a Rua do Almada. A artéria, que surgiu como continuação da anterior Rua das Hortas e começou a ser construída em 1761, é considerada a primeira grande rua aberta fora das muralhas. Tornou-se depois centro de comércio e lugar de habitação de famílias aristocráticas, tendo nela vivido Ana Plácido, a mulher que levou Camilo Castelo Branco à prisão.
No presente, a história da rua também é a história de Miguel Barbosa, que a conhece desde miúdo, quando vinha "comprar ferragens". Muitos anos depois de ter começado a desenhar e construir peças em acrílico, criou aqui o seu atelier e elogia o "espírito de aldeia" reinante entre vizinhos.
Comecemos uma visita guiada no sentido ascendente, da Rua dos Clérigos até à Praça da República. No número 63 está, desde a década de 1940, a fábrica da confeitaria Arcádia. Na sua entrada funciona uma loja onde as amêndoas de várias formas e feitios e as clássicas línguas de gato de chocolate são dois ex-líbris. Mais acima está o supermercado Troika, que vende vários produtos do leste da Europa, desde conservas ate matrioskas, as tradicionais bonecas russas.

O império do vinil

Quase em frente está a loja de discos Louie Louie, que divide o espaço com a Embaixada Lomográfica. Num antigo local de trabalho de ferreiros - onde ainda funciona um carrinho que se move sobre carris, entre as traseiras e a porta da loja -, misturam-se as exposições fotográficas e a música. Os CD usados e em nice price (entre 5 e 10 euros) são a maior aposta, ao lado do vinil, formato em que a Louie Louie disponibiliza as últimas novidades.
O vinil, cuja importância tem vindo a ressurgir, é uma das marcas da artéria. O expoente máximo é a Zona 6, que funciona ainda como loja de discos (focando-se no drum & bass, dubstep e reggae) e de equipamento e acessórios para DJ. A Lost Underground é outra alternativa onde o suporte vinil tem bastante peso. Aqui também se compram e vendem artigos usados, sendo que os géneros mais representados, no âmbito de um catálogo generalista, são o metal, o punk e o rock & roll. Já perto da Praça da República, a Retroparadise tem uma extensa oferta, exclusivamente em vinil, focando-se no soul, funk e jazz dos anos 60 e 70. A principal área de negócio era a roupa em segunda mão, mas agora só é possível visitar o armazém por marcação. Em jeito telegráfico, refira-se a Maria Vai com as Outras (com exposições, eventos, livros e artesanato), a Casa Almada (dedicada a móveis, iluminação e objectos de design dos anos 1950-70, mas também com roupa e acessórios no piso superior) e as francesinhas do Café Pontual, das mais elogiadas da cidade.
Dissemos que não têm aberto muitos estabelecimentos nos últimos tempos, mas há pelo menos uma novidade: a Retrato do Que Vejo, no número 415, tem cerca de quatro meses. Aqui encontra-se artesanato urbano - por exemplo, bonecas de trapo - e vestuário diversificado. Mais uma prova de que há muito para descobrir na artéria é o evento Alma da Rua, que se realizou pela primeira vez no ano passado e que terá nova edição a 20 de Junho. Durante esse dia, as lojas ditas modernas mantêm-se abertas entre as 12h e as 24h, com promoções e actividades culturais."

Artigo de João Pedro Barros in Público

sábado, 23 de maio de 2009

Andrew Bird - Nervous Tic Motion



24/25 Maio - Cinema S. Jorge, Lisboa

26 Maio - Theatro Circo, Braga

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sérgio Godinho - Espalhem a Notícia


Já cá faltava este senhor!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

i


Chegou hoje ás bancas o novo jornal diário.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Rua de Mouzinho da Silveira

"A artéria que os turistas percorrem a caminho da Ribeira do Porto


Os visitantes estrangeiros são a principal fonte de animação da rua e é a eles que são dedicadas as várias lojas de artesanato e recordações da zona


Não vale a pena escondê-lo: a Rua de Mouzinho da Silveira é uma sombra do que já foi. Por entre belas fachadas do século XIX, há prédios devolutos e lojas fechadas. Porém, até meados do século XX, este era um dos principais núcleos comerciais do Porto, no tempo em que a actividade comercial estava virada para o rio. Aliás, a sua abertura, em 1875, deveu-se precisamente ao intenso tráfego que se registava entre a zona ribeirinha e o centro da cidade, que tinha como alternativa a paralela (e mais estreita) Rua das Flores. Mais de 80 parcelas de habitações, incluindo algumas de herança medieval, foram demolidas. Para se perceber a dimensão da mudança urbanística, refira-se que foram arrasadas duas capelas, vestígios da antiga muralha fernandina e até pontes. Não parece, mas por baixo da artéria há água a correr: as obras conduziram ao encanamento do rio da Vila, ainda hoje presente na toponímia da zona.

