quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Festival de Artes do Palco - Eclipe Total

"O "encontro de sensibilidades" proporcionado pelo Eclipse Total - festival de artes do palco - já chegou ao Porto. Até 15 de Setembro, vários locais da cidade vão ser transformados em espaços intensivos de criação, formação e apresentação de trabalhos e performances preparadas por uma vasta equipa de criadores e produtores da associação cultural Eclipse Arte.
O Teatro da Vilarinha, o Parque da Cidade, a Estação de São Bento, as praças da Batalha e da Ribeira, as praias de Matosinhos e a Serra do Pilar, em Gaia, são os cenários eleitos para esta sexta edição do festival de artes performativas que, este ano, surge com uma novidade: o lançamento da Cine-TV Eclipse, uma plataforma digital que vai acompanhar, em tempo real, o desenrolar do festival.
"Além da Cine-TV, a novidade reside essencialmente nos espectáculos que vão ser apresentados", conta António Rodrigues, director artístico da Eclipse Arte. A peça O Mestre e o Discípulo vai ser, de acordo com António Rodrigues, "um dos pontos altos do festival". Este é uma peça que fecha o ciclo O Coração do Actor que a Eclipse Arte desenvolve desde 2006, tendo como tema central o Actor Santo.
António Rodrigues refere ainda que um dos aspectos positivos do festival é apostar "no lançamento de artistas emergentes", destacando nomes de Júlia Oliveira, que promete, no dia 5, despertar os sentidos do público com uma actuação "cantada e contada", de Giancarlo de Aguiar, responsável pela direcção de um workshop dedicado ao "desenvolvimento dos arquétipos representantes dos atributos humanos" que tem início no dia 8, e de Daniela Andana Ferreira, jovem bailarina que vai apresentar uma performance de dança.
Este 6.º Festival de Artes do Palco tem como lema Cada ser... uma só voz, numa tentativa de mostrar que é possível "agregar diversos artistas numa linguagem harmonizada", seja através da música, do teatro, do cinema ou da dança. "Esta é uma forma de enriquecer o público", esclarece António Rodrigues.
O Eclipse Total vai dar a oportunidade a jovens talentos de participarem no Estágio Internacional de Jovens Actores e Performers, na sequência do qual podem ser integrados na Eclipse Companhia de Arte"

in Público

terça-feira, 1 de setembro de 2009

JP Simões & Luanda Cozetti - Se Por Acaso



Tenho uma particular apetência para versões ao vivo, reinvenções, duetos...este está perfeito: interpretação, arranjos..poema!

domingo, 30 de agosto de 2009

Noites Ritual - versão caseira IV



(com o caro amigo Vítor agora numa sonoridade bem mais pop!)

sábado, 29 de agosto de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

Isabel Alves Costa


Hoje, o Porto perdeu uma grande figura da cultura da cidade, Isabel Alves Costa. A cidade deve-lhe muito, em particular pela brilhante acção desenvolvida no Teatro Municipal Rivoli, onde fomentou uma programação abrangente, diversificada, conquistando novos públicos, divulgando novas formas de arte,durante largos anos, isto antes do saque levado a cabo por Rui Rio e La Féria.
Nas minhas frequentes idas ao Rivoli era comum vê-la por lá, uma directora artística verdadeiramente presente. A ela devo o facto de apreciar Novo Circo, ao ter o "rasgo" de apostar nessa forma de expressão ao integrando-a na programação regular do Rivoli. Mas fica também na memória a única vez em que a vi em palco, que coincidiu com a sua última aparição em cena, dado que já há muito tinha enveredado pela vertente de programadora e dinamizadora cultural em vez de actriz. De qualquer forma, foi muito curioso assistir à encenação de Tio Vânia, onde participou e ter a oportunidade única de a ver do outro lado, no palco, por onde já não passava há largos anos.


Morreu Cavaleira das Artes (JN)

JP Simões - Tango do Antigamente

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Jorge Palma - O Centro Comercial Fechou


O centro comercial fechou

E a Maria vai viver a vida mais longe
Longe das ilusões
Em cima das situações
Perigosas

O Toino não morreu no mar
Acabou de adquirir um castelo na Escócia
Enfim, não é bem na Escócia
É uma cave sombria
Em Gaia

O passado já lá está
Raio de uma sorte cinzenta
E o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
Há que cuidar do aspecto
Fazê-lo parecer natural
Por mais que seja cruel não há ninguém que ajude

Ninguém nos ensinou a usar
Nada do que recolhemos pelo caminho
Perto das ilusões
Entre o amor e as razões
Perversas

O passado já lá está
Raio de uma sorte cinzenta
E o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
Há que cuidar do aspecto
Fazê-lo parecer natural
Por mais que seja cruel não há ninguém que ajude

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Moby no Parque da Cidade

O concerto de Moby no Parque da Cidade do Porto, terá lugar no dia 12 de Setembro.
Bilhetes a 15 euros (venda antecipada) e 20 euros (no próprio dia).

Como já vem sendo hábito, muito provavelmente mais um concerto a perder...


terça-feira, 4 de agosto de 2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Bisturi - nova companhia de teatro no Porto

"O Porto viu nascer mais um grupo de teatro. Saído das fileiras da Academia Contemporânea do Espectáculo, o Bisturi integra dez elementos cheios de vontade de fazer coisas. A estreia teve a chancela da Palmilha Dentada.

"Espera aí que eu quero falar contigo" foi o espectáculo com que sete elementos do Bisturi fizeram a sua prova de aptidão profissional. Apresentaram-no no Teatro do Bolhão, durante uma curta carreira, e acreditam ter um núcleo sólido. "A opção foi esta: em vez de sermos free-lancers e de andarmos de casting em casting, decidimos juntar-nos e formar um grupo em que todos tivessem oportunidade de trabalhar", diz Cátia Guedes, de 21 anos.

Ao lado de Cátia, estão Inah Santos, Pedro Roquette, Tiago Araújo, Catarina Campos Costa, Joana Neto Brás e André Loubet. A eles se juntam ainda Ana de Jesus, Carlos Gonçalves e Rita Lagarto, os três que fizeram a prova de aptidão com outra peça, pela mesma altura, mas no Palácio Conde do Bolhão. São estes os mosqueteiros do Bisturi. As idades vão dos 17 aos 24. Os sonhos, até onde calhar. Sobre o nome do grupo, cabe a Tiago dar a explicação: "Não sei se significa bem um corte. É mais uma abertura para uma renovação. Não queremos criar uma ruptura, mas criar uma renovação. Somos pessoas muito jovens e o que pretendemos é dar uma onda de jovialidade e frescura ao teatro da cidade". Diz ainda que "é raro haver jovens a dar a cara", para logo acrescentar: "Nós demos esse passo".

Este núcleo de jovens actores funciona como uma base, a partir da qual se traçam dois objectivos. "Continuar com coisas individuais e também reunir o grupo para partilhar coisas que levem a bons espectáculos ou, pelo menos, a espectáculos que sejam nossos", acrescenta Tiago. "Estamos a ver isto também como uma forma de lutar por aquilo com que nos identificamos", atalha Inah.

Em suma, cada um pretende fazer uma especificação e depois levá-la para o colectivo. Ideias não faltam: clown, marionetas, dança contemporânea, trabalho de voz, música e teatro físico são algumas das áreas que querem explorar individualmente. "Quanto mais rico for o leque, mais interessante pode ser o cruzamento", afirma Catarina, que não esconde o desejo de continuar a sua formação em Paris. Tal como André, para quem o Bisturi nasceu como forma de "conciliar vontades com aquilo que a cidade precisa".

