sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê
Calado como quem não tem resposta para quem o chama
Desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama
Quebrando os seus ossos na rua
Fugindo da verdade nua
Como se abrir as portas ao Mundo fosse uma coisa obscena
Desencontrado como quem por ter medo da foz o rio condena
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama
E já que nós nunca estamos sós
Vamos lá desatar os nós
E vamos lá chegar inteiros, onde quer que a vida nos leve
E enquanto é tempo
Deixa ver esse sorriso, que isso torna a pena mais leve
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama

in Qualquer Coisa Pá Música (1979)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Foge Foge Bandido - Borboleta



Ora, para a querida Fio, "induzida" em erro por este estaminé...beijinho invejoso:))

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Lar

"Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar"

Jorge Palma in Qualquer Coisa Pá Música (1979)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Red Hot Chili Peppers - Soul to Squeeze



Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que ouvi esta música, na estrada de entrada em Portugal próximo da albufeira do Lindoso, no regresso de uma passeata até Celanova...quase há 10 anos...!

domingo, 15 de novembro de 2009

Produtos do "velho Portugal" enchem novas lojas da Ribeira

"Nos últimos anos, a cidade viu nascer lojas que fazem da "marca Portugal" um trunfo: no artesanato ou nos produtos de uso quotidiano.

O apelo da memória, e a recuperação de marcas que já foram famosas, estimulam a procura de muitos clientesA montra da Mercearia de S. Bento não passa despercebida a muitos dos que passam pela Rua das Flores, no Porto. As sombrinhas de chocolate Avianense e as bolachas Paupério lembram tempos em que produtos como estes faziam parte do dia-a-dia de muitos portugueses, hoje com idades entre os 40 e os 60 anos. Para Rosa Dias, que ficou desempregada em Julho, estes e outros produtos revelaram-se uma oportunidade de negócio.

Rosa montou a loja em pouco mais de um mês. Nos 15 metros quadrados da mercearia, inaugurada em Setembro, convivem produtos alimentares de empresas familiares com tradição em Portugal, chocolates com flores, brinquedos artesanais, almotolias de azeite pintadas à mão, compotas, biscoitos e vinhos. Ou seja: tradição e alguns produtos ditos gourmet.

A receita, com algumas variações, alarga-se a outras lojas que surgiram nos últimos anos no Porto, sobretudo na Ribeira. O crescimento do turismo na cidade ajudou. "Era importante ter uma loja em que o turista pudesse levar um bocadinho de Portugal - nas sardinhas, no vinho", diz Rosa Dias, que estima que metade dos clientes sejam turistas. Mas já há clientes fixos, como é costume numa mercearia.

Os estrangeiros ficam encantados por coisas como as latas de 200 mililitros de Azeite Saloio, "apelativas e muito portuguesas" (as cores lembram a bandeira nacional, há um campino desenhado). Já a maior parte dos portugueses entra na loja por causa do "apelo à memória".

A poucos minutos a pé, na Rua Sousa Viterbo, a Porto Paixão também faz da "marca Portugal" a sua força. Mas reduz o âmbito geográfico ao Porto e ao Norte do país. "Podia ser uma montra turística", diz Carla Miranda, uma das sócias da loja, a sua estreia enquanto comerciante.

Nas prateleiras, detectam-se produtos que a Mercearia de S. Bento também vende, mas também biscoitos de Vinho do Porto da Casa de Juste, Caretos de Podence, artesanato, fotografias, postais e livros sobre o Porto. A pesquisa dos produtos levou dois anos, mas a Porto Paixão também estimula a criação de novos objectos. É o caso de placas em metal da Ramos Pinto, que a empresa de bebidas alcoólicas começou a fabricar a convite da loja.

Carla e os outros sócios criaram o espaço seguindo os seus próprios gostos pessoais. "A ideia foi minha e do meu marido. Era um projecto caseiro. Pensámos: "Gostamos tanto disto [destes produtos]. Porque é que não fazemos uma loja?" Em Setembro do ano passado, abriram a Porto Paixão, que é uma loja, mas não só: "Para muita gente, é um museu. Há quem venha só mostrar aos amigos e aos emigrantes que vêm cá no Verão."