Nos dias de hoje, são os turistas quem mais calcorreia a rua, no inevitável percurso rumo à zona histórica da Ribeira. Por isso, uma parte do comércio adaptou--se às suas necessidades e as lojas de artesanato e pequenas recordações têm vindo a crescer.A Prometeu é a mais interessante: o tecto está coberto de desenhos de flores e todo o espaço evidencia um colorido contagiante.Aqui há artesanato português, especialmente do Alentejo e do Norte do país: presépios, azulejos, porta-retratos, brincos, colares e louça são alguns dos artigos. Em Dezembro, no número 112, abriu a 3Pro, onde há desde t-shirts humorísticas a guardanapos com a face de Barack Obama estampada numa nota de dólar.
Ao longo do século XX, esta rua teve grande importância no abastecimento das áreas rurais circundantes, nomeadamente em termos de sementes e equipamentos agrícolas. A explicação para tal é simples: os lavradores deslocavam-se de comboio até ao Porto, pelo que as imediações da Estação de São Bento eram a localização ideal. Desses tempos, ainda restam estabelecimentos como a Alípio Dias & Irmão, também denominada A Sementeira. É um negócio familiar, que abrange desde árvores de fruto a artigos de jardinagem. Para Victor Dias, um dos sócios, são os conhecimentos dos funcionários que garantem a prosperidade: "A nossa sorte é que nas grandes superfícies ninguém percebe nada disto". A Moysés Cardoso & C.ª é outra casa histórica no ramo da batata de semente e dos produtos fitofarmacêuticos.
Ainda mais antiga (data de 1850) é a Casa das Rolhas, especializada em produtos de cortiça. A Galerias de Vandoma, dedicada à compra e venda, leilão e avaliação de antiguidades está presente na rua desde 1974. Ana Luz, gerente e única pregoeira mulher em Portugal, representa a quarta geração da família no ramo. No meio de tanta história, também há um sector cosmopolita e moderno, já perto da Rua do Infante Dom Henrique, que inclui as lojas Causaefeito, de decoração de interiores, e WESC, Icon e Paula Costa, dedicadas ao vestuário.
O passeio gastronómico na artéria começa no restaurante Arroz de Forno, no número 203, dedicado à cozinha tradicional portuguesa. O ex-líbris é o cabrito - com o obrigatório arroz de forno -, preparado à moda do Alto Douro. Descendo para a Ribeira, segue-se o Solar do Pátio (uma casa restaurada do século XVII), que fica no bem conservado Pátio de São Salvador. A ementa limita-se a quatro pratos: bacalhau espiritual, bacalhau com broa, arroz de pato e rosbife, aquele que merece a nossa recomendação. O ambiente é familiar (cabem no máximo 40 pessoas) e, por vezes, há música ao vivo. Mais abaixo, o Grémio dos Leitões serve os bácoros assados em forno a lenha, entre outros pratos.
O segredo mais bem guardado desta rua é a Capela do Senhor Salvador do Mundo. A sua origem remonta ao final do século XVI, mas a capela passa quase despercebida, devido à arquitectura modesta da fachada. A entrada está habitualmente encerrada e o espaço serve principalmente de capela mortuária à Igreja de São Nicolau.
A atribuição do nome de Mouzinho da Silveira a esta artéria foi uma homenagem da autarquia ao reformador liberal e herói do Cerco do Porto (1832-1833). Agora, a maior batalha a travar é a da reabilitação urbana, e nem por acaso está aqui a sede da sociedade Porto Vivo. Para além da recuperação, em curso, de vários edifícios, também se falou na reintrodução do eléctrico, ligando a linha 1 até à Estação de São Bento. Por ora, é preciso descer até à Igreja de São Francisco para o ver passar."

Artigo de João Pedro Barros in Público

domingo, 3 de maio de 2009



Obviamente, foi lindo!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Teatro Sá da Bandeira à venda



Já ando para dissertar sobre isto há algum tempo e não passa de hoje:

Desde há 3 ou 4 meses que o Teatro Sá da Bandeira no Porto, um dos mais antigos da cidade, está à venda. A grande surpresa é que poderá ser vendido para qualquer fim!! Ou seja, pode vir a ser um edifício de escritórios, bloco de apartamentos, hotel...etc e tal...desde que, se mantenha a fachada! Não querendo dizer que a fachada deve vir abaixo, entendo eu que a mesma é o que menos interessa. Tendo em conta o contexto, é mais que óbvio que a fachada deve ser património a proteger, mas mais património ainda será o INTERIOR e aquele magnífico teatro " à italiana".
Na comunicação social pouco tenho lido e visto sobre o assunto, por responsáveis políticos...ZERO...por personalidades da cidade...quase nada. Estou para ver se quando efectivamente for vendido para algum fim que não seja o natural (teatro, cinema, dança), alguém acorde para o absurdo da situação...eventualmente tarde demais, como se a cidade tivesse um excesso de espaços com esta importância
A solução poderia ser bastante "simples": o senhor La Féria desamparava a loja do Rivoli, e o Rivoli voltava a ter a função de teatro municipal, onde o Estado cumpriria a sua função de assumir uma programação abrangente e diversificada, albergando várias formas de artes performativas em vez da programação monotemática, e o La Féria gastava dinheiro do seu bolso, comprando o Sá da Bandeira, requalificando-o, à semelhança do que se passou com o Politeama em Lisboa (bem, a meu ver). Claro que idealmente, dispensava que o La Féria fosse para o Sá da Bandeira, mas antes isso do que a demolição que parece ser uma forte possibilidade.
Já agora, seria interessante saber o que a candidata do PS à Câmara Municipal do Porto tem a dizer sobre o assunto, se é que já pensou sobre ele.
Para concluir, e voltando atrás, como é possível que legalmente haja a possibilidade de mandar abaixo aquele teatro? (ok...a fachada fica...)

domingo, 26 de abril de 2009

Leonard Cohen - Suzanne



(mais uma revisitação feita por Jorge Palma com muita alma ao piano, no passado dia 17...e o resultado foi muito bom!)

sábado, 25 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Jorge Palma - Mifá




Mifá
É de um comboio que eu te escrevo,
Mifá
São os teus olhos que eu levo,
Mifá
Dentro dos meus
Vê lá tu

Mifá
O amor nem sempre é brincadeira,
Mifá
Quer a gente queira ou não queira,
Mifá
As coisas são mesmo assim

E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo

Mifá
Não vou soluçar por ti,
Mifá
Mas tenho um espaço vazio aqui,
Mifá
No meu coração
Vê lá tu

Mifá
Solamente una
Dói se pensarmos que
Isto é o fim
Mas resta sempre
Alguma coisa

E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu

Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo

E toda esta conversa

É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho
Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo


Jorge Palma in Acto Contínuo (1982)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bob Dylan - Like a Rolling Stone