Da parte da escola que os formou, os elementos do grupo contam com mais do que uma palavra de encorajamento. "É importante que percebam que podemos apoiá-los, cedendo-lhes, por exemplo, espaços para ensaios, para representar e equipamentos a custos e condições muito especiais", garante Pedro Aparício, que assume, com António Capelo, a direcção da Academia Contemporânea do Espectáculo. Nos últimos anos, dali saíram quatro companhias que se mantêm no activo: As Boas Raparigas, Teatro Bruto, Teatro Plástico e, mais recentemente, Teatro da Didascália. Agora, aparece o Bisturi. Sobre o nascimento do novo grupo, Pedro Aparício afirma: "É muito corajoso pretenderem lançar um projecto num contexto profundamente precário". E o que pode a academia fazer? "Ajudá-los a ter pernas para andar", conclui."


Artigo de Isabel Peixoto in JN

segunda-feira, 27 de julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Gotta Travel On



aindaaa a noite de 15/16 de Julho!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Labirintho

"Espaço de referência da noite do Porto abre sexta-feira com cara nova e actividades diurnas.
Para além do bar, há agora uma livraria e mais espaços para actividades culturais.

O nome resultou de leituras de Jorge Luis Borges, há já 21 anos. Desde então, o Labirintho tornou-se uma referência da noite do Porto de pendor mais cultural (acolheu sempre exposições e concertos, por exemplo). A partir da próxima sexta-feira, o espaço surgirá remodelado e com novas características. O Labirintho quer agora figurar também nos roteiros de quem usufrui da cidade durante o dia.
O Labirintho já era um bar e é agora também uma livraria dedicada à poesia, teatro, cinema e música. As portas do número 334 da Rua de Nossa Senhora de Fátima, junto à Rotunda da Boavista, passam a abrir às 16h e já não às 22h (a hora de fecho é a mesma: 4h). A partir de Setembro, a componente diurna do Labirintho será reforçada: passará a funcionar a partir das 12h.
"Agora sim é que é o Labirintho concluído", diz José Carlos Tinoco, o proprietário, com 57 anos, arquitecto e uma figura conhecida da noite, rádio e cultura feitas no Porto. Ontem, durante a conversa com o PÚBLICO, as obras ainda decorriam: na livraria, ainda estavam por preencher as sete prateleiras e ultimavam-se pormenores na nova marquise exterior, cercada pelo jardim ("um pouco selvagem - é assim que o quero") que já era uma das marcas registadas do espaço.
Era este o "sonho" que José Carlos Tinoco imaginava há pelo menos 15 anos. O projecto, nascido numa casa de família, "não muda", apenas aprofunda-se e enriquece-se: "é uma extensão das nossas salas de estar. Podemos produzir, dar corpo a algumas ideias, criar polémica". "Sou um noctívago, mas para ler, escrever, estar com as pessoas", esclarece.
A livraria surge como "grande alavanca" do Labirintho, "não pelo volume de negócios, mas pela oferta diversificada e pelo contacto directo com autores, críticos e público" que permitirirá. "Vamos ter muitos livros que não existem no mercado", garante o proprietário, ele próprio um diseur de poesia, que espera ver no Labirintho "um grande espaço de tertúlia".
Pecadillos e monólogos
A contribuir para a filosofia de "sala de estar" haverá petiscos. José Carlos Tinoco baptizou-os de pecadillos, neologismo que funde os espanhóis bocadillos com "pequenos pecados da gula". No entanto, ressalva, o Labirintho "não é um restaurante". A marquise exterior será um espaço privilegiado para provar os "pecadillos, enquanto se assiste a leituras de poesia, lançamentos de livros, conferências, debates ou espectáculos de música.
Outra novidade é o palco "minúsculo" na zona de bar, onde haverá espectáculos de música com formações reduzidas e monólogos. No próximo ano, o Labirintho quer acolher um festival focado nos monólogos, forma de teatro que José Carlos Tinoco considera ter pouco espaço. O Dia Mundial da Poesia de 2010 será celebrado com 24 horas ininterruptas de poesia e música. Para além do novo palco, o bar foi apenas pintado. A galeria de exposições, à entrada do Labirintho, mantém-se e abrirá também portas para ciclos de cinema de autor.
Na próxima sexta-feira, a partir das 16h, inaugura-se a exposição Paisagens do silêncio e uma instalação de Renato Roque. À noite há música a cargo dos 7 Magníficos. Sábado, às 17h, haverá o primeiro lançamento, o do livro Amor, Cittá Aperta, de Danyel Guerra, leituras de poesia e a antestreia do "croniconto" O Trabantáxi de Berlim"

Artigo de Pedro Rios, in Público

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Wild Rover



mais um momento da noite...!

domingo, 19 de julho de 2009

Rolling Stones - Wild Horses



mais uma recordação da longa noite:)

sábado, 18 de julho de 2009

Qualquer coisa pá música

O início de uma longa noite inesquecível...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Olga Roriz no Museu da Quinta de Santiago - Interiores



"Este projecto parte de uma encomenda da Câmara Municipal de Matosinhos para uma nova criação da Companhia.

Com as características de um site-specific, a criação decorrerá durante a residência de, aproximadamente, 1 mês na casa Museu Quinta de Santiago.

Nesse mês de residência iremos habitar esse local vivendo as suas características específicas e utilizando o seu cenário natural para aí criar e apresentar uma série de 11 espectáculos.

Este será o 4º projecto site-specific da Companhia após Felicitações Madame I, II e III em 2005 e 2006, os quais tiveram uma enorme repercussão e sucesso públicos e que deixaram uma marca muito forte a toda a nossa equipa, tanto artística como de produção."


Site Oficial

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Pina Baush



1940-2009

sábado, 4 de julho de 2009

António Variações por Humanos - Estou Além

Não consigo dominar 
Este estado de ansiedade 
A pressa de chegar 
P'ra não chegar tarde 

Não sei de que é que eu fujo 
Será desta solidão 
Mas porque é que eu recuso 
Quem quer dar-me a mão 

Vou continuar a procurar 
A quem eu me quero dar 
Porque até aqui eu só: 
Quero quem quem eu nunca vi 
Porque eu só quero quem 
Quem não conheci 
Porque eu só quero quem 
Quem eu nunca vi 
Porque eu só quero quem 
Quem não conheci 
Porque eu só quero quem 
Quem eu nunca vi 

Esta insatisfação 
Não consigo compreender 
Sempre esta sensação 
Que estou a perder 

Tenho pressa de sair 
Quero sentir ao chegar 
Vontade de partir 
P'ra outro lugar 

Vou continuar a procurar 
A minha forma
O meu lugar 
Porque até aqui eu só: 
Estou bem aonde eu não estou 
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou 
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir 
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem 
Aonde eu não estou

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O melhor do cinema no último ano no Teatro Campo Alegre



Inicia-se no próximo dia 9 de Julho o já habitual ciclo de cinema da Medeia Filmes, com os melhores filmes estreados entre Junho de 2008 e Junho de 2009.
Este ciclo decorrerá até 31 de Julho, tendo continuidade a partir do dia 1 de Setembro até 31 do mesmo mês.
Programação completa aqui.

terça-feira, 30 de junho de 2009

"Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê..."

Jorge Palma in Qualquer Coisa Pá Música (1979)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mercado Porto Belo na Praça Carlos Alberto


Uma boa ideia que contribuirá para esta nova dinâmica que vai emergindo na cidade: Mercado Porto Belo, todos os sábados até final de Setembro.