Objectos contemporâneos

Desce-se até à beira-rio e, na Rua Nova da Alfândega, surge uma loja cuidadosamente desenhada. A Corações Habitados, aberta em Agosto de 2008, tem um conceito muito definido: fazer "coabitar o tradicional com o contemporâneo". Para além disso, uma regra apenas: "É tudo português", diz a proprietária, Isabel Dores, que sentiu que faltava à Ribeira oferta de produtos artesanais e decorativos mais contemporâneos. Lenços dos namorados, Caretos de Lazarim e uma alminha de Mistério convivem com azulejos do projecto Ratton, que cruza azulejaria com artes plásticas, e joalharia de autor de Liliana Guerreiro. Todos eles são, no fim de contas, "objectos portugueses contemporâneos", o slogan da loja.

A ideia surgiu na cabeça de Isabel depois de uma viagem por vários pontos do país em que contactou artesãos locais. Antes de abrir a Corações Habitados, desenhava peças em estanho e prata. "Estava cansada das linhas puras do design industrial", confessa.

O percurso de Isabel Dores explica parte deste fenómeno. Nos anos 1990, dizem os responsáveis pelas lojas, privilegiou-se o design mais frio. Já nesta década, assistiu-se a uma valorização da "marca Portugal", nos produtos de uso quotidiano e no artesanato.

Esta tendência, mas sobretudo o crescimento do fluxo turístico nos últimos anos, sustenta também um negócio como a Portosigns, aberta em Dezembro de 2006. A loja da Rua da Alfândega vive sobretudo dos turistas. E também só vende produtos portugueses, "sempre com a ideia do tradicional transposto para a realidade actual", diz a proprietária, Elvira Basílio.

Para além dos produtos típicos, há objectos próprios, como T-shirts e canecas com fotografias do Porto, gravatas e chapéus de cortiça. A Portosigns distingue-se também por organizar exposições. Em Dezembro, vai mostrar brinquedos tradicionais portugueses, com chapa e madeira - objectos de um tempo em que coisas destas não eram vistas como um perigo para as crianças."


Artigo de Pedro Rios, in Público

sábado, 14 de novembro de 2009

Songs for Drella

Ontem vi um bom documentário na Dois sobre o percurso de John Cale, um retrato do multifacetado músico e no fundo um retrato de uma época marcante para a cultura contemporânea.

Cá fica um registo do reencontro de John Cale e Lou Reed muitos anos após da separação pouco amigável dos Velvet Underdround, em Songs for Drella, um tributo a Andy Warhol.




domingo, 8 de novembro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

A Vida Portuguesa no Porto


"
Catarina Portas instala no Porto a segunda loja do seu projecto A Vida Portuguesa


Em Novembro, cumpre-se o sonho de dois anos e meio da empresária, que quer repetir o êxito obtido na loja de Lisboa, onde recuperou produtos da nossa memória colectiva

Nas prateleiras com 22 metros de comprimento ainda não há sinais dos produtos tradicionais resgatados ao esquecimento colectivo. Só há pó e trabalhadores num rebuliço. A partir de meados de Novembro, já não será assim: é nessa altura que Catarina Portas prevê abrir a loja A Vida Portuguesa no Porto.

Os azeites Triunfo e Saloio, o Café Brasileira, as Conservas Tricana, os palitos Lusitanos, a pasta dentrífica Couto, os lápis Viarco e as andorinhas Bordalo Pinheiro são algumas das estrelas da loja A Vida Portuguesa de Lisboa. O espaço é presença obrigatória nos roteiros turísticos da capital. Catarina Portas, o rosto responsável pel"A Vida Portuguesa, quer que o mesmo aconteça no Porto.

A empresária sonhava abrir uma loja no Porto "há dois anos e meio". "Calcorreei as ruas da Baixa todas, de Santa Catarina até aqui", recorda, numa conversa no espaço onde funcionará a loja. Há pouco mais de um ano viu o edifício onde a loja vai ficar, na esquina das ruas da Galeria de Paris e das Carmelitas, com vista para a Torre dos Clérigos. "Pensei: "Se eu pudesse escolher mesmo, era este"", conta. O desejo acabou por concretizar-se, depois de meses de negociações.