E mais um clássico presente no concerto de Jorge Palma no sábado passado. É verdade que sou suspeito mas confesso que prefiro ouvir este tema em especial pela voz do Jorge do que na Dylan.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Rua da Torrinha

"Há novidades para descobrir por entre as várias lojas de antiguidades

Os jogos da Devir Arena, os bolos do Doce Ritual e a bijutaria da Tempo solto vieram animar uma artéria tradicional do Porto cheia de histórias para contar

A Rua da Torrinha é tipicamente portuense: estreita, algo sombria, até íngreme. Há décadas que é um dos principais pólos de aglutinação de antiquários na cidade: contámos sete lojas do género, a que temos que juntar mais algumas dedicadas ao mobiliário contemporâneo. Por isso, podemos considerá-la a versão portuense da lisboeta Rua de São Bento. No passado, a artéria teve outras actividades: durante o Cerco do Porto (1832-1833), os paços do concelho foram transferidos para o número 35 e nesta zona habitavam grande parte dos "bravos do Mindelo", entre os quais o próprio D. Pedro IV. Aqui também cresceu um dos pólos da industrialização portuense, nomeadamente no sector têxtil: a Fábrica de Asneiros, fundada em 1850, terá sido a mais célebre. No século XVII, há ainda registo de uma praça de touros no arruamento. De acordo com a Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha Freitas, a Rua da Torrinha começou a ser rasgada no princípio do século XIX, em terrenos de um casal com esse nome, mencionado em registos paroquiais a partir de 1625.
Nos dias de hoje, há uma curiosa mistura de novo e velho na artéria. Por exemplo, no número 37 está o tradicional Colégio Liverpool, propriedade da Congregação das Religiosas Missionárias de S. Domingos, cuja existência data de 1937. A Telmo & Diegues, há quase 40 anos no número 148, é um dos estabelecimentos mais curiosos: é uma oficina de reparação de electrodomésticos, especialmente televisões, que tem na montra um velho modelo reduzido ao ecrã e ao cinescópio, plenamente funcional. Aqui tanto se reparam modernos LCD como televisores (e rádios) com mais de 20 ou 30 anos. Poderíamos pensar que ninguém os quereria, mas afinal há muita gente com um carinho especial por velhos aparelhos com história familiar. Se se quiser livrar do seu velho televisor pode deixá-lo aqui, porque pode ter peças úteis a futuras reparações.
Depois, temos as casas dedicadas às antiguidades e velharias, que são, de uma forma geral, generalistas. É que o mercado portuense não permite uma maior generalização e, diz Pedro Santos, da Dickson Antiguidades, "há uma grande desunião" entre os proprietários. "Devíamos ter uma dinamização conjunta, como na Rua Miguel Bombarda", acrescenta. Ainda assim, o número de lojas até tem vindo a crescer nos últimos anos. A Dickson é uma das casas com uma oferta mais cuidada, destacando-se pelas faianças, porcelanas e arte sacra dos séculos XVII, XVIII e XIX, e alargando o seu raio de acção até ao século XX no caso da pintura e das pratas. Os antiquários Caco Velho, Ângelo Neto, Tempos Antigos e Carlos Cunha são alternativas.
Quase no cruzamento com a Rua da Boa Hora está a Vinhático, propriedade do decorador João Madureira, um dos sócios do Café Lusitano, na Rua José Falcão. O mobiliário em estilo vitoriano inglês foi o ponto de partida, mas encontrámos mais mobiliário nórdico, dos anos 50 e 60, na nossa visita à loja. Também há objectos orientais e pintura, que João Madureira usa nos seus trabalhos de decoração. Ao lado, a Casa Leal conta com quase 40 anos de actividade, mas acompanha o espírito do tempo: adopta agora a designação "design and furniture" e vende mobiliário de traços contemporâneos, cujo acabamento é feito numa oficina nas traseiras.
Quanto às novidades: Comecemos pela Devir Arena, uma loja especializada em cartas coleccionáveis, banda desenhada (portuguesa e importada, sobretudo dos Estados Unidos), jogos de tabuleiro e miniaturas. Na cave, há uma sala onde se realizam torneios e partidas informais de jogos como Magic: The Gathering. O calendário de eventos está em arenaporto.blogspot.com. Entre a Rua da Boa Hora e a Rua de Cedofeita está o Doce Ritual, que se dedica ao tríptico sabores, arte e leitura. É o primeiro item que se destaca: o bolo de chocolate é um ex-líbris, mas há outras especialidades caseiras, doces regionais e biscoitos, bem como uma alargada selecção de chás. Os menus de almoço são centrados nas massas e legumes. Aqui há sempre uma exposição para visitar e a componente de leitura reflecte-se nos poemas colocados nas mesas e nos livros e jornais à disposição. Mais acima, a Temposolto apresenta sugestões de pequenas prendas artesanais, com destaque para a bijutaria da criadora Ana Alves. Além disso, tem livros (infantis e best-sellers), carteiras, sais, velas e sabonetes.
A rua, onde está também a sede distrital do Bloco de Esquerda, já fez parte do roteiro nocturno do Porto, até há cerca de dois anos. Aos fins-de-semana, a Casa da Madeira do Norte transformava-se num bar onde não faltava a cerveja Coral e a também regional poncha. Problemas com a vizinhança puseram fim ao que seria agora uma descontraída alternativa para a movida da Baixa."