(a história de colar o nome ao mercado londrino era dispensável)


terça-feira, 23 de junho de 2009

Três Tristes Tigres - Zap Canal

Um dos meus discos de sempre: Guia Espiritual

domingo, 21 de junho de 2009

Yann Tiersen - La Terrasse

Ao comprar bilhete para ver pela primeira vez Yann Tiersen fui (como muita boa gente) à espera daquelas sonoridades "bucólicas" resultado da excelente banda sonora do Fabuloso Destino de Amelie, etc e tal. Mas Yann Tiersen revelou-se uma surpresa muito agradável, ou seja, além dessas sonoridades já conhecidas, havia muito mais a descobrir. Esta música é sem dúvida a minha preferida, ao vivo é fantástica!


quinta-feira, 11 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Rua de Santa Catarina

"Do requinte do Magestic à francesinha do bufete Fase numa das ruas mais caras do país

Fomos desde a Praça da Batalha até ao Marquês para descobrir a outra face de uma artéria que só é concorrida durante 500 metros, e que por isso tem alguns segredos a desvendar

Falar na Rua de Santa Catarina
é falar em comércio. Um estudo da consultora imobiliária Cushman & Wakefield/Healey & Baker, relativo a 2005, considerava-a a segunda rua comercial mais cara do país, apenas atrás da Baixa de Lisboa, com o metro quadrado a custar, em média, 756 euros por ano. "É uma rua fantástica, pode--se vender quase tudo. É única na cidade, tem sempre gente, de Verão ou de Inverno", disse ao PÚBLICO Lurdes Caldas, uma das comerciantes autorizadas a manter uma pequena banca móvel, com bugigangas, no passeio. Os lojistas queixam-se da crise e do metro (que estará a desviar pessoas para o eixo Sá da Bandeira-São Bento), mas marcas de referência como a Zara, a Benetton e a Swarovski têm aqui poiso. No caso da cadeia espanhola, esta foi mesmo a sua primeira loja no estrangeiro.
A FNAC é outra âncora da artéria, mas como o objectivo é fazer um roteiro alternativo vamos ignorar o seu conteúdo e tomar o espaço como início de um percurso arquitectónico e artístico. O edifício que a marca ocupa, a meias com a C&A, foi gizado pelo arquitecto Marques da Silva e a fachada permanece conservada. Mais à frente está o inevitável café Majestic, cuja decoração actual reproduz a que existia na abertura, a 21 de Dezembro de 1921. O projecto, do arquitecto João Queirós, tem claras influências de Arte Nova. Aqui se reuniram intelectuais como Teixeira de Pascoaes, José Régio, António Nobre e Leonardo Coimbra. O centro comercial Via Catarina também merece uma menção: durante décadas, a sede d'O Primeiro de Janeiro foi nesse local, mas só a fachada se mantém. Na porta de entrada dos Edifícios UAP/Galeria de França há uma curiosa obra de Júlio Resende, datada de 1975.
A culminar este circuito, chegamos à cooperativa cultural IMERGE, no número 777, já fora da zona mais comercial do arruamento. No piso de entrada avista-se artesanato urbano e produtos de autor, bem como um pequeno espaço de cafetaria, mas esta é apenas a ponta do iceberg. A associação desenvolve oficinas de criação e projectos culturais para entidades externas (em áreas que vão da arquitectura às artes performativas), mas tem como "menina dos olhos" o Regenlab, um laboratório de regeneração urbana baseado em "microacções". O troço da rua onde se insere não é por acaso. "Pensamos que aqui pode ser o fecho do circuito criativo, uma espécie de rectângulo com Passos Manuel, Cândido dos Reis e Miguel Bombarda", explica Susana Milão, uma das fundadoras da IMERGE. Na sequência deste trabalho, já foram ocupados espaços devolutos das redondezas, nomeadamente as montras da antiga casa da Cerâmica Lusitânia. "Poucos sabem, mas é da autoria do arquitecto Cassiano Branco", salienta. Na cave, realizam-se regularmente eventos.

Os segredos

Chegamos ao cruzamento com a Rua de Gonçalo Cristóvão e parece que começa uma nova artéria, menos bonita, com muito menos comércio. Porém, aqui também há que contar. Comecemos pelo bufete Fase. Podíamos dizer que é uma espécie de segredo, mas é, no máximo, um segredo mal guardado: uma grande parte dos apreciadores de francesinhas conhece bem este exíguo espaço, com apenas cinco mesas. Há 25 anos que José Menezes Pinto confecciona a especialidade à vista de todos, mas, segundo diz, ainda ninguém conseguiu imitar o seu molho, cujo segredo é "fazer muito e cozer muito". Por incrível que pareça, o cozinheiro jura a pés juntos que "nunca provou uma francesinha" e que confia no paladar da filha para fazer os acertos na receita. "Não gosto de queijo aquecido", justifica, de forma desarmante.
Na mesma zona, a coroar a multiculturalidade da rua (onde há lojas de chineses e indianos e um cabeleireiro africano) está o bufete Jobel. É um pequeno bar, propriedade de Gastão Carvalheira, português que emigrou para o Brasil com um ano de idade. Por todo o lado há garrafas, e muitas delas são de bebidas importadas do "país irmão", com nomes tão peculiares como Suor da Mulata, Caninha Nabunda ou aguardente Corno Manso. "Ao fim-de-semana, muitos brasileiros radicados cá e mesmo em Espanha juntam-se aqui", conta o proprietário. Outra recomendação vai para a bijutaria de Estrela Leal, uma antiga funcionária bancária que começou a fazer peças há cinco anos, de forma "compulsiva", sem qualquer passado nessa actividade.
Fechamos com um regresso à casa de partida, junto à Praça da Batalha: a Livraria Latina, orgulhosamente "generalista e independente", como garante o proprietário Henrique Perdigão, merece sempre uma visita. Se puder, dê ainda um salto ao salão de chá Império - a cumprir 65 anos - e encha a barriga com os famosos rissóis."

Artigo de João Pedro Barros in Público


sábado, 6 de junho de 2009

Brad Mehldau

Uma linda noite na Casa da Música a 11 de Fevereiro de 2006, numa das últimas filas...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Jeremias, O Fora da Lei

Nada melhor d' O Fora da Lei aniversariante!

Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram

Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar

Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação

Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora


Jorge Palma in Lado Errado da Noite (1985)



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Rua da Fonte Tourina


"Está-se bem na Ribeira!


Esta rua fulcral da História do Porto está repleta de restaurantes e de bares, mas não perdeu a autenticidade.