O espaço comercial ocupará o primeiro andar do prédio da Fernandes, Mattos & Ca, que tem uma loja no rés-do-chão. No primeiro e no segundo andar, há ainda vestígios do passado da Fernandes, Mattos, extinto há cerca de duas décadas: dezenas de malas dos caixeiros-viajantes, armários onde se guardavam tecidos, um pequeno manequim. Vão ser aproveitados para a decoração. As obras de renovação do espaço custaram 70 mil euros.

Durante a procura de Catarina Portas, a Baixa, em particular a zona dos Clérigos, encheu-se de espaços de comércio e lazer. "O Porto está num momento excitante", diz. Mas, adverte, "neste tipo de modas pode haver alguns perigos que é concentrarem-se todos numa actividade". "Estão a abrir muitos bares e é mais interessante e sustentado haver uma mistura de comércios. Espero poder ajudar a esse equilíbrio", aponta.

No Porto, Portas terá como sócia a empresa centenária de sabonetes Ach. Brito. "É uma parceria que me entusiasma imenso", confessa. É uma das empresas com as quais trabalha, vendendo produtos tradicionais e preparando-lhe edições exclusivas.

Em Novembro de 2004, Catarina Portas reuniu produtos tradicionais feitos em Portugal que tinham sido alvo de uma investigação jornalística que tinha realizado sobre a vida quotidiana portuguesa a partir dos anos 30. O projecto arrancou no Natal desse ano, ainda sem loja própria, que surgiria em Dezembro do ano seguinte, no Chiado, em Lisboa. A ideia de abrir uma loja no Porto surgiu pouco depois. "O meu pai [o arquitecto Nuno Portas] vive no Porto há 25 anos. Conhecia muito mal o Porto até há cerca de oito anos, quando comecei a vir com muita regularidade e fiz cá amigos. Adoro o Porto", afirma.

A vida de empresária também a aproximou do Porto e do Norte: muitos dos seus fornecedores - como a fábrica de chocolates Arcádia, a Saboaria e Perfumaria Confiança, entretanto comprada pela Ach Brito, e o Limpa Metais Coração - são do Norte. Foi no Porto, aliás, que começou a fazer a investigação jornalística que originou o projecto. "Passava os dias à procura de produtos antigos", recorda."

Artigo de Pedro Rios in Público


Violent Femmes - Good Feeling

sábado, 24 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A obra de Marques da Silva II

Estação de S. Bento

Praça de Almeida Garrett

1896-1916

A Estação de S. Bento é a adaptação ao Porto do projecto de fim de curso que Marques da Silva desenhou na Escola de Belas-Artes de Paris, e que expôs depois na Câmara do Porto, logo que regressou. "Ele sabia que o comboio estava a chegar ao Porto e fez o seu projecto à medida das necessidades de uma estação para a cidade", diz André Tavares. No edifício, é visível a influência do mestre de Marques da Silva, Victor Laloux (autor do Quai d"Orsay, em Paris, uma estação ferroviária que é agora um museu). Mas "S. Bento é mais um edifício urbano do que apenas um salão para receber comboios e passageiros", nota Tavares, realçando a importância que a estação, pela sua monumentalidade, tem nesta zona da cidade.


Bairro O Comércio do Porto


Rua Constituição/Serpa Pinto

1899

Para quem conhece as obras mais monumentais de Marques da Silva, não deixa de ser surpreendente ver que ele também abordou o problema da habitação, e também desenhou bairros operários. Um exemplo, que ainda sobrevive mantendo a estrutura original essencial, é o conjunto de pequenas casas implantadas em três ruas na zona da Constituição, numa iniciativa do jornal O Comércio do Porto. A tipologia base é a de quatro habitações geminadas num só volume de quatro frentes, com dois pisos, e rodeado por pequenos jardins, que conseguem "o máximo aproveitamento do espaço e a máxima contenção de custos". O plano original incluiu 14 fogos, que foram construídos entre 1899 e 1904.