Artigo de João Pedro Barros in Público

domingo, 19 de abril de 2009

The Doors - People Are Strange



(inesperada revisitação deste clássico feita ontem por Jorge Palma no Centro Cultural Vila Flor numa noite memorável)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Goran Bregovic - Ederlezi

Enquanto durou a parceria entre Goran Bregovic e Emir Kusturica, o resultado alternou sempre entre o Bom e o Muito Bom. No plano musical, em comparação com Kusturica, Bregovic destaca-se claramente dando-nos a conhecer o melhor da alma da música tradicional dos Balcãs. Como ainda ontem dizia uma amiga: " Kusturica é festa a mais!"... e de facto apesar de saber bem ouvir um concerto de Kusturica acompanhado pela surreal No Smoking Orchestra, prefiro Bregovic com a sua banda de casamentos e funerais!
Intensa e inquietante esta música que integra a banda sonora de Tempo dos Ciganos, em mais um retrato da cultura daquele povo, como Kusturica durante uns anos nos habituou.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Morcheeba - Part Of The Process

E claro, novamente Morcheeba com Skye Edwards na voz no meu estaminé!

Estes senhores foram responsáveis pelo meu primeiro concerto em Lisboa, na Aula Magna. Na altura fiquei mais que fulo por terem duas datas lá e nenhuma cá em cima..no final do concerto ainda se tentou roubar um cartaz em pleno Terreiro do Paço, mas nops, estavam bem colados! Volvidos dois anitos deram um concerto memorável no Coliseu do Porto. Este vídeo faz-me lembrar sem dúvida esse concerto no Coliseu, onde tavamos colados às grades completamente babados (palavras da Fio em comentário a post anterior hehe).

terça-feira, 14 de abril de 2009

Lucy



Com excepção de um caso ou outro, eventualmente ao sábado à noite na RTP2 e ao domingo a horas tardias na RTP1, cinema de qualidade nos canais generalistas é coisa bastante rara. Mas ontem dei por mim colado a um filme que comecei a ver por mero acaso: I Am Sam (A Força do Amor). Só conhecia este filme pelo nome, e conta-nos a história de um pai com uma deficiência mental que luta nos tribunais para conseguir a custódia da sua filha, Lucy, de 7 anos. A interpretação do Sean Penn está fabulosa!
Como fio condutor, temos Beatles na banda sonora...

domingo, 12 de abril de 2009

Rua da Fábrica

"O Grande Hotel de Paris ainda é a sala de visitas da artéria dos livreiros

O mítico café Estrela d'Ouro também está de volta à rua que os turistas e a "movida" da Baixa do Porto (re)descobriram. As livrarias continuam por aqui, mas as vendas diminuíram

Há duas ou três décadas, o regresso às aulas de qualquer aluno do Grande Porto implicava uma visita quase obrigatória às papelarias e editoras da Rua da Fábrica. Hoje, os livreiros da artéria - que forma com a Praça de Carlos Alberto e a Rua dos Mártires da Liberdade o triângulo de maior densidade do sector no Porto - garantem que o título de centro do livro no Norte ainda se mantém, embora as vendas já não sejam as mesmas, face à concorrência das grandes superfícies. Muitos clientes das independentes Livraria de José Alves, Sousa & Almeida e Editora Educação Nacional vêm especificamente à procura daquilo que não encontram nas lojas dos centros comerciais. A "gigante" Porto Editora também está presente e a rua até tem significado histórico para o grupo editorial. A sua primeira livraria/papelaria foi inaugurada aqui, em 1944. A loja actual data de 1966 e tem um cariz generalista. Bem mais antigo é o Grande Hotel de Paris, inaugurado em 1888, e que pode ser considerado a sala de visitas da rua, com um passado de hóspedes notáveis, de Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós.
Antes de prosseguirmos, debrucemo-nos um pouco sobre a toponímia do arruamento, que se deve à Real Fábrica do Tabaco, cuja prosperidade chegou a ser considerável no século XVIII. No século XXI, os noctívagos da vizinha zona das Carmelitas não descem até aqui à procura de cigarros, mas sim das cervejas e das sandes de presunto da típica mercearia Casa S. Jorge, aberta pela noite fora. O Royal Kebab, mais abaixo, é alternativa.
Voltemos às livrarias, para perceber os diferentes conceitos. A Livraria de José Alves, na esquina com a Rua de Aviz, sucedeu à antiga ASA e especializou-se em livros técnicos, de engenharia, economia ou informática. A Sousa & Almeida vem de 1952 e continua a ser gerida por um dos fundadores, Joaquim de Almeida. As áreas fortes são História, Arqueologia, Arte Portuguesa e Etnografia, bem como os livros antigos seleccionados. Também há uma secção de livros galegos e de temas africanos. Na Editora Educação Nacional, que chegou a ser uma das mais relevantes do país em termos de ensino básico, a oferta concentra-se nos guias turísticos, livros escolares do primeiro ciclo e literatura infanto--juvenil. Todos os estabelecimentos se queixam do mesmo: da falta de estacionamento e das obras prolongadas de requalificação, realizadas no âmbito da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura. "A rua ficou bonita, mas foi a machadada final, nunca mais houve retoma", sublinha José Alves.
Ao Grande Hotel de Paris ninguém tira o título de estabelecimento com mais história da rua. Foi fundado em 1888, mas o antecessor Hotel Francês tem referências muito anteriores.