A Rua da Fonte Taurina é uma das mais antigas do Porto, datando pelo menos do século XIII. A fonte que lhe dá o nome já não existe, mas ainda está de pé o Postigo do Carvão, o único das 18 portas e postigos da Muralha Fernandina - construída no século XIV - que ainda resiste, ligando-a ao Cais da Estiva. Por aqui entrava o combustível que ficava guardado nos armazéns do arruamento e isso permite-nos imaginar o movimento que existiria há séculos atrás. Nos dias de hoje, a estreita artéria tem vários bares e restaurantes e é muito vocacionada para turistas. É verdade que há a lamentar o encerramento do Aniki Bóbó (um bar que fez história no meio artístico da cidade, durante 20 anos) e o decréscimo nocturno na Ribeira, mas esta rua ainda é uma referência incontornável. Talvez isso se deva à sua autenticidade: muitos habitantes partiram, mas resistem algumas dezenas que lhe dão um colorido especial. Há lençóis a secar nas varandas, portas escancaradas para o interior das habitações e conversas entre vizinhos e comerciantes que se conhecem há séculos. E a ginjinha e os traçadinhos do Está-se bem permanecem como os mais famosos da cidade.
António Pinto, de 41 anos, nasceu e foi criado em pleno Postigo do Carvão. Tem agora a seu cargo o restaurante Ora Viva, em plena Rua da Fonte Taurina, a poucos metros do local de nascimento. Na memória retém as noites de S. João, em que os habitantes "assavam e ofereciam" sardinhas, ao "rico e ao pobre". A prática, outrora frequente, perdeu-se: "Agora é raro assarem sardinhas à porta", lamenta. Porém, na ementa do Ora Viva não falta a sardinha e outros peixes, como o robalo e a dourada. A cozinha tradicional portuguesa é dominante e por isso não espanta que os pratos de carne mais populares sejam as tripas, o cabrito assado ou os rojões. No interior simples e com paredes em pedra destaca-se a presença de notas dos mais variados países, deixadas por clientes. Entre as mais invulgares, contam-se um dong vietnamita e um dólar de Hong Kong.
Já falámos de autenticidade e por isso não é surpresa constatar que não há grandes alternativas à gastronomia tradicional. Nesse sentido, o Postigo do Carvão é outro restaurante típico que podemos recomendar. O proprietário, Alexandre Osório, diz que é um local de "comida feita para portugueses, mas onde também se recebem estrangeiros". O espaço, construído em pedra e com belos pilares em ferro, já terá pelo menos 400 anos. Da cozinha, visível da sala de jantar, sai um bacalhau com broa muito recomendável, entre outras opções. O preço médio ronda os 15 euros e aos fins-de-semana há música ao vivo.

Traçadinhos e ginjinhas

Um dos estabelecimentos mais carismáticos da rua é o Está-se bem, um pequeno bar/tasca, famoso pelos traçadinhos - já se escreveu que ajudam à "mecânica da mente" - e ginjinhas, a 80 cêntimos. Grande parte deste carisma é transmitido pelo jovial casal que está atrás do balcão, Adriano Ferreira e Maria do Carmo, que mantêm a receita destas especialidades no segredo dos deuses (se bem que a base do traçadinho seja sempre a aguardente). O Está-se bem existe desde 1991, e Adriano Ferreira orgulha-se de muitos relacionamentos terem ali começado: "Houve uma menina da Madeira que começou a namorar cá. Fui o primeiro convidado para o casamento", conta. Aliás, o proprietário admite que "gosta mais" dos jovens do que das pessoas com 50 ou 60 anos. Mas o álcool também tem outros efeitos e o casal lembra-se, por exemplo, de os suíços Young Gods terem ali apanhado uma "bebedeira de bagaço", em meados dos anos 1990.
Há mais sítios na rua onde tomar uns copos. Mesmo ao lado do Está-se bem encontra-se o Ribeira Negra e uns passos à frente está o Porto Feio, propriedade do fotógrafo e pintor Feio, que o define como "uma galeria de arte onde se vai beber". O vinho do Porto é a grande especialidade da casa, aberta às quintas-feiras, sextas e sábados.
Já quase na Praça da Ribeira está O Cais, um bar com ar de pub inglês onde se pode provar uma das melhores sangrias da cidade. Para lá de caipirinhas, mojitos, cervejas Guinness e irish coffees também há petiscos recomendáveis, como fatias de pizza e bola caseira. Merece ainda destaque a Vinhos de Quinta, um espaço da Associação dos Viticultores e Engarrafadores dos Vinhos do Porto e Douro, que reúne pequenos produtores independentes. Aqui, num espaço acolhedor, é possível adquirir ou degustar vinhos a preços de quinta, incluindo reservas e colheitas seleccionadas.
A Rua da Fonte Taurina é um exemplo da beleza do Porto mais sombrio - há quem a considere, por graça, a mais fria da cidade - e tradicional. No dia em que os automóveis deixem de ocupar metade da sua largura, essa condição será ainda mais evidente."

Artigo de João Pedro Barros in Público


Nota: muitas, muitas, muitas noites bem passadas no Está-se Bem!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Périplo de Miguel Portas

Miguel Portas, que para mim é um ímpar conhecedor das civilizações do Médio Oriente e Mediterrâneo, lançou há dias esta obra com textos da sua autoria e fotografias de Camilo Azevedo. Esta parceria surge em consequência da série documental "Périplo - Histórias do Mediterrâneo" na qual nos guiou por vários lugares e histórias marcantes para o mundo moderno, no Mediterrâneo.




Já agora, a Feira do Livro do Porto abriu hoje as portas e assentou arraiais na Avenida dos Aliados, onde espero que continue durante longos anos.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Rua do Almada


"Passou a moda, mas ficou muita música


A antiga rua do comércio de ferragens renovou-se com o aparecimento de várias lojas alternativas e dedicadas à cultura urbana. Porém, o processo tem sofrido alguma estagnação.

"A Rua do Almada já não é o que era." Eis uma frase que ouvimos aos comerciantes tradicionais, maioritariamente dedicados às ferragens e afins, e aos jovens que aqui abriram negócios alternativos nos últimos anos que coexistem saudavelmente, e em complementaridade com os espaços mais antigos. Obviamente, os lojistas mais recentes proferem aquela frase com um sentido diferente: depois da moda da Rua do Almada ter atingido o auge há três anos, com a abertura de vários espaços, a agitação abrandou. Por exemplo, fechou o Espaço 555, que funcionava primordialmente como galeria de arte e cafetaria. Até a atenção da comunicação social diminuiu. "Houve uma altura em que vinham fazer reportagens quase todos os dias", disse-nos Mariana Faria, da Zona 6, o único local do país onde se pode gravar vinil à unidade, a partir de um suporte digital.
No entanto, o clima não é depressivo, porque ainda acontecem aqui muitas coisas, especialmente no campo da música. Nesta artéria há quatro lojas de discos e dois estabelecimentos (Casa Guimarães e Castanheira) dedicados aos instrumentos musicais, que convertem a rua num centro inevitável para os melómanos e artistas da cidade.
De resto, a Rua do Almada sempre teve um cunho progressista: o seu nome deve-se a João de Almada e Melo, governador do Porto que liderou uma revolução urbanística durante o século XVIII. Após a sua morte, em Outubro de 1786, o seu filho Francisco de Almada tomaria as rédeas, prosseguindo a modernização.
Os Almadas foram responsáveis pelo primeiro arranjo urbanístico e viário da cidade e pela sua expansão para norte, na qual se inseriu a Rua do Almada. A artéria, que surgiu como continuação da anterior Rua das Hortas e começou a ser construída em 1761, é considerada a primeira grande rua aberta fora das muralhas. Tornou-se depois centro de comércio e lugar de habitação de famílias aristocráticas, tendo nela vivido Ana Plácido, a mulher que levou Camilo Castelo Branco à prisão.
No presente, a história da rua também é a história de Miguel Barbosa, que a conhece desde miúdo, quando vinha "comprar ferragens". Muitos anos depois de ter começado a desenhar e construir peças em acrílico, criou aqui o seu atelier e elogia o "espírito de aldeia" reinante entre vizinhos.
Comecemos uma visita guiada no sentido ascendente, da Rua dos Clérigos até à Praça da República. No número 63 está, desde a década de 1940, a fábrica da confeitaria Arcádia. Na sua entrada funciona uma loja onde as amêndoas de várias formas e feitios e as clássicas línguas de gato de chocolate são dois ex-líbris. Mais acima está o supermercado Troika, que vende vários produtos do leste da Europa, desde conservas ate matrioskas, as tradicionais bonecas russas.