Teatro de São João

Praça da Batalha

1909

É, depois de S. Bento, o outro edifício-monumento com que Marques da Silva marcou a Baixa. O arquitecto aproveitou as fundações e parte dos escombros do anterior teatro, que ardera em 1908. "Nota-se bem a ideia de usar uma "peça de arquitectura" para organizar a irregularidade urbana da Praça da Batalha. O teatro dá-lhe coerência", diz André Tavares. E chama a atenção para os elementos decorativos da fachada e para a solução das portas e das janelas do primeiro piso, com amplos arcos em vidro a emoldurar as janelas instaladas dentro deles. No interior, segue o desenho clássico do teatro à italiana, com a organização dos espaços - os átrios, as escadas e o salão nobre - à francesa, seguindo o modelo da Ópera de Paris.


Casa-atelier

Praça do Marquês de Pombal

1909

Construída num terreno ao lado da casa do seu sogro José Lopes Martins, a casa de Marques da Silva mistura criteriosamente as funções de residência e de atelier, tendo o cuidado de, ao mesmo tempo, as separar e fazer comunicar. A fachada para o Marquês mostra "o entusiasmo decorativo", bebido na estética do românico, com que o arquitecto sempre pontuava as obras. A sala de estar denota o mesmo cuidado decorativo, tanto na projecção da sua bow window como nas formas do fogão de sala ou na escada. O arquitecto fez também intervenções importantes na casa do sogro. Actualmente, ambas as propriedades pertencem à Fundação Instituto Marques da Silva, estando a ser objecto de restauro.


Escola Alexandre Herculano

Avenida de Camilo

1914-1931

Tanto esta escola como a Rodrigues de Freitas (1918-1932) são obras com que Marques da Silva se envolveu no plano de expansão da cidade e de gestão do crescimento urbano. Qualquer delas tem uma relação estreita com o lugar: a Avenida Camilo, no caso da Alexandre Herculano; a Praça Pedro Nunes, na segunda. Trata-se de dois liceus da República, que respondem ao ideário de instrução do povo, e, arquitectonicamente, seguem "a lógica funcional pragmática" que estava em voga na Europa, diz André Tavares. São edifícios com grande amplitude espacial na disposição ortogonal dos diferentes volumes funcionais. E estão ambos marcados por uma decoração reduzida ao elementar, mas muito eficaz.


Seguros A Nacional

Avenida dos Aliados

1919

A Avenida dos Aliados, aberta na segunda década do século após a demolição da antiga câmara, é demarcada a sul por dois edifícios monumentais encimados por duas torres-escultura. São ambos de Marques da Silva, que assim deixou também a sua assinatura na "sala de visitas" da cidade. O do lado esquerdo é a sede de uma seguradora, e é marcado por uma pujante docoração Beaux-Arts. São dois edifícios que aproveitam as virtualidades da nova tecnologia construtiva do betão armado que permitia apostar nesta filigrana decorativa. O interior também é muito cuidado, e este contém ainda um hall-galeria comercial (cafetaria, barbearia...) que fazia o espaço urbano entrar pelo edifício dentro. É "a arquitectura como obra total", diz André Tavares.


Jazigo de José Lopes Martins

Cemitério da Lapa

1921

A arquitectura religiosa e funerária foi também cultivada por Marques da Silva, que desenhou as igrejas de S. Torcato e da Penha, em Guimarães. Paralelamente, sempre se interessou pela arquitectura funerária. Em Paris visitou certamente os cemitérios, e em particular o de Père Lachaise, de onde, diz o especialista na sua obra, António Cardoso, trouxe a inspiração "para capelas de inumação ostentatória e gosto românico". Uma dessas capelas é a estrutura central do jazigo que fez para o seu sogro, na Lapa, e que se completa com uma sepultura do outro lado do passeio, criando um território onde cabem ainda dois bancos de pedra. "É trazer a lógica urbana da cidade dos vivos para a cidade dos mortos", diz Tavares.


Casa de Serralves

Rua de Serralves

1925-1943

É uma das últimas obras a que Marques da Silva tem o nome ligado, já que só no início dos anos 40 é que foi terminada a Casa de Serralves, para a qual o arquitecto fizera, a pedido do proprietário, o Conde de Vizela, um primeiro projecto de ampliação da velha moradia da família. Sabe-se agora que Serralves resultou da contribuição de múltiplos arquitectos e decoradores franceses, de Jacques Émile Ruhlmann a Charles Siclis, Jacques Gréber e Alfred Porteneuve. Mas Marques da Silva, que era uma espécie de "arquitecto de família", acompanhou a obra até ao fim, sendo, de algum modo, o responsável pela síntese coerente com ar de "modernismo temperado", diz André Tavares.