O hotel de Camilo

Entre outras curiosidades, diz-se que o Grande Hotel foi o primeiro no Porto a ter água quente nos quartos. Em 1849, albergou o escritor Camilo Castelo Branco. Em 1999, a unidade passou para a actual gerência, de David Ferreira, que procedeu a obras de recuperação, mantendo a traça e os objectos antigos. Os 42 quartos costumam estar ocupados por turistas "europeus, jovens e que não querem um hotel standard", revela David Ferreira. No salão de refeições, só se servem agora os pequenos-almoços, de base tradicional portuguesa.
Há aqui outro estabelecimento mítico: o Estrela d'Ouro, que faz parte da linhagem de cafés que moldaram, durante muitos anos, a vida académica e social do Porto. "Quando reabrimos, muita gente entrava cá para nos dizer que tinha começado aqui o namoro, estudado por cá", contou-nos Fernando Martins, o actual proprietário. Pedro Homem de Mello, Eugénio de Andrade e Óscar Lopes são algumas das figuras do mundo literário associadas à tertúlia que aí se reunia.
A decadência dos últimos anos foi interrompida em 2007, com obras profundas, que alteraram por completo a decoração, sem quaisquer traços do passado. Agora, a cafetaria tem pouco peso, sendo o piso térreo essencialmente dedicado a almoços (com pratos do dia) e jantares. A ementa concentra-se nas pizzas (há rodízio por 12,90 euros) e no serviço de grill. No primeiro andar, estão seis bilhares, enquadrados num espaço de bar, aberto pela noite dentro (a cozinha funciona até às 2h00). Nas quartas-feiras académicas, o fino é a um euro.
No outro lado da rua, o restaurante Companhia dos Morfes assentou arraiais no número 34, depois de mais de uma década na Foz do Douro. A cozinha também fecha apenas às 2h00, aos fins-de--semana, sendo que os lombinhos de porco preto são o ex-líbris deste local requintado. O menu em inglês denuncia o óbvio: os turistas andam por aqui e são um dos alvos."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lamb no Marés Vivas

Ora, mais uns repetentes aqui no meu estaminé, desta vez com a boa notícia da sua vinda ao Festival Marés Vivas a 16 de Julho. No mesmo dia...Primal Scream..parece-me bem!
A ver vamos se este ano dá para ir até à beira do rio, ao contrário do ano passado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Jorge Palma - Tempo dos Assassinos

Quero o silêncio do arco íris
Quero a alquímia das estações
Quero as vogais todas abertas
Quero ver partir os barcos
Prenhos de interrogações

Amo o teu riso prateado
Como se a lua fosse tua
Vou pendurar-me nos teus laços
Vou rasgar o teu vestido
Eu quero ver-te nua

Vivemos no tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Eu quero ver-te alucinado
Eu quero ver-te sem sentido
Sem passado e sem memória
Quero-te aqui no presente
Eternamente colorido

Porque abomino o trabalho
Se trabalhasse estava em greve
Se isto não te disser tudo
Arranja-me um momento mudo
O menos possível breve

Vivemos o tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Amo o teu riso prateado
Como se o Sol só fosse teu
Vou pendurar-me no teu laço
Amachucar-te essa camisa
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu

in Jorge Palma (2001)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rua das Carmelitas

"A movida nocturna instalou-se à porta da mítica e centenária Livraria Lello

O Era Uma Vez no Porto, o mais recente bar da Baixa, está desde há uma semana mesmo ao lado do famoso estabelecimento, que atrai milhares de turistas todos os dias

Em Janeiro de 1906, a inauguração da Livraria Lello & Irmão (que então se chamava Chadron) atraiu a atenção de figuras como o poeta Guerra Junqueiro, o líder republicano Afonso Costa e Aurélio da Paz dos Reis, o pioneiro do cinema em Portugal. Mais de 100 anos depois, os flashes das máquinas fotográficas dos turistas são a imagem mais comum à entrada deste edifício classificado e ícone do Porto. Antero Braga, um dos sócios da Prólogo Livreiros, que detém a Lello desde 1994, estima que mais de 1000 estrangeiros por dia façam compras na livraria, entre os meses de Maio e Agosto. A Rua das Carmelitas está também no epicentro do movimento nocturno da Baixa, dando acesso às concorridas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis. Por isso, não é coincidência que aqui tenha aberto um novo bar: o Era Uma Vez no Porto "transferiu-se" do Passeio Alegre há pouco mais de uma semana.
Mas voltemos uns séculos atrás: por que o arruamento recebeu o nome dos Carmelitas? A explicação é simples: aqui existiu, entre os séculos XVIII e XIX, um convento dos Carmelitas Descalços, extinto em 1833, depois da vitória do regime liberal. Hoje, não resta qualquer vestígio do edifício, que deu lugar, em 1903, à construção do chamado bairro das Carmelitas (entre a Praça Guilherme Gomes Fernandes e as ruas de Santa Teresa e Conde de Vizela).
De regresso ao presente, falemos da actual orientação da livraria Lello, considerada pelo jornal britânico The Guardian como a terceira mais bela do mundo. O título deve-se não só à fachada (entre a Arte Nova e o neo-gótico), mas também ao seu interior, que se destaca pela escadaria e pelo amplo vitral no tecto, para além da presença de bustos de escritores como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental. O atendimento especializado e os livros de autores portugueses em língua estrangeira, destinados maioritariamente aos turistas, são os grandes orgulhos da actual gerência, que passa "ao lado da crise". No piso superior há ainda uma vertente de galeria de arte, com obras de pintura e escultura, e um pequeno bar, limitado a bebidas.
Porém, a Lello não é a única livraria histórica da Rua das Carmelitas. No lado oposto está a Livraria Fernando Machado, fundada em 1922, cujo período áureo se deu nas décadas de 1940 e 1950, quando se assumiu como uma das mais importantes editoras portuguesas na área do livro técnico. Por este antigo espaço de tertúlia de médicos, juristas e opositores ao Estado Novo passaram ainda quatro exemplares da primeira edição de Os Lusíadas. Em 2006, com a fachada de talha de madeira e vidro recuperada, reabriu pela mão de Paulo Samuel, responsável pela editora Caixotim e livraria homónima, na Rua dos Clérigos. No entanto, passados três meses, a Fernando Machado voltou a encerrar, devido a um processo de insolvência em que Paulo Samuel foi uma vítima colateral. "Se houver condições, gostava muito de retomar o projecto", contou ao PÚBLICO.