O império do vinil

Quase em frente está a loja de discos Louie Louie, que divide o espaço com a Embaixada Lomográfica. Num antigo local de trabalho de ferreiros - onde ainda funciona um carrinho que se move sobre carris, entre as traseiras e a porta da loja -, misturam-se as exposições fotográficas e a música. Os CD usados e em nice price (entre 5 e 10 euros) são a maior aposta, ao lado do vinil, formato em que a Louie Louie disponibiliza as últimas novidades.
O vinil, cuja importância tem vindo a ressurgir, é uma das marcas da artéria. O expoente máximo é a Zona 6, que funciona ainda como loja de discos (focando-se no drum & bass, dubstep e reggae) e de equipamento e acessórios para DJ. A Lost Underground é outra alternativa onde o suporte vinil tem bastante peso. Aqui também se compram e vendem artigos usados, sendo que os géneros mais representados, no âmbito de um catálogo generalista, são o metal, o punk e o rock & roll. Já perto da Praça da República, a Retroparadise tem uma extensa oferta, exclusivamente em vinil, focando-se no soul, funk e jazz dos anos 60 e 70. A principal área de negócio era a roupa em segunda mão, mas agora só é possível visitar o armazém por marcação. Em jeito telegráfico, refira-se a Maria Vai com as Outras (com exposições, eventos, livros e artesanato), a Casa Almada (dedicada a móveis, iluminação e objectos de design dos anos 1950-70, mas também com roupa e acessórios no piso superior) e as francesinhas do Café Pontual, das mais elogiadas da cidade.
Dissemos que não têm aberto muitos estabelecimentos nos últimos tempos, mas há pelo menos uma novidade: a Retrato do Que Vejo, no número 415, tem cerca de quatro meses. Aqui encontra-se artesanato urbano - por exemplo, bonecas de trapo - e vestuário diversificado. Mais uma prova de que há muito para descobrir na artéria é o evento Alma da Rua, que se realizou pela primeira vez no ano passado e que terá nova edição a 20 de Junho. Durante esse dia, as lojas ditas modernas mantêm-se abertas entre as 12h e as 24h, com promoções e actividades culturais."

Artigo de João Pedro Barros in Público

sábado, 23 de maio de 2009

Andrew Bird - Nervous Tic Motion



24/25 Maio - Cinema S. Jorge, Lisboa

26 Maio - Theatro Circo, Braga

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sérgio Godinho - Espalhem a Notícia


Já cá faltava este senhor!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

i


Chegou hoje ás bancas o novo jornal diário.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Rua de Mouzinho da Silveira

"A artéria que os turistas percorrem a caminho da Ribeira do Porto


Os visitantes estrangeiros são a principal fonte de animação da rua e é a eles que são dedicadas as várias lojas de artesanato e recordações da zona


Não vale a pena escondê-lo: a Rua de Mouzinho da Silveira é uma sombra do que já foi. Por entre belas fachadas do século XIX, há prédios devolutos e lojas fechadas. Porém, até meados do século XX, este era um dos principais núcleos comerciais do Porto, no tempo em que a actividade comercial estava virada para o rio. Aliás, a sua abertura, em 1875, deveu-se precisamente ao intenso tráfego que se registava entre a zona ribeirinha e o centro da cidade, que tinha como alternativa a paralela (e mais estreita) Rua das Flores. Mais de 80 parcelas de habitações, incluindo algumas de herança medieval, foram demolidas. Para se perceber a dimensão da mudança urbanística, refira-se que foram arrasadas duas capelas, vestígios da antiga muralha fernandina e até pontes. Não parece, mas por baixo da artéria há água a correr: as obras conduziram ao encanamento do rio da Vila, ainda hoje presente na toponímia da zona.

Nos dias de hoje, são os turistas quem mais calcorreia a rua, no inevitável percurso rumo à zona histórica da Ribeira. Por isso, uma parte do comércio adaptou--se às suas necessidades e as lojas de artesanato e pequenas recordações têm vindo a crescer.A Prometeu é a mais interessante: o tecto está coberto de desenhos de flores e todo o espaço evidencia um colorido contagiante.Aqui há artesanato português, especialmente do Alentejo e do Norte do país: presépios, azulejos, porta-retratos, brincos, colares e louça são alguns dos artigos. Em Dezembro, no número 112, abriu a 3Pro, onde há desde t-shirts humorísticas a guardanapos com a face de Barack Obama estampada numa nota de dólar.
Ao longo do século XX, esta rua teve grande importância no abastecimento das áreas rurais circundantes, nomeadamente em termos de sementes e equipamentos agrícolas. A explicação para tal é simples: os lavradores deslocavam-se de comboio até ao Porto, pelo que as imediações da Estação de São Bento eram a localização ideal. Desses tempos, ainda restam estabelecimentos como a Alípio Dias & Irmão, também denominada A Sementeira. É um negócio familiar, que abrange desde árvores de fruto a artigos de jardinagem. Para Victor Dias, um dos sócios, são os conhecimentos dos funcionários que garantem a prosperidade: "A nossa sorte é que nas grandes superfícies ninguém percebe nada disto". A Moysés Cardoso & C.ª é outra casa histórica no ramo da batata de semente e dos produtos fitofarmacêuticos.
Ainda mais antiga (data de 1850) é a Casa das Rolhas, especializada em produtos de cortiça. A Galerias de Vandoma, dedicada à compra e venda, leilão e avaliação de antiguidades está presente na rua desde 1974. Ana Luz, gerente e única pregoeira mulher em Portugal, representa a quarta geração da família no ramo. No meio de tanta história, também há um sector cosmopolita e moderno, já perto da Rua do Infante Dom Henrique, que inclui as lojas Causaefeito, de decoração de interiores, e WESC, Icon e Paula Costa, dedicadas ao vestuário.
O passeio gastronómico na artéria começa no restaurante Arroz de Forno, no número 203, dedicado à cozinha tradicional portuguesa. O ex-líbris é o cabrito - com o obrigatório arroz de forno -, preparado à moda do Alto Douro. Descendo para a Ribeira, segue-se o Solar do Pátio (uma casa restaurada do século XVII), que fica no bem conservado Pátio de São Salvador. A ementa limita-se a quatro pratos: bacalhau espiritual, bacalhau com broa, arroz de pato e rosbife, aquele que merece a nossa recomendação. O ambiente é familiar (cabem no máximo 40 pessoas) e, por vezes, há música ao vivo. Mais abaixo, o Grémio dos Leitões serve os bácoros assados em forno a lenha, entre outros pratos.
O segredo mais bem guardado desta rua é a Capela do Senhor Salvador do Mundo. A sua origem remonta ao final do século XVI, mas a capela passa quase despercebida, devido à arquitectura modesta da fachada. A entrada está habitualmente encerrada e o espaço serve principalmente de capela mortuária à Igreja de São Nicolau.
A atribuição do nome de Mouzinho da Silveira a esta artéria foi uma homenagem da autarquia ao reformador liberal e herói do Cerco do Porto (1832-1833). Agora, a maior batalha a travar é a da reabilitação urbana, e nem por acaso está aqui a sede da sociedade Porto Vivo. Para além da recuperação, em curso, de vários edifícios, também se falou na reintrodução do eléctrico, ligando a linha 1 até à Estação de São Bento. Por ora, é preciso descer até à Igreja de São Francisco para o ver passar."