Artigo de Sérgio C. Andrade in Público

domingo, 18 de outubro de 2009

A obra de Marques da Silva


" O arquitecto dos edifícios-monumento

Teve tanta importância na configuração urbana do Porto no início do séc. XX como Nasoni no séc. XVIII. Viagem à arquitectura do autor da Estação de S. Bento, guiada por André Tavares

Se há um arquitecto que modelou a face do Porto no início do século passado, em particular a Baixa e as zonas de expansão da cidade após o rasgar da Avenida dos Aliados, ele é José Marques da Silva (1869-1947). Associamos a sua assinatura ao desenho da Estação de S. Bento e do Teatro São João, das sedes da seguradora A Nacional e do banco Pinto Leite, nos Aliados, dos edifícios dos Armazéns Nascimento e Conde de Vizela, entre as ruas de Santa Catarina e das Carmelitas. Mas menos conhecido é que lhe coube também projectar os liceus Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas, o bairro operárioO Comércio do Porto, na Constituição, e a Casa de Serralves ou, menos ainda, monumentos, igrejas e jazigos de famílias nos cemitérios da Lapa e de Agramonte.

O arquitecto e professor André Tavares compara a importância da obra de Marques da Silva no Porto nesta época com a que Nicolau Nasoni fez no período barroco. "Ele foi o protagonista da transformação da cidade, ao lado de Correia da Silva (1880-?), o arquitecto do Mercado do Bolhão e dos novos Paços do Concelho), e de Oliveira Ferreira (1884-1957), autor do edifício dos Fenianos do Porto e dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, por exemplo)", diz. E acrescenta que a intervenção de Marques da Silva na cidade vai bastante além das dezenas de obras que aqui projectou, prolongando-se também na arquitectura de muitos dos seus alunos na Escola de Belas-Artes (de que foi inclusivamente director em dois períodos, entre 1913-1929).

André Tavares, autor do livro Os Fantasmas de Serralves(Dafne Editora, 2007), é o responsável pelos conteúdos do mapa que a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN), a Fundação Marques da Silva e a Câmara Municipal do Porto acabam de lançar dedicado a José Marques da Silva, que está a ser divulgado com um programa de visitas guiadas que começou ontem.

O roteiro identifica 24 edifícios dentro do perímetro da cidade, mas a relevância da arquitectura de Marques da Silva não se esgota no Porto. "Seria preciso acrescentar-lhe, entre outros, os principais projectos de Guimarães - o mercado municipal (actualmente em risco de demolição), o edifício da Sociedade Martins Sarmento e a Igreja da Penha - para termos uma ideia mais completa sobre a sua obra", diz André Tavares.

José Marques da Silva nasceu no Porto e diplomou-se na Academia das Belas-Artes, ente 1882-89. Neste ano, vai para Paris frequentar a École National des Beaux-Arts, onde é aluno do mestre Victor Laloux (1850-1937) e onde, em 1896, conquista o ambicionado DPLG (um arquitecto "diplômé par le gouvernement" pode exercer profissionalmente a profissão, sem ter de passar pelo crivo das ordens profissionais).

Tradição e racionalismo

Na capital francesa, Marques da Silva absorve "uma cultura académica que alia os valores da tradição clássica com o racionalismo e esquemas de compromisso funcional mais adaptados à mecânica da vida moderna", escreve André Tavares na apresentação do mapa. Tratou-se, afinal, do aperfeiçoamento da formação que levava da escola do Porto, que bebia já da mesma tradição francófona.

No regresso à cidade natal, Marques da Silva vai logo poder aplicar o seu projecto de fim de curso na construção da Estação de S. Bento, para acolher o comboio que então acabava de chegar ao Porto. Com o tempo e o seu trabalho continuado, torna-se num dos arquitectos mais influentes, tanto junto do poder municipal como dos empresários (na altura dizia-se "capitalistas") e famílias que a ele recorrem para o projecto das suas casas e edifícios-sede.