Era uma vez na Baixa

O mais recente bar da Baixa chama-se Era Uma Vez no Porto e está no primeiro andar do número 162, na porta da Ourivesaria dos Clérigos. O espaço está aberto todos os dias à noite (a partir da próxima semana, a abertura é antecipada para as 15h), destacando-se pela sua varanda, com uma vista que abrange a Praça de Lisboa (ainda encerrada, à espera da prometida requalificação), a Torre dos Clérigos e a Praça dos Leões. Nos próximos meses deve surgir a loja Gira Discos, numa sala contígua, com CD, vinis e livros. O indie rock vai ser dominante na selecção musical do bar, que não tem consumo obrigatório.
A artéria também é conhecida pelo comércio, com destaque para os Armazéns Marques Soares, a caminho dos 50 anos. Tudo começou no número 92, com 150 metros quadrados. Agora, através da aquisição de vários imóveis, ligados de forma labiríntica, os armazéns têm mais de 10.000 metros quadrados, distribuídos por cinco pisos, onde já se nota o passar dos anos. A oferta abrange roupa de homem, senhora e criança, estofos e decorações, cristais, relojoaria e até uma secção de tamanhos grandes.
Os Armazéns da Capela, ou A Pompadour, são um estabelecimento centenário, com um belo pára-sol de ferro e vidro. A mais antiga loja portuense da Vista Alegre está na esquina com a Rua Cândido dos Reis. E a Fernandes, Mattos & Ca., mais acima, merece uma visita mesmo sem compras: as velhas colunas em ferro fundido (da Fundição do Ouro), as bancadas em madeira e os vitrais levam-nos numa viagem até 1886, data de abertura desta antiga casa de tecidos, agora dedicada aos pequenos objectos do lar e artesanato português. Segundo nos contou o gerente, Paulo Fernandes, Marques da Silva foi um dos arquitectos."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Festa do Cinema Italiano



Este ano, pela primeira vez, a Festa do Cinema Italiano chega ao Porto, neste fim de semana no Teatro do Campo Alegre.
Programação completa
aqui.

terça-feira, 31 de março de 2009

Blonde Redhead - 23

Esta tema dá o nome ao último disco de Blonde Redhead, uma boa descoberta "induzida"!

/div>

segunda-feira, 30 de março de 2009

Rua do Ouro

"A marginal onde as pizzas valem mais

Com a Ponte da Arrábida como "padroeira", a Rua do Ouro oferece um surpreendente leque de restauração, diversão nocturna e lojas de gama média-alta

A marginal ribeirinha do Porto é marcada pelos contrastes: a proximidade do rio Douro levou à construção de zonas residenciais e comerciais de luxo, mas subsistem populações ligadas à pesca. No Cais da Arrábida, há pequenas embarcações ancoradas e ainda se podem ver pescadores a consertar as redes. Em volta do Cais do Bicalho, domina a pesca recreativa, auxiliada por uma máquina "única no país", instalada na fachada do Bibá Pesca. É em tudo idêntica às que vendem sandes ou chocolates, mas aqui compra-se isco, por 2,5 euros. "Tivemos de a alterar completamente para servir os clientes, quando estamos fechados", explicou-nos Nélson Pereira, funcionário da loja de artigos de pesca. Apesar do relevo da inovação, arriscamos dizer que o actual ex-líbris da Rua do Ouro está nas pizzas: as melhores da cidade.
A nossa atenção centra-se em dois restaurantes: Casad'oro e Nhac! Nhac! O primeiro tem um bónus considerável: ocupa o antigo Pavilhão de Fiscalização da Construção da Ponte da Arrábida (conhecido como a "Casa dos Engenheiros"), da autoria do arquitecto José Galhoz. A partir do Casad'oro, a vista para a ponte e para a foz é privilegiadíssima, especialmente a partir da esplanada. No interior, o restaurante divide-se em dois: no piso -1, o ambiente é formal e há uma selecção de pratos de carne, peixe e massas; no primeiro andar, está a pizzaria, com mesas e bancos corridos. O preço das pizzas varia entre os 6,5 e os 11,5 euros e os ingredientes são importados de Itália.
Também de massa muito fina, as pizzas do pequeno Nhac! Nhac! são igualmente recomendáveis. Existem cerca de 20 variedades, sempre a rondar os 10 euros e preparadas à vista do cliente. Outra sugestão, no âmbito da comida italiana, é o Lancelot, no piso um do Condomínio Douro Foz. No número 133, numa casa amarela, está o Peixes & Companhia, onde o nome diz tudo: é o peixe fresco, acompanhado de legumes e batatas a murro, que domina o menu. O Morfeu na Marginal, no número 400, tem pratos tradicionais portugueses e peixes do dia.
O carro do rei D. Carlos
Mas deixemos a comida e passemos para a M Colecção Automóvel, com entrada pela Rua de João do Carmo, junto ao antigo River Caffé: aqui estão 25 dos 110 automóveis antigos do falecido empresário famalicense António Magalhães. Dos veículos em exposição, destaca-se um Minervette, de 1904, propriedade do rei D. Carlos, que o tinha estacionado em Vidago, para quando visitava o Palace Hotel. Há ainda um Minerva de 1914, exemplar único no mundo, e, para lá de marcas míticas como Ferrari, Jaguar e Rolls-Royce, também há um carro da... Singer! O enquadramento da mostra é modesto, mas o neto Manuel Magalhães diz que a actual sala deve ser apenas "um começo".
Na Rua do Ouro situa-se a loja da estilista Fátima Lopes (no número 418), um cluster de estabelecimentos de arquitectura, design e decoração (composto por Edição Limitada, Casa d'Arte, Miguel Laia e À Procura da Arte), e as joalharias Júlia Ribas e Monseo, no antigo Armazém Frigorífico da Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau, uma construção mercantil do Estado Novo, datada de 1939. Agora chama-se Douro's Place e é um moderno bloco de 31 apartamentos e seis lojas.O interesse nocturno da Rua do Ouro está concentrado em pleno rio, pouco depois da Ponte da Arrábida. A primeira embarcação visível chama-se Gandufe, alberga o Porto-Rio e é um dos espaços mais alternativos do Porto. O seu leme é o calendário de eventos (www.porto-rio.com), geralmente concentrado nas noites de fim--de-semana, oscilando entre os concertos de rock & roll mais marginal e as sessões de disco-jockeys, com destaque para o drum & bass. Ao lado está o Maré Alta, onde as after-hours de domingo são a imagem de marca. O horário de funcionamento, limitado às noites de sexta-feira e sábado, vai ser alargado, até Maio, para todo o dia. Ao almoço, haverá pratos do dia e os jantares serão em regime buffet. O Zoo Lounge seria a terceira opção "flutuante", mas está encerrado para obras, devendo reabrir na Primavera. As esplanadas junto ao Condomínio Douro Foz podem ser uma alternativa tranquila.
Se a passagem do eléctrico número 1 nos remete para o passado, há que referir que o Estaleiro do Ouro, transformado em cemitério de barcos, tem ainda mais para contar. Aqui terão sido construídas, pelo menos parcialmente, as embarcações da armada de Ceuta e as naus que participaram na primeira viagem marítima à Índia, de Vasco da Gama."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