Artigo de João Pedro Barros in Público

domingo, 3 de maio de 2009



Obviamente, foi lindo!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Teatro Sá da Bandeira à venda



Já ando para dissertar sobre isto há algum tempo e não passa de hoje:

Desde há 3 ou 4 meses que o Teatro Sá da Bandeira no Porto, um dos mais antigos da cidade, está à venda. A grande surpresa é que poderá ser vendido para qualquer fim!! Ou seja, pode vir a ser um edifício de escritórios, bloco de apartamentos, hotel...etc e tal...desde que, se mantenha a fachada! Não querendo dizer que a fachada deve vir abaixo, entendo eu que a mesma é o que menos interessa. Tendo em conta o contexto, é mais que óbvio que a fachada deve ser património a proteger, mas mais património ainda será o INTERIOR e aquele magnífico teatro " à italiana".
Na comunicação social pouco tenho lido e visto sobre o assunto, por responsáveis políticos...ZERO...por personalidades da cidade...quase nada. Estou para ver se quando efectivamente for vendido para algum fim que não seja o natural (teatro, cinema, dança), alguém acorde para o absurdo da situação...eventualmente tarde demais, como se a cidade tivesse um excesso de espaços com esta importância
A solução poderia ser bastante "simples": o senhor La Féria desamparava a loja do Rivoli, e o Rivoli voltava a ter a função de teatro municipal, onde o Estado cumpriria a sua função de assumir uma programação abrangente e diversificada, albergando várias formas de artes performativas em vez da programação monotemática, e o La Féria gastava dinheiro do seu bolso, comprando o Sá da Bandeira, requalificando-o, à semelhança do que se passou com o Politeama em Lisboa (bem, a meu ver). Claro que idealmente, dispensava que o La Féria fosse para o Sá da Bandeira, mas antes isso do que a demolição que parece ser uma forte possibilidade.
Já agora, seria interessante saber o que a candidata do PS à Câmara Municipal do Porto tem a dizer sobre o assunto, se é que já pensou sobre ele.
Para concluir, e voltando atrás, como é possível que legalmente haja a possibilidade de mandar abaixo aquele teatro? (ok...a fachada fica...)

domingo, 26 de abril de 2009

Leonard Cohen - Suzanne



(mais uma revisitação feita por Jorge Palma com muita alma ao piano, no passado dia 17...e o resultado foi muito bom!)

sábado, 25 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Jorge Palma - Mifá




Mifá
É de um comboio que eu te escrevo,
Mifá
São os teus olhos que eu levo,
Mifá
Dentro dos meus
Vê lá tu

Mifá
O amor nem sempre é brincadeira,
Mifá
Quer a gente queira ou não queira,
Mifá
As coisas são mesmo assim

E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo

Mifá
Não vou soluçar por ti,
Mifá
Mas tenho um espaço vazio aqui,
Mifá
No meu coração
Vê lá tu

Mifá
Solamente una
Dói se pensarmos que
Isto é o fim
Mas resta sempre
Alguma coisa

E toda esta conversa
É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho

Por esses momentos em que eu

Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo

E toda esta conversa

É só por tu teres vindo comigo
Por termos conseguido chegar juntos ao ninho
Por esses momentos em que eu
Não fui sózinho
Mas depois foi a bagagem
E o inevitável adeus do caminho,
Mifá
Tem cuidado contigo


Jorge Palma in Acto Contínuo (1982)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bob Dylan - Like a Rolling Stone



E mais um clássico presente no concerto de Jorge Palma no sábado passado. É verdade que sou suspeito mas confesso que prefiro ouvir este tema em especial pela voz do Jorge do que na Dylan.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Rua da Torrinha

"Há novidades para descobrir por entre as várias lojas de antiguidades

Os jogos da Devir Arena, os bolos do Doce Ritual e a bijutaria da Tempo solto vieram animar uma artéria tradicional do Porto cheia de histórias para contar

A Rua da Torrinha é tipicamente portuense: estreita, algo sombria, até íngreme. Há décadas que é um dos principais pólos de aglutinação de antiquários na cidade: contámos sete lojas do género, a que temos que juntar mais algumas dedicadas ao mobiliário contemporâneo. Por isso, podemos considerá-la a versão portuense da lisboeta Rua de São Bento. No passado, a artéria teve outras actividades: durante o Cerco do Porto (1832-1833), os paços do concelho foram transferidos para o número 35 e nesta zona habitavam grande parte dos "bravos do Mindelo", entre os quais o próprio D. Pedro IV. Aqui também cresceu um dos pólos da industrialização portuense, nomeadamente no sector têxtil: a Fábrica de Asneiros, fundada em 1850, terá sido a mais célebre. No século XVII, há ainda registo de uma praça de touros no arruamento. De acordo com a Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha Freitas, a Rua da Torrinha começou a ser rasgada no princípio do século XIX, em terrenos de um casal com esse nome, mencionado em registos paroquiais a partir de 1625.
Nos dias de hoje, há uma curiosa mistura de novo e velho na artéria. Por exemplo, no número 37 está o tradicional Colégio Liverpool, propriedade da Congregação das Religiosas Missionárias de S. Domingos, cuja existência data de 1937. A Telmo & Diegues, há quase 40 anos no número 148, é um dos estabelecimentos mais curiosos: é uma oficina de reparação de electrodomésticos, especialmente televisões, que tem na montra um velho modelo reduzido ao ecrã e ao cinescópio, plenamente funcional. Aqui tanto se reparam modernos LCD como televisores (e rádios) com mais de 20 ou 30 anos. Poderíamos pensar que ninguém os quereria, mas afinal há muita gente com um carinho especial por velhos aparelhos com história familiar. Se se quiser livrar do seu velho televisor pode deixá-lo aqui, porque pode ter peças úteis a futuras reparações.
Depois, temos as casas dedicadas às antiguidades e velharias, que são, de uma forma geral, generalistas. É que o mercado portuense não permite uma maior generalização e, diz Pedro Santos, da Dickson Antiguidades, "há uma grande desunião" entre os proprietários. "Devíamos ter uma dinamização conjunta, como na Rua Miguel Bombarda", acrescenta. Ainda assim, o número de lojas até tem vindo a crescer nos últimos anos. A Dickson é uma das casas com uma oferta mais cuidada, destacando-se pelas faianças, porcelanas e arte sacra dos séculos XVII, XVIII e XIX, e alargando o seu raio de acção até ao século XX no caso da pintura e das pratas. Os antiquários Caco Velho, Ângelo Neto, Tempos Antigos e Carlos Cunha são alternativas.
Quase no cruzamento com a Rua da Boa Hora está a Vinhático, propriedade do decorador João Madureira, um dos sócios do Café Lusitano, na Rua José Falcão. O mobiliário em estilo vitoriano inglês foi o ponto de partida, mas encontrámos mais mobiliário nórdico, dos anos 50 e 60, na nossa visita à loja. Também há objectos orientais e pintura, que João Madureira usa nos seus trabalhos de decoração. Ao lado, a Casa Leal conta com quase 40 anos de actividade, mas acompanha o espírito do tempo: adopta agora a designação "design and furniture" e vende mobiliário de traços contemporâneos, cujo acabamento é feito numa oficina nas traseiras.
Quanto às novidades: Comecemos pela Devir Arena, uma loja especializada em cartas coleccionáveis, banda desenhada (portuguesa e importada, sobretudo dos Estados Unidos), jogos de tabuleiro e miniaturas. Na cave, há uma sala onde se realizam torneios e partidas informais de jogos como Magic: The Gathering. O calendário de eventos está em arenaporto.blogspot.com. Entre a Rua da Boa Hora e a Rua de Cedofeita está o Doce Ritual, que se dedica ao tríptico sabores, arte e leitura. É o primeiro item que se destaca: o bolo de chocolate é um ex-líbris, mas há outras especialidades caseiras, doces regionais e biscoitos, bem como uma alargada selecção de chás. Os menus de almoço são centrados nas massas e legumes. Aqui há sempre uma exposição para visitar e a componente de leitura reflecte-se nos poemas colocados nas mesas e nos livros e jornais à disposição. Mais acima, a Temposolto apresenta sugestões de pequenas prendas artesanais, com destaque para a bijutaria da criadora Ana Alves. Além disso, tem livros (infantis e best-sellers), carteiras, sais, velas e sabonetes.
A rua, onde está também a sede distrital do Bloco de Esquerda, já fez parte do roteiro nocturno do Porto, até há cerca de dois anos. Aos fins-de-semana, a Casa da Madeira do Norte transformava-se num bar onde não faltava a cerveja Coral e a também regional poncha. Problemas com a vizinhança puseram fim ao que seria agora uma descontraída alternativa para a movida da Baixa."