André Tavares assinala "o papel muito interveniente" que Marques da Silva desempenhou na discussão técnica do projecto para a Avenida dos Aliados entregue ao arquitecto e urbanista inglês Richard Barry Parker (1867-1947), ligado ao movimento Arts and Crafts, e com o qual a Câmara queria afirmar o Porto como "a" cidade de serviços da Região Norte. "É interessante ver, nessa altura, a associação da racionalidade de construção promovida pelo arquitecto inglês, desenhar a partir da ideia muito óbvia das três janelas em grandes fachadas de vidro sobre uma estrutura toda muito homogénea, como vemos na Rua do Almada, por exemplo, com a intervenção de Marques da Silva e a sua cultura francesa, o seu gosto mais decorativo, com fachadas monumentais de pedra muito trabalhadas e requintadas". Uma influência que iria fazer mais doutrina na configuração futura da Avenida dos Aliados, como depois se pôde ver com edifícios como o do jornalO Comércio do Porto, de Rogério de Azevedo."

Artigo de Sérgio C. Andrade in Público

sábado, 17 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Concentração contra a transformação do Teatro Sá da Bandeira em hotel low-cost

"Cerca de 100 pessoas, entre os quais alguns actores de renome nacional, juntaram-se ontem à porta do Teatro Sá da Bandeira para impedir que vire um hotel de luxo. Exigem que a Câmara do Porto compre o espaço e o devolva à cidade.

Joel Branco, Carlos Quintas, José Raposo, Alexandre Falcão e Rita Ribeiro foram os actores que aceitaram ser o rosto de um movimento, criado na Internet, para garantir que o Teatro Sá da Bandeira continue a ser uma sala de espectáculos. "Se se fizesse um referendo à população, de certeza que a resposta seria que o Sá da Bandeira continue a ser teatro", assegurou Alexandre Falcão.

Os promotores do movimento dizem que foram informados pela imobiliária que está a vender o "Sá da Bandeira" por 5,5 milhões de euros de que existe um interessado em adquirir o espaço para o transformar num hotel de luxo. "Foi feita uma proposta à Câmara e esta não se manifestou", denunciou Francisco Alves, do Teatro Plástico, por entre gritos de protesto como "O Porto não é um buraco, queremos salas de espectáculo".

Para evitar que o "Sá da Bandeira" vire um hotel, os manifestantes exigem que a Autarquia classifique o interior do espaço. "Só o exterior está classificado. Por isso, nada impede que seja demolido e que apenas se mantenha a fachada", revelou Francisco Alves. "É ridículo classificar-se só a fachada", acentuou Joel Branco.

O segundo passo seria a compra do teatro pela Câmara. "Devia-se fazer-se o mesmo que se fez no Coliseu, que é um caso de sucesso", vincou Francisco Alves, convencido de que o Sá da Bandeira "é mais importante, do ponto de vista histórico, do que o Coliseu".

"A Câmara devia tomar conta do espaço e devolvê-lo à cidade", concordou Rita Ribeiro. "O Sá da Bandeira é a história do teatro do Porto", justificou Carlos Quintas, acusando: "Temos aqui, a uma escala mais pequena, um novo Parque Mayer". Daí que José Raposo tenha sido peremptório em defender que o teatro seja preservado."

in JN


P.S. - Já há uns meses tinha falado neste assunto e parece que finalmente se começa a acordar para esta triste história.
Pena é, que por distracção minha ou omissão da parte deles, não ouvi uma palavra dos vários candidatos à autarquia sobre tal atentado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jorge Palma - Olá (cá estamos nós outra vez)

Olá
sempre apanhaste o tal comboio?
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vicio da estrada
neste outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi á história
cá estamos nós outra vez

Conheço a tua cara
mas não sei o teu nome
escrevo já aqui
nao sei o quê arroba ponto com
eu vou-te reencontrar
noutro bar de estação
ou talvez quando perder mais um avião
o barco vai de saída
tu estás tão bronzeada
é tão bom ver-te assim
ardendo tão queimada

Quero reencontrar-te
noutra esquina qualquer
sem saber o teu nome
se ainda és mulher
quero reconhecer-te
e beber um café
dizer-te de onde venho
e perguntar-te porque
sorrir-te cá do fundo
e subir os degraus
eu quero dar-te um beijo
a cinquenta e tal graus

Sempre apanhaste o tal comboio
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vicio da estrada
neste outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez
cá estamos nós outra vez...