Ora, a rua do Ouro já não é propriamente na baixa, mas de qualquer forma...também achei que valia a pena! e o Nhac Nhac..bem fixe...e pode-se fumar!!

sábado, 28 de março de 2009

Almodovar no Expresso e Visão


A partir de hoje no Expresso e a partir de dia 2 de Abril na Visão, sai uma colecção de 8 filmes do Pedro Almodovar.
Uma boa oportunidade para melhorar a minha colecçãozita de cinema caseiro!


sexta-feira, 20 de março de 2009

Morcheeba - Blindfold

e mais uma vez a onda revivalista, com muita nostalgia à mistura...



quinta-feira, 19 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Rua de Cedofeita

Numa rua de comércio tradicional, também há ofertas alternativas

Há lojas que pararam no tempo, mas a Jo-Jo's investe e vai ter em Maio um auditório com showcases. Visitar o Centro Comercial de Cedofeita dá direito a conhecer o "lado b" do Porto

A 9 de Julho de 1832, as tropas liberais de D. Pedro entraram no Porto pela Rua de Cedofeita, dando início a um período de mais de um ano de cerco da cidade pelas forças absolutistas de D. Miguel. D. Pedro começou por estabelecer o seu quartel-general no Palácio das Carrancas (agora Museu de Soares dos Reis), mas, para evitar o fogo dos miguelistas (a partir de Gaia), teve de se refugiar num edifício da... Rua de Cedofeita. O histórico imóvel, entre os números 393 e 399, ainda está de pé, e foi recentemente restaurado. No século XXI, naquele que é considerado o segundo arruamento comercial do Porto (a seguir à Rua de Santa Catarina), não há nenhuma guerra civil, mas há baixas entre o comércio tradicional. Em compensação, surgem novos negócios, alguns deles com cariz alternativo.
Há anos que um projecto de cobertura para a rua, do arquitecto Germano de Castro Pinheiro, é discutido, mas não sai do papel. "Não tem havido grande renovação" reconhece Jorge Coelho, da Casa dos Forros. O estabelecimento, há 42 anos no local, é um dos que tentam acompanhar novas tendências e vende agora alguns elementos de retrosaria mais modernos. Porém, não vale a pena pintar um cenário negro, porque há mais casas que acompanham o ritmo dos tempos e se dirigem a públicos mais específicos: por exemplo, a loja de roupa Me Allegro, orientada para as classes alta e média-alta, com cinco pisos de marcas de prestígio. Para o sexo feminino, o pronto-a-vestir Flagra, já fora da zona pedonal, representa uma alternativa à massificação dos centros comerciais. Bem mais antigas são a Antiqualha, fundada em 1923, que se dedica ao restauro e comércio de antiguidades (especialmente em madeira), e a Vilarinha, no ramo do mobiliário artístico e antiguidades desde 1876.
Um dos ex-líbris da artéria é a Jo-Jo's, uma loja de discos que começou por se localizar no Centro Comercial de Cedofeita (CCC), no final da década de 70, mas que funciona desde 1999 num edifício tradicional do século passado. O seu proprietário, António Ribeiro, nunca "dormiu em serviço". Hoje, a facturação vem primordialmente da loja on-line cdgo.com (com mais de 800.000 títulos), mas o espaço físico vai ganhar, em Maio, mais um andar, com vinil, CD usados, livros (não só de música, mas também best-sellers e obras de Direito), merchandising e um auditório para showcases. Foi a música alternativa/independente a "dar nome" à casa, mas a selecção é ecléctica: "Temos desde a Floribella ao John Cage", brinca António Ribeiro.
Já que falámos no CCC, façamos uma viagem até este centro comercial da "primeira geração", contemporâneo do Brasília. A partir dos anos 90, o abandono foi uma dominante e o cabeleireiro de homens Luís Lourenço (que se mantém graças aos "doutores e engenheiros" que lhe são fiéis desde os tempos de estudante) é uma das testemunhas, desde 1980: viu passar "altas individualidades" para o restaurante "vizinho", o Cantinho da Teresinha, que agora tem como cartão de visita a música de baile (e as noites de fado, às quartas-feiras). Apesar do abandono, o CCC acabou por não parar no tempo e reunir alternativas para públicos minoritários: a growshop A Loja da Maria (que concentra tudo o que é necessário para fazer uma planta crescer), Lionheart e Elfic (vestuário e acessórios alternativos), Factory Tattoo Studio, Circos (artigos de malabarismo, equilíbrio, acrobacia e magia), Forever Ultra (material relativo a claques de futebol e streetwear) e a loja de roupa e acessórios das irmãs góticas Castilho, personagens míticas da zona. A Hélice é um ponto de encontro indispensável para coleccionistas, especialmente de brinquedos e de objectos ligados à política e ao futebol. Em termos de restauração, o panorama não é brilhante. Salva-se o Pimenta & Chocolate, já depois do cruzamento com a Rua de Álvares Cabral, em que a cozinha tradicional portuguesa é a base dos pratos. O ambiente é acolhedor e os preços moderados (a rondar os 15 euros por pessoa). Para refeições rápidas e cafetaria, recomendamos o VeraCruz, com uma enorme variedade de chás e cafés, que também se podem levar ao quilo para casa.
Na noite, a Rua de Cedofeita não é um grande centro. Apenas há a referir o Altar, café-concerto que surgiu em Janeiro de 2008, e cujo programa inclui reggae às terças--feiras, música pimba às quartas e rock dos anos 70 e 80 às quintas. Aos sábados à noite, há concertos e os domingos são ocasionalmente reservados a matinés hardcore-punk."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