Artigo de João Pedro Barros in Público

domingo, 19 de abril de 2009

The Doors - People Are Strange



(inesperada revisitação deste clássico feita ontem por Jorge Palma no Centro Cultural Vila Flor numa noite memorável)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Goran Bregovic - Ederlezi

Enquanto durou a parceria entre Goran Bregovic e Emir Kusturica, o resultado alternou sempre entre o Bom e o Muito Bom. No plano musical, em comparação com Kusturica, Bregovic destaca-se claramente dando-nos a conhecer o melhor da alma da música tradicional dos Balcãs. Como ainda ontem dizia uma amiga: " Kusturica é festa a mais!"... e de facto apesar de saber bem ouvir um concerto de Kusturica acompanhado pela surreal No Smoking Orchestra, prefiro Bregovic com a sua banda de casamentos e funerais!
Intensa e inquietante esta música que integra a banda sonora de Tempo dos Ciganos, em mais um retrato da cultura daquele povo, como Kusturica durante uns anos nos habituou.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Morcheeba - Part Of The Process

E claro, novamente Morcheeba com Skye Edwards na voz no meu estaminé!

Estes senhores foram responsáveis pelo meu primeiro concerto em Lisboa, na Aula Magna. Na altura fiquei mais que fulo por terem duas datas lá e nenhuma cá em cima..no final do concerto ainda se tentou roubar um cartaz em pleno Terreiro do Paço, mas nops, estavam bem colados! Volvidos dois anitos deram um concerto memorável no Coliseu do Porto. Este vídeo faz-me lembrar sem dúvida esse concerto no Coliseu, onde tavamos colados às grades completamente babados (palavras da Fio em comentário a post anterior hehe).

terça-feira, 14 de abril de 2009

Lucy



Com excepção de um caso ou outro, eventualmente ao sábado à noite na RTP2 e ao domingo a horas tardias na RTP1, cinema de qualidade nos canais generalistas é coisa bastante rara. Mas ontem dei por mim colado a um filme que comecei a ver por mero acaso: I Am Sam (A Força do Amor). Só conhecia este filme pelo nome, e conta-nos a história de um pai com uma deficiência mental que luta nos tribunais para conseguir a custódia da sua filha, Lucy, de 7 anos. A interpretação do Sean Penn está fabulosa!
Como fio condutor, temos Beatles na banda sonora...

domingo, 12 de abril de 2009

Rua da Fábrica

"O Grande Hotel de Paris ainda é a sala de visitas da artéria dos livreiros

O mítico café Estrela d'Ouro também está de volta à rua que os turistas e a "movida" da Baixa do Porto (re)descobriram. As livrarias continuam por aqui, mas as vendas diminuíram

Há duas ou três décadas, o regresso às aulas de qualquer aluno do Grande Porto implicava uma visita quase obrigatória às papelarias e editoras da Rua da Fábrica. Hoje, os livreiros da artéria - que forma com a Praça de Carlos Alberto e a Rua dos Mártires da Liberdade o triângulo de maior densidade do sector no Porto - garantem que o título de centro do livro no Norte ainda se mantém, embora as vendas já não sejam as mesmas, face à concorrência das grandes superfícies. Muitos clientes das independentes Livraria de José Alves, Sousa & Almeida e Editora Educação Nacional vêm especificamente à procura daquilo que não encontram nas lojas dos centros comerciais. A "gigante" Porto Editora também está presente e a rua até tem significado histórico para o grupo editorial. A sua primeira livraria/papelaria foi inaugurada aqui, em 1944. A loja actual data de 1966 e tem um cariz generalista. Bem mais antigo é o Grande Hotel de Paris, inaugurado em 1888, e que pode ser considerado a sala de visitas da rua, com um passado de hóspedes notáveis, de Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós.
Antes de prosseguirmos, debrucemo-nos um pouco sobre a toponímia do arruamento, que se deve à Real Fábrica do Tabaco, cuja prosperidade chegou a ser considerável no século XVIII. No século XXI, os noctívagos da vizinha zona das Carmelitas não descem até aqui à procura de cigarros, mas sim das cervejas e das sandes de presunto da típica mercearia Casa S. Jorge, aberta pela noite fora. O Royal Kebab, mais abaixo, é alternativa.
Voltemos às livrarias, para perceber os diferentes conceitos. A Livraria de José Alves, na esquina com a Rua de Aviz, sucedeu à antiga ASA e especializou-se em livros técnicos, de engenharia, economia ou informática. A Sousa & Almeida vem de 1952 e continua a ser gerida por um dos fundadores, Joaquim de Almeida. As áreas fortes são História, Arqueologia, Arte Portuguesa e Etnografia, bem como os livros antigos seleccionados. Também há uma secção de livros galegos e de temas africanos. Na Editora Educação Nacional, que chegou a ser uma das mais relevantes do país em termos de ensino básico, a oferta concentra-se nos guias turísticos, livros escolares do primeiro ciclo e literatura infanto--juvenil. Todos os estabelecimentos se queixam do mesmo: da falta de estacionamento e das obras prolongadas de requalificação, realizadas no âmbito da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura. "A rua ficou bonita, mas foi a machadada final, nunca mais houve retoma", sublinha José Alves.
Ao Grande Hotel de Paris ninguém tira o título de estabelecimento com mais história da rua. Foi fundado em 1888, mas o antecessor Hotel Francês tem referências muito anteriores.