terça-feira, 10 de março de 2009

Pj Harvey na Casa da Música!

Ora, cá nos iniciamos há uns 15 anos a ouvir a mais que fabulástica PJ Harvey, precisamente com este disco , com uma tentativa frustrada pelo meio de a ver num fim de tarde de inverno chuvoso no Rivoli, até que hoje a mais fabulástica ainda Fiooo, conseguiu os nossos bilhetes quase impossíveis para a grande noite! Obrigadooooooooo lindaaa:)))))

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tori Amos - Cornflake girl

Músiquita mais que obrigatória neste estaminé! e já lá vão uns anitos largos que a descobri no início de uma bela e estranha fase da vida...


domingo, 8 de março de 2009

Rua do Breyner

"Aqui há cosmopolitismo, mesmo que seja preciso olhar duas vezes


O Breyner 85, projecto a meio caminho entre um clube ao estilo inglês e uma academia cultural, é a nova estrela de uma rua que parece ter despertado da letargia


No início da década, a Rua do Breyner parecia votada ao abandono e a uma atmosfera sombria e semi-industrial. Mesmo quando a paralela Miguel Bombarda se tornou um viveiro de galerias, o arruamento continuou ensimesmado, como uma espécie de parente pobre. Nos últimos dois anos, as coisas têm vindo a mudar, com novos habitantes e alguns investimentos diversificados, de tal forma que um olhar atento revela um inesperado cosmopolitismo. Até uma residência para idosos do grupo Montepio reconverteu uma antiga unidade fabril.

Quando divagávamos pela rua, uma conversa em português com forte sotaque italiano chamou-nos a atenção. Ficámos a conhecer o maquetista de arquitectura Alvaro Negrello, natural de Locarno, na Suíça de língua oficial italiana. No Porto desde 1993, Negrello tem clientes como Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura e internacionais como David Chipperfield e Frank Gehry. O suíço, que tem atelier e residência no mesmo edifício, diz que a rua tem mudado muito. "Noutras cidades europeias, casas como estas custam milhões e aqui ainda é possível comprá-las a um preço acessível. Só agora é que muita gente se está a aperceber disso", conta. A sua casa, com 110 anos, tem um extenso logradouro, uma característica típica da rua, que também está presente no edifício Breyner, uma nova construção topo de gama já em comercialização. Ao apreciar as obras, o PÚBLICO foi de imediato abordado por um mediador imobiliário, que nos disse que "todos os jovens" querem agora morar na Baixa. Duas das habitações já estão vendidas e os preços não são brincadeira: entre 250.000 e 430.000 euros.

Passemos ao cerne do artigo: aquilo que, de facto, se pode fazer aqui. E, neste campo, o Breyner 85 (a meio caminho entre um clube ao estilo inglês, onde todos os dias acontece qualquer coisa, e uma academia cultural) é a grande novidade. Para já, o corpo docente está virado para a música, mas o leque de oferta formativa deverá ser alargado às artes dramáticas e à dança. Aqui pode-se aprender, criar, mostrar e editar e, para tal, há um estúdio de gravação no piso inferior e várias salas de ensaios. Para o visitante ocasional, a componente de bar/espectáculos será a mais interessante: no piso térreo há uma cafetaria, cuja decoração traz à memória o período entre os séculos XIX e XX (a casa data de 1906); no piso superior está o café-concerto, com um pequeno mas bem equipado palco; nas traseiras, o logradouro funcionará, no Verão, como esplanada e já lá está instalado um palco. O Breyner 85 estará aberto todos os dias, das 10h às 2h, e exigiu um investimento de cerca de um milhão de euros.

Mais à frente está o British Council, cuja missão é difundir o conhecimento da língua inglesa. Para lá dos diferentes cursos e exames que se realizam aqui, há um grupo de leitura que se reúne uma vez por mês para conversar sobre uma obra em inglês (a entrada é gratuita). Para uma artéria que parece anónima à primeira vista não estamos mal, mas há mais (e vamos ter de passar para o modo telegráfico). Já perto do Largo da Maternidade de Júlio Dinis está o restaurante vegetariano Nakité, cujas especialidades são a francesinha vegetariana, as lasanhas e os cogumelos Portobello salteados. Ao almoço, há um menu por 4,90 euros: sopa, entrada, pão e café. No número 43 está a Takechance; loja de roupas de marca de segunda mão. Do outro lado, o atelier de conservação e restauro Cotonete & Bisturi especializou-se em pintura sobre tela, escultura, talha e cerâmica.

A rua onde funcionaram o Instituto Industrial do Porto (actual ISEP) e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto deve o seu nome a Pedro de Mello Breyner, que, na segunda metade do século XVIII, desempenhou diversos cargos públicos. Morreu em 1828, encarcerado pelos miguelistas. Não foi a tempo de assistir à vitória dos liberais, mas hoje, na "sua" rua, não há dúvida de que triunfaram as "tropas" progressistas."


Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 6 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

The Guys From the Caravan



(concerto bem perdido)