O hotel de Camilo

Entre outras curiosidades, diz-se que o Grande Hotel foi o primeiro no Porto a ter água quente nos quartos. Em 1849, albergou o escritor Camilo Castelo Branco. Em 1999, a unidade passou para a actual gerência, de David Ferreira, que procedeu a obras de recuperação, mantendo a traça e os objectos antigos. Os 42 quartos costumam estar ocupados por turistas "europeus, jovens e que não querem um hotel standard", revela David Ferreira. No salão de refeições, só se servem agora os pequenos-almoços, de base tradicional portuguesa.
Há aqui outro estabelecimento mítico: o Estrela d'Ouro, que faz parte da linhagem de cafés que moldaram, durante muitos anos, a vida académica e social do Porto. "Quando reabrimos, muita gente entrava cá para nos dizer que tinha começado aqui o namoro, estudado por cá", contou-nos Fernando Martins, o actual proprietário. Pedro Homem de Mello, Eugénio de Andrade e Óscar Lopes são algumas das figuras do mundo literário associadas à tertúlia que aí se reunia.
A decadência dos últimos anos foi interrompida em 2007, com obras profundas, que alteraram por completo a decoração, sem quaisquer traços do passado. Agora, a cafetaria tem pouco peso, sendo o piso térreo essencialmente dedicado a almoços (com pratos do dia) e jantares. A ementa concentra-se nas pizzas (há rodízio por 12,90 euros) e no serviço de grill. No primeiro andar, estão seis bilhares, enquadrados num espaço de bar, aberto pela noite dentro (a cozinha funciona até às 2h00). Nas quartas-feiras académicas, o fino é a um euro.
No outro lado da rua, o restaurante Companhia dos Morfes assentou arraiais no número 34, depois de mais de uma década na Foz do Douro. A cozinha também fecha apenas às 2h00, aos fins-de--semana, sendo que os lombinhos de porco preto são o ex-líbris deste local requintado. O menu em inglês denuncia o óbvio: os turistas andam por aqui e são um dos alvos."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lamb no Marés Vivas

Ora, mais uns repetentes aqui no meu estaminé, desta vez com a boa notícia da sua vinda ao Festival Marés Vivas a 16 de Julho. No mesmo dia...Primal Scream..parece-me bem!
A ver vamos se este ano dá para ir até à beira do rio, ao contrário do ano passado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Jorge Palma - Tempo dos Assassinos

Quero o silêncio do arco íris
Quero a alquímia das estações
Quero as vogais todas abertas
Quero ver partir os barcos
Prenhos de interrogações

Amo o teu riso prateado
Como se a lua fosse tua
Vou pendurar-me nos teus laços
Vou rasgar o teu vestido
Eu quero ver-te nua

Vivemos no tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Eu quero ver-te alucinado
Eu quero ver-te sem sentido
Sem passado e sem memória
Quero-te aqui no presente
Eternamente colorido

Porque abomino o trabalho
Se trabalhasse estava em greve
Se isto não te disser tudo
Arranja-me um momento mudo
O menos possível breve

Vivemos o tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Amo o teu riso prateado
Como se o Sol só fosse teu
Vou pendurar-me no teu laço
Amachucar-te essa camisa
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu

in Jorge Palma (2001)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rua das Carmelitas

"A movida nocturna instalou-se à porta da mítica e centenária Livraria Lello

O Era Uma Vez no Porto, o mais recente bar da Baixa, está desde há uma semana mesmo ao lado do famoso estabelecimento, que atrai milhares de turistas todos os dias

Em Janeiro de 1906, a inauguração da Livraria Lello & Irmão (que então se chamava Chadron) atraiu a atenção de figuras como o poeta Guerra Junqueiro, o líder republicano Afonso Costa e Aurélio da Paz dos Reis, o pioneiro do cinema em Portugal. Mais de 100 anos depois, os flashes das máquinas fotográficas dos turistas são a imagem mais comum à entrada deste edifício classificado e ícone do Porto. Antero Braga, um dos sócios da Prólogo Livreiros, que detém a Lello desde 1994, estima que mais de 1000 estrangeiros por dia façam compras na livraria, entre os meses de Maio e Agosto. A Rua das Carmelitas está também no epicentro do movimento nocturno da Baixa, dando acesso às concorridas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis. Por isso, não é coincidência que aqui tenha aberto um novo bar: o Era Uma Vez no Porto "transferiu-se" do Passeio Alegre há pouco mais de uma semana.
Mas voltemos uns séculos atrás: por que o arruamento recebeu o nome dos Carmelitas? A explicação é simples: aqui existiu, entre os séculos XVIII e XIX, um convento dos Carmelitas Descalços, extinto em 1833, depois da vitória do regime liberal. Hoje, não resta qualquer vestígio do edifício, que deu lugar, em 1903, à construção do chamado bairro das Carmelitas (entre a Praça Guilherme Gomes Fernandes e as ruas de Santa Teresa e Conde de Vizela).
De regresso ao presente, falemos da actual orientação da livraria Lello, considerada pelo jornal britânico The Guardian como a terceira mais bela do mundo. O título deve-se não só à fachada (entre a Arte Nova e o neo-gótico), mas também ao seu interior, que se destaca pela escadaria e pelo amplo vitral no tecto, para além da presença de bustos de escritores como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental. O atendimento especializado e os livros de autores portugueses em língua estrangeira, destinados maioritariamente aos turistas, são os grandes orgulhos da actual gerência, que passa "ao lado da crise". No piso superior há ainda uma vertente de galeria de arte, com obras de pintura e escultura, e um pequeno bar, limitado a bebidas.
Porém, a Lello não é a única livraria histórica da Rua das Carmelitas. No lado oposto está a Livraria Fernando Machado, fundada em 1922, cujo período áureo se deu nas décadas de 1940 e 1950, quando se assumiu como uma das mais importantes editoras portuguesas na área do livro técnico. Por este antigo espaço de tertúlia de médicos, juristas e opositores ao Estado Novo passaram ainda quatro exemplares da primeira edição de Os Lusíadas. Em 2006, com a fachada de talha de madeira e vidro recuperada, reabriu pela mão de Paulo Samuel, responsável pela editora Caixotim e livraria homónima, na Rua dos Clérigos. No entanto, passados três meses, a Fernando Machado voltou a encerrar, devido a um processo de insolvência em que Paulo Samuel foi uma vítima colateral. "Se houver condições, gostava muito de retomar o projecto", contou ao PÚBLICO.

Era uma vez na Baixa

O mais recente bar da Baixa chama-se Era Uma Vez no Porto e está no primeiro andar do número 162, na porta da Ourivesaria dos Clérigos. O espaço está aberto todos os dias à noite (a partir da próxima semana, a abertura é antecipada para as 15h), destacando-se pela sua varanda, com uma vista que abrange a Praça de Lisboa (ainda encerrada, à espera da prometida requalificação), a Torre dos Clérigos e a Praça dos Leões. Nos próximos meses deve surgir a loja Gira Discos, numa sala contígua, com CD, vinis e livros. O indie rock vai ser dominante na selecção musical do bar, que não tem consumo obrigatório.
A artéria também é conhecida pelo comércio, com destaque para os Armazéns Marques Soares, a caminho dos 50 anos. Tudo começou no número 92, com 150 metros quadrados. Agora, através da aquisição de vários imóveis, ligados de forma labiríntica, os armazéns têm mais de 10.000 metros quadrados, distribuídos por cinco pisos, onde já se nota o passar dos anos. A oferta abrange roupa de homem, senhora e criança, estofos e decorações, cristais, relojoaria e até uma secção de tamanhos grandes.
Os Armazéns da Capela, ou A Pompadour, são um estabelecimento centenário, com um belo pára-sol de ferro e vidro. A mais antiga loja portuense da Vista Alegre está na esquina com a Rua Cândido dos Reis. E a Fernandes, Mattos & Ca., mais acima, merece uma visita mesmo sem compras: as velhas colunas em ferro fundido (da Fundição do Ouro), as bancadas em madeira e os vitrais levam-nos numa viagem até 1886, data de abertura desta antiga casa de tecidos, agora dedicada aos pequenos objectos do lar e artesanato português. Segundo nos contou o gerente, Paulo Fernandes, Marques da Silva foi um dos arquitectos."

Artigo de João Pedro Barros, in Público

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Festa do Cinema Italiano



Este ano, pela primeira vez, a Festa do Cinema Italiano chega ao Porto, neste fim de semana no Teatro do Campo Alegre.
Programação completa
aqui.